Medicina da Alma    (Medicina da Alma)
Introdução
por Adriana Thomaz

As palavras Doação, Energia, Medicina, Entrega, Comprometimento, Carinho, Escuta, Compromisso, Aceitação, Cuidado, Arte e Troca, no que se refere à verdadeira pratica do ato de curar, tem o mesmo significado.

Assim, o verdadeiro médico, o que pratica a Medicina da Alma, esta presente no aqui e agora, sendo um com seu paciente ao manifestar interesse em suas emoções, suas historias, suas crenças e suas verdades e não apenas nos seus sinais e sintomas físicos.

Corpo físico, Mente e Espírito precisa ser tratado simultaneamente para um completo exercício da arte de curar. Este é o tema a ser desenvolvido nesta coluna.

Como medica homeopata, acupunturista, fitoterapeuta e psico-oncologista, especialista em situações de morte perdas e luto e fundadora da ONG GIRASoHL (voluntários voltados para o acolhimento de pacientes fora de possibilidade de cura atual -até bem pouco tempo ditos "pacientes terminais" - no Hospital da Lagoa, RJ), me proponho a compartilhar através dessa coluna, minhas idéias e condutas visando voltar o olhar para a milenar medicina praticada no oriente e a contribuição que tal filosofia pode dar ao ocidente.

Dividirei o tema proposto para esta coluna ? carinhosamente batizada pelo Editor de Medicina da Alma - em dois tópicos , "A importância da primeira consulta medica ? o primeiro encontro ?" e "O diagnostico pela Medicina Tradicional Chinesa".

O primeiro Encontro ? A importância da primeira consulta

O primeiro encontro (Primeiro???) precisa ser especial. Será uma longa conversa aberta onde o medico ouve o paciente, suas hipóteses, suas idéias e possíveis porquês de seu adoecimento e o que, na sua opinião (isso mesmo, caro leitor, a opinião do paciente), o faria se curar. Essa escuta é feita sem julgamento, sem criticas e com muito respeito.

É importante que o paciente saiba que seus medos, suas duvidas, a desconfiança muitas vezes presente apos outro(s) encontros (?) traumáticos com outros médicos (?) serão devidamente acolhidos e validados. É necessário que haja disponibilidade de tempo e de presença, para reconhecer possíveis reflexos do passado no adoecimento atual. Falo do passado de saúde e doenças anteriores e das emoções, das dores ha muito tempo grudadas nesse corpo e principalmente, nessa Alma.

A cumplicidade entre medico e paciente é o ingrediente fundamental para o estabelecimento de um projeto de tratamento, de reeducação e mudança de hábitos. Em parceria, medico e paciente definirão, juntos, os passos a serem seguidos na direção da cura, o objetivo a ser perseguido.

Assim, a primeira consulta vai alem do diagnostico e das propostas de tratamento, ela é em si um instrumento de cura pois gera no paciente a esperança e o alivio. O alivio de ser escutado, de ter espaço para falar livremente.

Alem do olhar nos olhos "de carne" do paciente, o medico deve sim olhar para o todo, para o ser humano, para o adulto que um dia mamou, que um dia amou e perdeu a chance de uma vida com o ser amado, que tem magoas e ressentimentos, culpas de situações não vividas e potencialmente felizes, a saudade do que não foi vivido, os prazeres vividos e sabidos impermanentes, porem validados no aqui e agora. Olhar nos olhos da Alma.

Pode parecer uma "consulta de psicólogo" mas percebo que o grande problema da saúde está nessa compartimentação emoção-psicólogo e corpo-físico-médico, não existente no contexto da Medicina Chinesa, que dividirei com você leitor no próximo artigo desta coluna.

Com carinho,
Adriana Thomaz


Perguntas Respondidas