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Capítulo 8 - A Óctupla Nobre Senda - Sexto Passo: Reto Esforço
por Narcí Castro de Souza

Uma forte chuva caiu durante toda noite. O dia amanheceu envolvido pelo intenso perfume da vegetação. O céu tingido pelos matizes róseos da aurora, convidava ao agradecimento ao Senhor da vida pela beleza exuberante da paisagem. Savitri sorveu em um profundo hausto o ar balsamizado, contemplou extasiada o céu, na direção onde o Sol se insinuava com raios dourados, e elevou seus pensamentos, em uma prece: "Agradeço a Ti, Senhor do Céu e da Terra, poder desfrutar da beleza do mundo que creaste. Agradeço a bênção do puro ar que respiro. Agradeço o perfume que a natureza exala. Agradeço por meus olhos contemplarem tanta beleza".

Pressurosa, andou em direção ao quintal da humilde morada onde ordenharia a vaca que, generosa, ofertaria o leite para a primeira refeição da família. Ao regressar à casa, viu que Shanda, seu irmão, já acendera o fogo. Após a refeição frugal, ambos saíram em direção a plantação de arroz que cultivavam, para a lida do dia.

Ao entardecer, dirigiram-se para a fonte onde desfrutariam de mais um encontro com Gautama. Estavam cansados, mas felizes por terem completado mais um dia do trabalho que oferecia o sustento da família. Todos os discípulos já se encontravam acomodados ao redor do Bhagavam. Eles foram os últimos a chegar e não puderam participar do início do encontro.

- Reto Esforço é o sexto passo da Nobre Óctupla Senda - o Senhor Buda enunciou e, olhando em direção aos irmãos, sorriu levemente, como a saudá-los.

- Senhor Gautama, perdoe-nos termos nos atrasado ? desculpou-se Shanda.

- Não posso perdoá-los, porque não os condenei. Acomodem-se. O que vocês entendem por reto esforço? - perguntou.

- É cumprirmos com nossos deveres da melhor forma que pudermos - respondeu Ramanuja.

- Certo, porém não basta cumprirmos com nossos deveres. É importante cessar de praticar o mal, devemos aprender a praticar o bem. Além disso é importante termos consciência da quantidade de trabalho que podemos realizar e aprendermos a não malbaratar nossas energias de forma leviana, reservando-as prudentemente para podermos cumprir com os nossas responsabilidades diante da vida. Cada um possui um quantum de energia física e mental. Saibamos não ultrapassar nossos limites, nem ficarmos aquém de nossas possibilidades - esclareceu Gautama.

- Muitas vezes um chefe de família numerosa, tendo filhos ainda pequenos que não podem colaborar, sente que o trabalho que tem de realizar para suprir as necessidades dessa família, torna-se excessivo para suas forças, porém, ele tem que realizar este trabalho que o exaure. Isto é contrário à retidão de esforço? - indagou Dayananda.

- Ele precisa aprender a promover intervalos durante a lida, que são necessários para seu refazimento, a fim de - recuperando sua energia - conseguir cumprir seus deveres sem prejuízo para sua saúde.

Lembremos também que cada um de nós exerce constantemente influência sobre pessoas que nos rodeiam: filhos, parentes, empregados , amigos. Esta influência significa poder e somos diretamente responsáveis pelo resultado de nossas atitudes diante dessas pessoas. Precisamos ser prudentes em relação aos exemplos que oferecemos , através de palavras ou atos, que podem ser seguidos.

- Qual a melhor atividade que uma pessoa pode exercer ? - perguntou Savitri.

- Cada pessoa possui uma aptidão. São diversas as atividades necessárias para o andamento da vida. Cada um deve procurar realizar o que melhor lhe convenha. Todas as atividades são importantes. Cada um nasce com um talento especial que deve procurar desenvolver o melhor possível , sempre levando em conta sua resistência, administrando sabiamente seu tempo e adeqüando seu esforço às suas condições físicas.

Com estas palavras o Senhor Buda encerrou mais uma lição. Fechou seus lindos olhos azuis e mergulhou em profundo Samadhi.


Perguntas Respondidas