Conquistando SerenIdade    (Educação Gerontológica)
O Mau Contato
por Liliane Bruno

Em meio às adversidades do cotidiano de todos nós, sempre é prudente e sábio olhar os problemas de um modo cuidadoso. Se nos aproximamos de uma situação complicada e ela se apresenta como algo enorme e insolúvel, vale a pena fazer o caminho inverso, ou seja, estabelecer certa distância em relação ao que nos aflige para analisarmos qual o melhor caminho a seguir.

Lembremos do ditado segundo o qual devemos dizer ao nosso problema o tamanho de Deus, e não devemos ficar dizendo a Deus o tamanho do problema.

À medida que nos habituamos a pedir ao Poder Superior a serenidade e o discernimento necessários para travarmos nossas lutas diárias, passamos naturalmente a estabelecer contato com energias muito sutis. Estas, por sua vez, são fundamentais para aliviar o cansaço físico e mental ocasionado pelo "Bom Combate" travado em nós mesmos, em meio às relações que estabelecemos com as pessoas, e igualmente com o mundo que nos rodeia.

Por falar em contato, aproveito a oportunidade para dividir algumas impressões sobre este termo situando-o no terreno da Gerontologia, ciência que estuda o envelhecimento sob o olhar de diferentes áreas profissionais.

Lanço mão de uma simples pergunta: o que dizemos daquele aparelho doméstico "velho de guerra" que utilizamos no dia-a-dia, diante de seus primeiros sinais de desgaste? "Pode ser mau contato...".

Será que poderíamos dizer o mesmo de algumas pessoas mantendo distante, é evidente, o aspecto pejorativo? Explicarei melhor meu ponto-de-vista, para fugir da idéia de velhice como desgaste.

Ninguém envelhece de um dia para o outro, e nem apresenta sinais de demência da noite para o dia. Gradualmente, o ser que vivencia o processo de envelhecimento vai passando por uma série de transformações a nível físico, psíquico e social. Em meio a esse processo, que é singular, pessoal e intransferível, podem acontecer momentos nos quais se evidenciem lapsos de memória, condutas inesperadas ou inoportunas e reações surpreendentes (positivas ou negativas) que são, de certo modo, atitudes parecidas com um "mau contato". Elas simplesmente acontecem e podem ou não, no entanto, estar apontando para alguma dificuldade específica.

O que se torna perceptível no comportamento da pessoa idosa, e que surge como um "mau contato", uma "mania de velho" ou "caduquice" pode, na realidade, denotar os primeiros indícios de um quadro demencial. Há que se ter cuidado em acompanhar a constância na qual estes comportamentos ocorrem, de modo a buscar uma orientação especializada.

Manter-se informado a respeito das mudanças geradas pelo processo de envelhecimento é um excelente caminho, não somente para quem está atravessando essa fase da vida, mas também para aqueles que convivem com idosos. Se o "mau contato" realmente persistir, torna-se imprescindível recorrer ao auxílio de profissionais capacitados em assistir às peculiaridades da velhice, e encarar a situação com serenidade.

Diante de uma realidade que nos apresenta um diagnóstico de doença neurodegenerativa, dentre as quais a Doença de Alzheimer é apenas uma delas, cabe-nos manter um contato constante não somente com especialistas no assunto, mas também com outras pessoas que enfrentem as mesmas dificuldades. Evitar o isolamento é uma estratégia que nos fortalece e revigora.

Mais uma vez retomando o ditado segundo o qual devemos dizer aos nossos problemas o tamanho de Deus, nas situações onde o "mau contato" revelar a fragilidade de nossa saúde ou da saúde de quem amamos devemos estabelecer, sobretudo, o contato com o Altíssimo, para que os problemas não se tornem maiores do que eles realmente o são.


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