Em Busca da Verdade    (Suicídio - Uma idéia que não vale a pena)
Motivos para o Suicídio - Obsessão
por Gustavo Martins

Irmãos e irmãs em estados de depressão, dependência química e distúrbios psiquiátricos são na grande maioria dos casos, senão em sua totalidade, influenciados em maior ou menor grau por espíritos bsessores.

A dívida contraída em existência anterior, nesta encarnação ou o próprio vício abrem brechas para a aproximação daqueles que desejam "cobrar" ou por aqueles que desejam utilizá-lo como meio de absorver as emanações do elemento viciante, como por exemplo o álcool, as drogas e o fumo.

Dessa forma utilizam o estado invigilante do ser encarnado e evoluem, pouco a pouco, na escala de progressão obsessiva, partindo da simples obsessão para o estado mais complexo, chegando até a fascinação e por fim alcançando a possessão

O espírito obsediado, no horror das visões e influencias espirituais do obsessor e por não conseguir vencê-lo opta, em alguns casos, pelo suicídio e dessa forma agrava os seus comprometimentos perante a lei divina e faz-se escravo do obessor quando chega ao mundo espiritual, permitindo ao verdugo completar a sua vingança.

O suicídio não acaba com a obsessão, somente a modificação interior na luta por reconquistar o equilíbrio é que possibilitará a libertação do obsediado.

O espírito obsessor também pode influenciar no próprio ato de auto-extermínio quando consegue atingir o estado de possessão, já que o espírito encarnado não consegue mais vencer o verdugo que há muito tempo trabalha por dominhar-lhe os sentidos. Nesse estado desequilibrado o obsediado também fica surdo as influencias dos espíritos amigos que tentam ajudá-lo.

O suicídio por obsessão não isenta o obsediado da responsabilidade, já que a instalação da obsessão e sua progressão só ocorreram com o seu consentimento. Em tempo algum Deus deixou de amparar aqueles que lutaram pela sua liberdade espiritual, os espíritos amigos sempre estão próximos e nunca deixaram de auxiliar os necessitados.

Os espíritos não podem simplesmente afastar o obsessor, o processo é bem mais complexo e envolve a necessidade de transformação daquele que se encontra obsediado. Para maiores informações sobre obsessão leiam a série de artigos que publicamos nesta mesma coluna sobre obsessão. Abaixo copiamos trechos do livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec que esclarecem com maiores detalhes o que informamos acima.

Pergunta ao guia do médium: - Um Espírito obsessor pode, realmente, levar o obsidiado ao suicídio?
R. Certamente, pois a obsessão que, de si mesma, é já um gênero de provação, pode revestir todas as formas. Mas isso não quer dizer isenção de culpabilidade. O homem dispõe sempre do seu livre-arbítrio e, conseguintemente, está em si o ceder ou resistir às sugestões a que o submetem.
Assim é que, sucumbindo, o faz sempre por assentimento da sua vontade.
Quanto ao mais, o Espírito tem razão dizendo que a ação instigada por outrem é menos culposa e repreensível, do que quando voluntariamente cometida. Contudo, nem por isso se inocenta de culpa, visto como, afastando-se do caminho reto, mostra que o bem ainda não está vinculado ao seu coração.

Allan Kardec – O Céu e o Inferno

 

