Compartilhando    (Manvantara)
Reflexão 10
por Ilda Castro

Estou presa.Imobilizada
pela vida no presente vivida,
mas meu horizonte é amplo
e eu quero mais, muito mais.
Só o mundo, tal como o percebemos,
não mais me satisfaz.
Quero vôo em céu aberto
e todos os homens libertos.
Quero paisagens grandiosas;
árvores e flores diferentes - radiosas;
ação e luta - sempre - constantes.
Quero sentir com cada célula - intensamente -
cada hora, cada minuto, cada segundo.
Quero todas as alegrias e dores do mundo.
Tenho sede do infinito, de amplidão;
fome dos espaços abertos.
Desejo de libertação.
Tenho fé no coração.
Tenho, comigo, a mão amiga.
Tenho vontade de Vida!


Manvantara

Passo por um pralaya.
Meus sentimentos e ações
são analisados, transmutados.
A inspiração, as criações
- aparentemente cristalizadas -
sofrem penoso processo de mutação, de reciclagem.
Na superfície, tudo petrificado, parado.
O espírito quase atormentado
trabalha o interior sem ser notado.
Repentinamente, sem ao menos perceber,
acontece o movimento, o florescer.
Radiante, sem bem compreender,
estou frente a frente, cara a cara,
com um novo manvantara.


Andarilho

Não posso me fixar,
prender, enraizar,
pois não sou de lugar algum.
Bailo de um lado a outro
no magnífico salão do espaço,
e pulo, e canso, e logo me refaço.
Andarilho das estrelas
a descobrir e explorar mundos,
a tornar fértil e fecundo
o meu pensar, o meu sentir
- eu não sou daqui.
Olho para o céu, para vê-las,
e uma vez mais me convenço.
Sou e estou em todas as estrelas.


Perguntas Respondidas