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Os Iluminados Instrutores Espirituais que Vieram a Terra
Autor Data Publicação
23/10/2001
Origem
Livro Sublime Peregrino - Ramatís

 

    Não há dúvida de que Buda é um Instrutor de alta categoria espiritual, cujos ensinamentos extinguem as ilusões da mente e livram o homem do temor da morte. Ele também procurou confortar os desanimados, erguer os fracos e consolar os aflitos, pois sua mensagem tinha algo da "Boa Nova" pregada por Jesus. Jovem e príncipe, Buda não hesitou em renunciar aos fulgores e prazeres da corte de Kapilavastu, a fim de procurar a verdade redentora da vida humana. Ele advertiu que "a glória do mundo é como uma flor esplêndida pela manhã e murcha à tarde".
     Sua alma entristeceu-se diante das desilusões e das dores da existência humana, em que nada é duradouro e tudo termina aparentemente sob a laje fria da tumba. Depois de usufruir dos prazeres e do conforto próprios de sua estirpe real, ao tomar contato com as realidades do mundo além dos muros dourados da sua corte, ele viu em torno de si o nascimento e a morte, o fausto e a decadência, a vida e a dissolução da matéria. Em todas as atividades do mundo, Buda verificou o desejo e a decepção, o medo da dor e o medo da morte, a paixão e a frustração, o poder efêmero, a juventude fugaz, a velhice acumulada de sonhos desfeitos ou remorsos crepitantes. As glórias do mundo encerravam-se no subsolo da sepultura terrena.
    Espírito sadio e de alta estirpe sideral, não se consumiu no pessimismo e na descrença, nem se abateu diante do enigma triste da vida humana. Sua alma mereceu os louvores do Senhor, porque pesquisou, descobriu e ensinou que, embora "as coisas mudem sem cessar, há sempre uma verdade oculta e imutável, que dá realidade a essas mesmas coisas".
    Assim, a verdade estaria em tudo: na pedra, na planta e no animal, embora inconscientes. Porém, quanto ao homem, este já se "sente", já "sabe" da verdade, porque ele tem consciência de ser, de existir e de pensar. A razão dá-lhe um sentido nítido da vida; tem a consciência do eu; porém ainda engendra o egoísmo, a injustiça e a iniqüidade até descobrir que, acima do "eu inferior", forjado no mundo transitório das formas, existe o Eu Superior, espiritual e eterno, portanto a Verdade. E que, enquanto tudo é miséria no mundo de "Samsara"(Termo sânscrito, significa literalmente "ação de vagar";é a transição e a mutação contínuas; a passagem pelos mundos transitórios, que é o físico, o astral e o próprio mental, causa fundamental dos renascimentos na matéria e do sofrimento pela ignorância da verdade da vida espiritual), a Verdade proporciona a paz de espírito depois que ele vence o erro e "mata" o desejo, alcançando o "Nirvana"(É o oposto de Sansara; é um estado perene de consciência desperta, o autoconhecimento que liberta. Não é um estado de aniquilamento do ser, como a gota d'água se funde no oceano; porém, um estado de plena consciência espiritual; é a vida do Espírito liberto das limitações do tempo e do espaço, com o direito de trânsito livre no Infinito).
    Embora considerando-se a magnitude filosófica de Buda e sua passagem messiânica pela Terra, Jesus viveu toda sua existência subordinada ao Supremo Ideal de servir a humanidade sofredora; afora alguns momentos prazenteiros, que teve em sua infância, passou pela Terra em constante angústia e piedosa aflição por todo o sofrimento alheio.
    Enquanto os seus precursores ainda manifestavam "desejos" e se envolviam no "Maya", ou na ilusão de alguns prazeres da vida humana, Jesus foi absolutamente imune a qualquer apelo ou tentação da matéria.     Eles só se devotaram ao messianismo da redenção e do esclarecimento do homem terreno, depois de experimentarem as seduções da vida carnal.
    Porém, o filho de Maria e José, desde o berço até à cruz, viveu na mais completa pobreza e entregue exclusivamente à tarefa de liberar os terrícolas das algemas do pecado. Buda e outros iluminados instrutores espirituais do Oriente saíram em busca da Verdade, depois de algumas desilusões da vida do mundo e quase preocupados com uma solução pessoal.
    Jesus, no entanto, desde sua infância viveu indiferente à sua própria felicidade, pois os seus sonhos e ideais só objetivaram a ventura alheia. Jamais ele procurou solver os mistérios da vida humana para contentar sua própria ansiedade. Todas as suas iniciativas visavam ao bem do próximo. Não era um filósofo aconselhando diretrizes extemporâneas, nem legislador enfileirando leis e punições para a atarantada humanidade, mas sim o companheiro, amigo fiel e generoso, que vivia minuto a minuto aquilo que ensinava e oferecia a própria vida em favor dos humildes e desgraçados. Considerava a humanidade a sua própria família.
    Moisés desposa a filha de um sacerdote mediasita e vive até 120 anos usufruindo os bens da vida humana. Zoroastro alcança honrarias na Terra e casa-se três vezes. Confúcio casa-se aos 19 anos, torna-se Ministro da China e desencarna aos 73 anos de idade, após alternativas de glória e de honras políticas. Finalmente, o próprio Buda, educado entre os prazeres e os fulgores da corte de Kapilavastu, casa-se com a bela prima Yosadara . Deixa o lar aos 29 anos e depois de longas meditações encontra a Verdade espiritual aos 35 anos, sob uma árvore de bô. Entretanto, Jesus, nascido em paupérrimo lar operário e participando de árduo serviço doméstico, sem a possibilidade de cultura que muitos precursores haviam recebido nos palácios afortunados, sente essa mesma Verdade Espiritual desde a infância, vive-a integralmente até o sacrifício na cruz.
