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A Educação da Nova Era
Autor Data Publicação
15/11/2001
Origem

 

   Mas o que significa educar? Transmitir um certo número de padrões sócio culturais? Instruir? Promover ou acompanhar o desenvolvimento fisico-intelectual da criança? Dar amor? Dentro da concepção comum, já teríamos definido plenamente o conceito de Educação. Porém, espiritamente falando, não tocamos nem de perto o cerne da questão. Em torno dos binômios lar-escola e pais-mestres, há uma infinidade de considerações a serem feitas.

   Educar é desenvolver, cultivar, fazer brotar, numa palavra: elevar. Educar é fazer crescer, não unilateralmente, mas em toda a integridade física e espiritual.
Para que haja Educação no verdadeiro sentido do termo, impõe-se-nos antes de mais nada duas premissas básicas: amor e auto-educação. Amar para educar e auto-educar-se para amar. Ninguém pode aperfeiçoar se não procura cultivar em si a obra da evolução.

   E esta dupla atitude de amor a auto-educação deve ser um denominador comum para pais e mestres. Quem disser que aos pais basta amar e aos mestres instruir, está redondamente enganado. Quantas vezes o amor não se degenera em egoísmo feroz, em mimo exagerado, em excesso de zelo ou em tirania doméstica, justamente pela falta de esclarecimento dos pais? E a relação mestre-aluno não é, na maioria das vezes, árida transmissão de informações em que não ocorre um real enriquecimento pela ausência do amor?

   Neste sentido, é necessário que haja um relacionamento PROFUNDO, INTENSO, AMOROSO entre educador e educando. Necessário que exista o Diálogo. Um dos maiores filósofos de todos os tempos - Sócrates - ensinava aos seus discípulos por meio do diálogo. Induzia-os pela conversação a chegarem ao conhecimento, de tal maneira que sentiam ter achado o caminho por si mesmos, sem que ninguém lhes impusesse nada. Recorde-se também de Jesus, ao pregar para a mulher ao pé da fonte de Jacó, ao contar a parábola do bom samaritano ao doutor da lei. O Mestre indagava, dialogava: "Qual destes três te parece o que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?" (Lucas, X:36). O Livro dos Espíritos, a viga-mestra da Nova Revelação, é todo em forma de diálogo. Pela primeira vez, o ser humano se debruça sobre o Além e, com alto sentido de pesquisa e racionalismo, conversa face a face com a Imortalidade.

   O monólogo é autoritário, entediante e pobre. O diálogo enriquece, desperta, produz.
   O professor deve descer de seu pedestal de dono da porta do conhecimento para deixar que o aluno possua a chave. A escola tem de proporcionar ao educando a faculdade de questionar, pesquisar e chegar ao conhecimento e não meia dúzia de fórmulas e conceitos que, depois de algum tempo, a memória não consegue mais reter.

   Ensinar dialogando requer humildade, paciência, criatividade. Humildade para se colocar ao lado e não acima do aluno, paciência para ouvi-lo e criatividade para inventar sempre novas e diferentes maneiras de buscar o fio condutor do diálogo. Em uma palavra, é preciso idealismo e amor, o que infelizmente não é muito encontrável em professores frustrados e sem vocação.

   Para se dar uma aula de verdade, não bastam uma boa dicção, uma lousa e um giz. E necessário despertar primeiro a curiosidade e o interesse dos alunos para o que vai se aprender. E indispensável fazê-los sentir a utilidade e a fascinação do assunto em pauta. Passear com eles, pelo mundo do saber, com entusiasmo e paixão. E, acima de tudo, fazer com que saibam, o quê e por quê estão aprendendo. Proporcionar-lhes uma visão de conjunto e não fragmentos feitos de fórmulas esparsas e conceitos no espaço.

   O professor possui o poder mágico de acender ou apagar para sempre no aluno, o amor ao estudo. E esse amor não pode ser imposto por sermões, ameaças e advertências. Mas deve ser estimulado através de uma didática eficaz, temperada de diálogo e paixão.

   Os Espíritos só entram na vida corporal para se aperfeiçoarem, para se melhorarem. A delicadeza da idade infantil os torna brandos, acessíveis aos conselhos da experiência e dos que devam fazê-los progredir. Nessa fase é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores. Tal o dever que Deus impôs aos pais, missão sagrada de que terão de dar contas. (O Livro dos Espíritos, perg. 385).

   Um dos ingredientes da Educação deve ser a liberdade, para que seja dada à criança a oportunidade de desenvolver seus interesses, no seu ritmo, interagindo com o professor, com os colegas, com o meio ambiente, com o conhecimento em si. Liberdade porém, sendo o clima em que deve se desenvolver a Educação, não significa abandono da função pedagógica, por parte do educador, mas urna mudança em seu papel. (A Educação da Nova Era - Dora Incontri, pág. 138-139).

    Desde que haja liberdade, oportunidade para o imprevisto, para os interesses individuais, para a busca aberta do conhecimento, devem ficar abolidos os métodos prontos, a mecanização dos conteúdos, que são jogados á criança sem que ela saiba para quê, por quê e de onde vêm... Portanto, dentro de uma proposta construtivista, não há um método de ensino e conteúdos rígidos. Os professores também devem ter liberdade de ação e proporcionar esse desenvolvimento dos alunos, criando seus métodos, de acordo com as circunstâncias, de acordo com o assunto, de acordo com a reação dos alunos e das variaveis imprevisíveis de um processo verdadeiramente educacional. ( A Educação da Nova Era - Dera lncontri,pág. 1 39).


    O Educador deve passar por uma espécie de "conversão", para mudar sua visão a respeito do papel que desempenha na Educação. Tem de renunciar a postura cômoda e autoritária de receber programas prontos e passá-los de maneira burocrática às crianças, que devem desenvolver esse conteúdo nas provas. Deve ter outra visão da criança, enxergá-la como um ser pensante, digno de respeito, que têm direito ás suas opiniões e escolhas. Deve transformar suas aulas numa vivência estimulante para si mesmo e para os alunos. Um professor imbuído de tais idéias, entusiasmado com as possibilidades de uma Educação que investe no desenvolvimento autônomo de cada um, desperta sua criatividade e iniciativa para produzir formas novas de ensino. (Educação da Nova Era - Dora Incontri)