Evangelizar para Crescer    (A força do Exemplo)
Pais: os primeiros evangelizadores
por Viviane Araújo

Já experimentou esgotar todo o seu repertório de caretas ao brincar com o seu filho pequeno? Se já o fez deve ter reparado duas coisas: 1) ele presta muita atenção em tudo o que você faz e 2) minutos depois ele coloca em prática o que acabou de aprender: faz muitas e muitas caretas, exatamente iguais a que você acabou de fazer.

Assim são as crianças: sempre atentas, sempre espertas, sempre em busca de exemplos para seguir, de palavras para repetir, de comportamentos para imitar, de um modelo para se guiar. Assim são os pais: ensinando vinte e quatro horas por dia, mesmo quando pensam que estão apenas em um momento de relaxamento e descontração com o filho, como no exemplo das caretas citado.

O lar, portanto, é a primeira - e mais importante - escola do seu filho. E os pais os primeiros ? e mais influentes - professores. E por que não dizer evangelizadores? Já que se somos cristãos, almejamos passar aos nossos filhos os ensinamentos que Jesus nos deixou. E como será que nos saímos nesse papel de professores-evangelizadores vinte e quatro horas? Será que somos do tipo ?faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço? ou já alcançamos o estágio de compreender que ?um exemplo vale mais do que mil palavras?? Para respondermos a essa pergunta, basta pensarmos em como somos no nosso dia-a-dia. Imaginemos, por exemplo, cinco cenas cotidianas:

Cena 1: Seu chefe te perturbou o dia inteiro por causa daquele relatório enorme e chatíssimo que você não conseguiu terminar de concluir. Já na paz do seu lar, o telefone toca. Seu filho atende. Do outro lado da linha, muito provavelmente estará o seu chefe enfurecido, querendo saber o porquê do bendito relatório não ter saído. Diante da possibilidade, imediatamente você se contorce todo, demonstrando imensa habilidade em mímica, sinalizando para o seu filho dizer que você não está em casa.

Quando o seu filho mentir e você o repreender por isso, dizendo que ele precisa ser franco e assumir o que faz, mais difícil será convencê-lo de que em todas as circunstâncias ser verdadeiro é o melhor caminho.

Cena 2: Você, mãe amorosa e preocupada, empenha-se em cuidar muito bem da alimentação de sua filha. Refeições nos horários certos, sempre muito nutritivas. Doces controlados para que não haja exagero. Na sua geladeira não falta iogurte, queijos, frutas, leite, carnes, legumes e verduras, dentre os quais você, curiosamente, só come as verduras. Sim, porque perder dez quilos em apenas dois dias sempre lhe parece muito atraente.

Quando a sua filha crescer e habituar-se a achar que para ficar bonita e magra tudo vale, mais difícil será convencê-la de que a saúde deve vir em primeiro lugar.

Cena 3: Você vive comentando que todos os amigos de sua esposa parecem estar extremamente interessados nela, isso incluindo, claro, aquele senhor de 85 anos e o seu vizinho que todos juram que é homossexual.

Quando o seu filho adolescente começar a namorar e sofrer horrores com um ciúme beirando o doentio, difícil será mostrá-lo que agindo assim ele nunca conseguirá construir um relacionamento baseado em confiança e respeito.

Cena 4: Você adora ir ao Maracanã com os seus filhos. Mas quando o seu time perde, você se transforma. Se alguém da torcida adversária te instiga, você não leva o desaforo para casa, partindo ora para a discussão verbal, ora para a disputa braçal (ou seria boçal?!?) mesmo.

Quando o seu filho for um adolescente e acostumar-se a brigar na rua pelos motivos mais fúteis, difícil será argumentar que a violência não leva a nada.

Cena 5: Você sempre se atrasa para pegar os seus filhos no colégio. Sabe como é, né? Você ainda não se acostumou com o trânsito ruim de todo dia.

Quando eles crescerem e você pedir para que eles cheguem antes da meia noite em casa, difícil será convencê-los de que se um horário foi estipulado, ele deve ser cumprido.

E então? "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço" ou "um exemplo vale mais do que mil palavras"? Que tipo de professor-evangelizador 24 horas você tem sido? Ou ainda: que tipo de professor-evangelizador 24 horas você imagina que o seu filho precisa ter?


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