A Arte e o Espírito    (O Julgamento)
28ª Parte - Mariangela, Instrumento de Vingança
por Jorge Queiroz

 

CENA 44 ACENDE-SE A LUZ NO CENTRO DO PALCO. A TESTEMUNHA MARIA CONTINUA SEU DEPOIMENTO.
MARIA ...A partir daí, tudo mudou em nossas vidas. Antônio não foi eleito e movido pelo espírito da vingança, queria destruir Paulo de qualquer maneira.
ADVOGADA E a sua filha, como ficou nessa história?
MARIA Foi a maior prejudicada. Seu Paulo tinha um carinho todo especial por ela, não tinha nenhum preconceito por causa da doença e ela o adorava. Só em vê-lo, ela já começava a melhorar, mas, Antônio, cego pelo ódio, proibiu que eu levasse a menina nas seções de tratamento. Disse que não ia contribuir para santificar seu Paulo, vivia dizendo para todo mundo que Mariângela era sadia antes de visitar a casa do seu Paulo e que havia sido ele, o responsável pela doença dela. Para conseguir prestígio político, se arvorou a defender a todos que não conseguiam a cura com seu Paulo, acusando-o de impostor e charlatão!
ADVOGADA
Então ele utilizou a doença de sua filha como instrumento de vingança?
MARIA Pior! Ele utilizou a vida dela para destruir seu Paulo.
PROMOTOR Eu Protesto! Essa afirmação ...
JUIZ Protesto indeferido. Prossiga doutora, prossiga.
ADVOGADA O quê a senhora quer dizer com isso? Pode ser mais clara?
MARIA Mariângela voltou a ficar muito doente e Antônio não permitiu que eu levasse Mariângela para a casa do seu Paulo. Levou-a então, para o hospital público. Lá, eles disseram que não podiam fazer nada, que a hemorragia não podia ser mais controlada, que a minha filha só tinha mais umas três horas de vida, eu insisti para que recorrêssemos ao seu Paulo, Antônio me fez esperar exatamente duas horas e meia para só então, quando Mariângela tivesse apenas um fiapo de vida, buscássemos a ajuda de seu Paulo.


Perguntas Respondidas