21 - OBSESSÃO E SUICÍDIO – Além da Morte - Divaldo

Eu permanecia perplexa, ouvindo a narrativa lúcida e calma da sábia Instrutora. Verificava, a cada instante, que, em realidade, o fenômeno era exatamente esse, a suceder, todos os dias, entre os homens conturbados, em face dos deveres santificantes que o Evangelho desvelado pelo Espiritismo aponta. Estávamos a uma dezena de metros e ouvíamos os torturados suspiros da sofredora. Desejando novos esclarecimentos, indaguei, preocupada:
- Como teria despertado, além da cortina física? Em que condições atravessara a grande aduana?
A interlocutora, disposta a elucidar-me, ensaiando-me na sabedoria da Lei, respondeu, bondosa:
- Matilde foi, durante mais de quinze anos, devorada pelas dores do suicídio...
- Suicídio? - interrompi, alarmada.
- Como não? - redargüiu.
- Mas não se encontrava louca? — aventei, aturdida — perseguida pelos gênios titânicos que a arrastaram à desencarnação?
- Sim - concordou. - Muito embora a sua situação mental constitua-se um significativo atenuante, é necessário não esquecermos de que a mente do médium jamais esteve sem o amparo divino. Se houve influenciação maléfica, a intermediária é a única responsável pelo descaso à Lei e ao Dever. Todos os fatos posteriores a um desequilíbrio são decorrentes do desequilíbrio. No caso, a loucura foi uma conseqüência natural da fuga ao dever nobilitante. Quando nos atiramos a um abismo, não sofremos apenas a deslocação do corpo com o movimento, mas, também, a queda e as dores advindas desta. Compreendeu?
- Certamente -, concordei.
- A Justiça Divina - prosseguiu, esclarecendo – é perfeita e a Lei é imutável. Durante os anos de lutas acerbas, quando sua mente, no Despenhadeiro de Horror, conseguia pausas para a coordenação das idéias, era assaltada pelos gênios infernais, a que se ligara. Recordava aqueles amigos que ainda se demoravam na carne e que, de certo modo, foram os causadores da sua infelicidade, propiciando-lhe a fuga aos compromissos elevados, junto ao altar do dever.
“O pensamento desequilibrado era toldado, então, pelo ódio e, rompendo espaços, ia ao encontro dos encarnados que, irresponsáveis, continuavam nos jogos da carne, entre as futilidades do caminho. Tão freqüentes se tornaram as recordações que a enferma passou a transmitir, inconscientemente, as vibrações de que era portadora e que funcionavam nos antigos consulentes como pensamentos angustiados, pesadelos e inquietações em perfeitas afinidades.”
- Oh, Céus! - exclamei.
- Não há porque estranhar - retrucou-me a esclarecida orientadora. E, prosseguindo, elucidou:
- As ações são agentes poderosos no intercâmbio psíquico. Os erros e crimes de toda ordem ligam os seus servidores em elos vigorosos, feitos dos elementos mentais alimentados pelas vibrações constantes que os imantam. Caídos e derrubadores permanecem ligados pela responsabilidade: vítima-algoz.
“E não poderia ser diferente. Quantos contribuíram inicialmente para a ruína moral da médium, são co-autores da tragédia que arrastou a invigilante.
“Todos guardamos a idéia do Bem e da Dignidade. Usar deliberadamente essa mensagem da Vida, acarreta-nos, como se pode facilmente depreender, os sucessos ou insucessos desse uso bom ou mau...
Estava profundamente preocupada. O esclarecimento é luz de responsabilidade. Saber significa também sofrer o que já se fez. Meditando, entendia melhor o enunciado do Senhor: “a cada um será dado segundo as suas obras.”
- Essas são as malhas do crime - referiu-se a irmã Zélia. - Depois de atadas envolvem os criminosos e punem-nos até o momento em que a renovação se delineia alvissareira.
- E, agora - indaguei, penalizada -, que acontecerá à pobre asilada?
- Não lhe faltarão o auxílio e o amor - respondeu, calma - em nome do Grande Amor de todos os amores. Todavia, só o tempo, infatigável burilador, poderá responder. Aguardemos e aprendamos. Restituiremos tudo quanto dilapidarmos na inconsciência e na ilusão.
Abraçando-me cordialmente, a benfeitora concluiu:
- semos o tempo e agradeçamos à dor. A árvore podada reúne as energias e volta a dilatar-se em vergônteas novas, resistindo às intempéries e voltando a dar sombra, flores e frutos. Dos seus ramos cortados nascem utensílios pela mão hábil do marceneiro.

 