    Embora oriundo de altas esferas angélicas, nem por isso o instinto natural do sexo humano deixou de acicatar o corpo jovem de Jesus, assim como a planta selvagem insiste e tenta dominar, com sua força agressiva, o enxerto da muda superior. No entanto, ele matou o desejo carnal e venceu o próprio "Maya", a Ilusão da vida humana, que Buda só fez aos vinte e nove anos, depois de desiludido dos prazeres do mundo e impressionado pelas chagas e mazelas do seu povo. Jesus, no entanto, foi casto durante toda sua vida, pois viveu uma só emoção, acalentou um só pensamento e teve um só desejo; a felicidade do próximo! Buda, embora fosse também um excelso e genial instrutor espiritual, primeiramente contentou os desejos do corpo e os bens do mundo. O seu messianismo, na verdade, iniciou-se depois da saturação dos seus sentidos físicos. Jesus, no entanto, subordinou toda sua existência ao ideal incessante de promover a felicidade dos homens. Sem dúvida, não houve desdouro para Buda, pelo fato de ter casado e procriado e só sentir-se desperto pelo fogo sagrado da vida espiritual depois que conheceu as dores e as ilusões da vida humana. No entanto, ninguém jamais foi tão heróico, puro e honesto na doação de sua vida ao próximo, como fez Jesus.
    Os iluminados que antecederam Jesus quase sempre foram de aspectos vigorosos e tipo bem nutridos, que pregaram a sabedoria com certo otimismo espiritual, sem muitas hostilizações do meio e dos homens, ao passo que o Mestre Galileu atravessou sua época qual junco batido pelos ventos gélidos das ingratidões humanas. Ele era um perfil delicado, tipo de anjo semifebril e angustiado no exílio terreno, a refletir em seu olhar as dores do mundo, a ignorância, a hipocrisia e a maldade dos homens. Diz a biografia de Buda que ele caiu em meditação e expirou tranqüilamente, depois de ter dito: "A destruição é inerente ao todo composto; porém a Verdade durará sempiternamente. Trabalhai com afinco por vossa libertação!"Jesus, no entanto, expirou na cruz, entre dores e sofrimentos acerbos, mas reunindo suas forças derradeiras e malgrado ser a vítima inocente da maldade humana no arremate de uma existência de incondicional amor aos homens, expressou-se assim:"Pai! Perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem!"
    Em verdade, ele carregou nos ombros o fardo das mazelas humanas, enquanto a maioria dos gênios, sábios e santos tecia suas mensagens libertadoras no silêncio amigo do lar, no refúgio da Natureza ou no ambiente inspirativo dos conventos e das instituições fraternistas. Jesus gravou suas idéias e pensamentos ao vivo, dia a dia, minuto a minuto, sob o sol ardente, sob a chuva copiosa ou na terra escaldante; junto aos mendigos, prostitutas e publicanos; entre os leprosos, chagados e loucos. Os pobres, os miseráveis e os desesperançados foram a argamassa de sua edificação espiritual.
    Indiscutivelmente, o Mestre Jesus foi o Espírito de maior quilate jamais pousado na Terra, pois desde o seu nascer até morrer, ele viveu exclusivamente a idéia crística, representativa da Verdade e da Vontade do Pai.
    Jesus, tendo sido o sintetizador do ensino desses precursores, não veio, pois, criar coisas novas ou destruir coisas velhas, mas simplesmente consolidar o velho e puro ensinamento sempre latente na tradição religiosa dos templos. No próprio Sermão da Montanha ele o confirma, lembrando que não viera destruir os profetas, mas confirmar o que eles haviam dito. Isto quer dizer que seus ensinamentos devem ser aceitos incondicionalmente, despidos de vícios, de distorções, de dogmas, de prescrições ou de liturgias, pois representam uma libertação completa do modo de pensar e de viver.
    É óbvio que tudo o que já haviam dito Manu, Antúlio, Numu, Orfeu, Hermes, Rama, Zoroastro, Krishna, Buda, FoHi, Lao-Tse, Confúcio, Moisés, Pitágoras, Platão, Sócrates ou Maomé, ele o fez protestando veemente contra os aparatos cerimoniais e o exaustivo simbolismo, que sufocam a beleza pura do ensno doado pelo Alto. Seu olhar espraiou-se pelo mundo e mergulhou no passado, verificando, com tristeza, que a sementeira generosa do ensinamento divino era sempre asfixiada pelos homens com o luxo nababesco dos santuários faustoseos e dos sacerdotes que viviam da idolatria de todos os tempos. O seu Evangelho está implicitamente exemplificado no seu modo de amar e de viver. Aquele contínuo silêncio e o seu estoicismo ante a inutilidade de reagir contra a estupidez humana falam-nos com mais força do que a multiplicidade de palavras sentenciosas que lhe quiseram atribuir, copiando-as da boca de outros iniciados menores. A força eterna de Jesus - já o dissemos - situa-se fundamentalmente na sua incondicional proteção à pobreza, à desgraça, à infelicidade humana. Basta isso para reavivar-lhe novamente a beleza crística, pois o mundo desgraçado de hoje já compreendeu que só o Amor de Jesus o salvará!