Olhar Psi    (Olhar Psi)
Maternidade
por Jorge Queiroz

Alguns crêem que o vínculo do bebê com a mãe começa no ambiente intra-uterino, outros afirmam que se inicia muito antes, que há uma relação espiritual que os une anteriormente à concepção. Independente dessas visões, ninguém duvida que esse vínculo existe e que ele é forte e necessário para o desenvolvimento do bebê e que quando é baseado na atenção, no carinho, no amor, facilita a troca sutil, muitas vezes imperceptível, profunda, íntima, fusional, pessoal e transpessoal entre a mãe e o filho. Já existem comprovações científicas de que o bebê, ainda no útero, ou recém-nascido, mesmo não entendendo o significante das palavras, isto é, a expressão oral da língua, consegue perceber o seu significado. Ele é capaz de captar as intenções das palavras e entender o sentido do que é dito, e isso tanto serve para as palavras positivas, quanto para as negativas. Afinal, elas são expressões do pensamento. Por isso o cuidado do quê, e de como é dito ao bebê, é muito importante. Se ele percebe que é rejeitado, repelido, desdenhado ou não é atendido em suas necessidades biopsicossociais, pode haver um ruído, ou uma ruptura na comunicação mãe/bebê e colocar por terra toda uma relação previamente construída.

O recém-nascido tem suas atividades mentais ligadas à parte biológica, como respirar, sugar e eliminar. Quando não há cuidado e atenção da mãe nesse período, o bebê pode na busca do alívio de suas tensões, se fixar em elementos externos à própria mãe, como levar ao rosto a fraldinha ou o cobertor, agarrar constantemente o boneco de pelúcia, chupar os dedos ou a chupeta, procurando conforto de suas frustrações. A insatisfação integral de suas necessidades mais primitivas e o cerceamento do exercício corporal e sensorial pode levar ao bebê ao desenvolvimento de um Eu fraco, impróprio e inadequado. Mas ao contrário, quando há satisfação plena de seus impulsos naturais e ele é livre para crescer corporalmente e sensorialmente e ainda recebe apoio para desenvolver seus mecanismos socioculturais, forma-se um campo propício para o processo da subjetividade, da construção de um Eu mais equilibrado, forte, harmonioso, amoroso, com tendência a se tornar uma criança e um adulto inteligente, com percepção aguçada, espiritualizado, autocontrolada e autoconfiante. Não se esqueça seu filho é singular, ele é único, é o seu filho.

Discussões entre o casal, atribulações do dia-a-dia, sempre devem ser evitadas, na presença do bebê, principalmente na hora ou próximo da mamada. Esse é um momento sagrado. É quando a troca entre mãe e bebê se faz com mais intensidade e intimidade. Nessa hora a mãe deve ver o filho como o centro do universo, isto é, parar tudo que estiver fazendo e acolher o bebê em seu colo com amor, carinho e atenção, pois é nessa troca de amores que se dá a comunicação entre eles. Com esse cuidado simples, ela poderá contribuir para tornar a vida do bebê mais tranqüila e mais feliz. E tudo isso com certeza, vai facilitar com que as naturais dificuldades do dia-a-dia não se tornem insuportáveis para ambos. E acredite, mesmo quando a gravidez foi esperada e repleta de amor e esperança, vão existir momentos de muita angústia, dúvidas , cansaço e verdadeiro desespero. E nunca se esqueça que para o bebê tudo também é novo, e você é a adulta nessa relação. E é de você que ele espera ajuda e não ao contrário. Por isso, é necessário que o pai seja presente e esteja sempre apoiando a mãe e o filho. Afinal o bebê não foi feito sozinho. Mas quando não conseguir suportar a pressão, peça ajuda especializada, porque você pode estar com depressão pós-parto (DPP) e isso é uma doença e não frescura ou chilique de mulher despreparada para ser mãe.

Ademais, curta seu filho, ame-o profundamente e não acredite quando disserem que amor, carinho e colo estragam o bebê. Ele nasce indefeso e completamente dependente e muitas vezes o contato amoroso é a sua melhor alimentação, a fonte de energia que pode impulsionar seu filho à vida. PENSE NISSO!

Quando estiver sozinha com a sua pequena criança, fale com ela, converse com ela, entre em contato com ela espiritualmente, amorosamente e se inspire em Chico Buarque de Holanda e cante para ela. Ela entenderá seu acalanto:
"dorme minha pequena, não vale a pena despertar, eu vou sair por aí a fora, atrás da aurora mais serena, ...dorme minha pequena...."

Dedicada à Michelle e ao Caio.

Email: jorgepsiqueiroz@yahoo.com.br
Jorge Queiroz - Psicólogo CRP 38841


Perguntas Respondidas