Hilda - Do livro Vozes do Grande Além. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Amigos: Há duas palavras com significação muito diferente na Terra e na Vida Espiritual.
Uma delas é "consciência", a outra é "responsabilidade".
No plano físico, muitas vezes conseguimos sufocar a primeira e iludir a segunda temporariamente, mas, no campo das Verdades Eternas, não será possível adormecer ou enganar uma e outra.
A consciência revela-nos tais quais somos, seja onde for, e a responsabilidade marca-nos a fronte com os nossos merecimentos, culpas ou compromissos.
Enquanto desfrutais o aprendizado na experiência humana, acautelai-vos na conceituação dessas duas forças, porque o pensamento é a energia coagulante de nossas aspirações e desejos.
Por isso, não fugiremos aos resultados da própria ação.
Fala-vos humilde companheira que ainda sofre, depois de aflitiva tragédia no suicídio, alguém que conhece de perto a responsabilidade na queda a que se arrojou, infeliz.
O pensamento delituoso é assim como um fruto apodrecido que colocamos na casa de nossa mente.
De instante a instante, a corrupção se dilata e atraímos em nosso desfavor todos aqueles elementos que se afinam com a nossa invigilância e que se sentem garantidos por nossa incúria, presidindo-nos a perturbação que fatalmente nos arrasta a grande perda.
- Obsidiada fui eu, é verdade.
- Jovem caprichosa, contrariada em meus impulsos afetivos, acariciei a idéia da fuga, menoscabando todos os favores que a Providência Divina me concedera à estrada primaveril.
Acalentei a idéia do suicídio com volúpia e, com isso, através dela, fortaleci as ligações deploráveis com os desafetos de meu passado, que falava mais alto no presente.
Esqueci-me dos generosos progenitores, a quem devia ternura; dos familiares, junto dos - quais me empenhara em.. abençoadas dívidas de serviço; olvidei meus amigos, cuja simpatia poderia tomar por valioso escudo em minha justa defesa, e desviei-me do campo de sagradas obrigações, ignorando deliberadamente que elas, representavam os instrumentos de minha restauração espiritual.
Refletia no suicídio com a expectação de quem se encaminhava para uma porta libertadora, tentando, inutilmente, fugir de mim mesma.
E, nesse passo desacertado, todas as cadeias do meu pretérito se reconstituíram, religando-me às trevas interiores, até que numa noite de supremo infortúnio empunhei a taça fatídica que me liquidaria a existência na carne.
Refiro-me a essa hora terrível e inolvidável, para fortalecer em vosso espírito a: responsabilidade do pensamento criado, alimentado, e vivido...
No momento cruel, um raio de luz clareou-me por dentro! ...
Eu não deveria morrer- assim - comecei a pensar.
Cabia-me guardar nos ombros, por título de glória, a cruz que o Senhor me confiara!...
Imensa repugnância pela deserção, de súbito, iluminou-me a alma; entretanto, na penumbra ao quarto, rostos sinistros se materializaram de leve e braços hirsutos me rodearam.
Vozes inesquecíveis e cavernosas infundiram-me estranho pavor, exclamando: -“É preciso beber.”
A bênção do socorro celeste fora como que abafada por todas as correntes de treva que eu mesma nutrira.
Debalde minha mão trêmula ansiou desfazer-se do líquido fatal.
Esvaíram-se-me as forças.
Senti-me desequilibrada e, embora sustentasse a consciência do meu gesto, sorvi, quase sem querer, a poção com que meu corpo se rendeu ao sepulcro.
Em verdade, eu era obsidiada...
Sofria a perseguição de adversários, residentes na sombra, mas perseguição que eu mesma sustentei com a minha desídia e ociosidade mental.
Corporificara, imprevidente, todas as forças que, na extrema hora, me facilitaram a queda.
Conservando a idéia lamentável, acabei lamentando a minha própria ruína.
Em razão disso, padeci, depois do túmulo, todas as humilhações que podem rebaixar a mulher indefesa... Agora, que se me refazem as energias, recebi a graça de acordar nos amigos encarnados a noção de “responsabilidade” e “consciência”, no campo das imagens que nós mesmos criamos e alimentamos, serviço esse a que me consagrei, até que novo estágio entre os homens me imponha a recapitulação total da prova em que vim a desfalecer. É por essa razão que terminamos as nossas frases despretensiosas, lembrando a vós outros que o pensamento deplorável, na vida intima, é assim como o detrito que guardamos irrefletidamente em nosso templo doméstico.
Se somos atenciosos para com a higiene exterior, usando desinfetantes e instrumento de limpeza, assegurando a .saúde e a tranqüilidade, movimentemos também o trabalho, a bondade e o estudo, contra a dominação do pensamento infeliz, logo que o pensamento infeliz se esboce levemente na tela de nossos desejos imanifestos.
Cumpramos nossas obrigações, visitemos o amigo enfermo, atendamos à criança desventurada, procuremos a execução de nossas tarefas, busquemos o convívio do livro nobre, tentemos a conversação robusta e edificante, refugiemos-nos no santuário da prece e devotemos-nos à felicidade do próximo, instalando-nos sob a tutela do bem e agindo sempre contra o pensamento insensato, porque, através dele, a obsessão se insinua, a perseguição se materializa, e, quando acordamos, diante da própria responsabilidade, muitas vezes a nossa consciência chora tarde demais.

 



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