Conquistando SerenIdade    (Educação Gerontológica)
A Ordem das Coisas
por Liliane Bruno

O que é mais difícil? Olhar a morte sob o prisma de quem vai ou de quem fica? A orientação espiritual, seja ela qual for, torna o processo de separação física algo menos doloroso. Acreditar que em algum momento o reencontro será possível oferece ao coração o alento necessário para que se consiga retomar o ritmo da vida, que segue seu curso queiramos ou não.

E o que nos resta fazer, a partir do primeiro dia de uma vida sem aquele ente querido? Reaprender a caminhar, reencontrar motivos para sorrir despretensiosamente, sem pensar: "se fulano ou fulana estivesse aqui..." Nos resta prosseguir, guardando as lembranças que fazem parte de uma história construída entre sorrisos e lágrimas, entre fatos inusitados e a vida cotidiana em seus pequenos detalhes. Lembro até hoje de coisas bobas, engraçadas, que vivi junto àqueles amores que me antecederam na jornada pela vida. Ouço com freqüência alguém dizer o que seu ente querido lhe deixou como legado, como aprendizado, como experiência dividida.

"Aprendi isso com meu avô..."

A convivência gera esse monte de pequenas circunstâncias que, somadas, compõem o mosaico que é a nossa história pessoal. Esta, por sua vez, pode ser compreendida em capítulos. Cada capítulo corresponderia a um determinado título, como por exemplo: "vovó e eu", "minha mãe e eu", "meu pai e eu", e por aí vai...

Os desígnios de Deus são por vezes incompreensíveis, quando a ordem das coisas sugere certa desordem. Por vezes, a revolta turva nossa mente e nos faz questionar o momento em que a morte toma em suas mãos alguém com tantos planos para realizar, ou alguém tão bom, ou tão forte... Em outros casos, fica no ar a pergunta: e se eu estivesse lá? Ou, e se ele não estivesse?

Quando confiamos em um Poder Superior, e sentimos em nosso coração a certeza de que a transição física é só uma etapa de um instante maior e eterno, a razão se aquieta e percebe que a dor não durará para sempre. Compreendemos que a ordem das coisas está correta, os dias se passam e o horizonte surge trazendo luz para todos os que ficam e os que partem. Lembro a "Canção da América": "qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar..." Que assim seja, em nome de Deus.


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