Compartilhando    (Manvantara)
Reflexão 3
por Ilda Castro

Sentindo o passar do tempo,
momentaneamente enfraquecida
pelas batalhas, pelo frio, pelo vento ?
filosofei um pouco sobre a vida.
A vida tem de ser toda vivida:
dores e tristezas, felicidade e alegria
? amar a nova melodia
assim como a canção várias vezes ouvida.
Não nos permitamos viver dias calados,
mas falantes, alegres, cantados.
Sintamos a explosão de luz do dia,
compreendendo e admirando o negrume da noite.
Não devemos sentir ? na morte ? amargura,
sabendo que é um trocar de roupa
? despir de armadura ?
para pularmos leves ou pesados, expostos,
recebendo, de forma pura,
tudo o que ? agora ? ao nosso encontro vem;
que enfim compreendamos que o que pensamos ser bom
nem sempre é o bem.

Que alegria!
No beijo amigo
forte, sincero, suave ? estalado.
Beijo moleque, leve ? alado.
Que alegria!
Na gargalhada da criança,
no brilho dos seus olhos ao nos dar a mão
? só confiança.
Que alegria!
No germinar da semente, no desabrochar da flor;
no vento, na chuva, no sol com seu calor.
Que alegria!
No saber amar, no amanhecer,
na música na lembrança;
na dança, no respirar, na palavra, na poesia;
na Fé, na Verdade, na Esperança;
no companheirismo, na confiança, na amizade.
Que alegria!
No riso do amigo pleno de felicidade;
voz radiante, firme, envolvente,
dizendo que está bem
? e o que diz é realmente o que sente.
Que alegria,
em todos os aspectos da vida ?
os que fazem rir e os que causam feridas.
Que alegria!
Ao tomar conhecimento
de que construímos o nosso caminho
e que a todo e qualquer momento ?
não importa onde andemos ? não somos sozinhos.
Que alegria!
Ao sentir-me em cada um,
sem rejeitar ser algum
pois, certa da presença do Pai,
caminho com todos como o peregrino vai.
Olhar reto, sede de conhecimento e sabedoria
para, ao olhar ao redor e além,
descobrir-se ninguém
? visto ser tudo.
Maravilhado, extasiado, mudo,
sentir-me intimamente ligado a Deus
? com toda a bagagem ? erros e acertos meus ?
e exclamar de forma pura, sem sombra de nostalgia:
Que alegria!
Ser eu mesma, em completa consciência,
liberta de tudo o que limita ?
eu Universo, eu essência.

Mergulhei nessa vida
com muita bagagem,
demais até para uma viagem.
Vim em busca de perdão,
de aconchego, de carinho
? no passado, havia me perdido no caminho ?
Viajante ou peregrino
trazendo na mala muita saudade...
Vim em busca de um sorriso sincero
que me fizesse sentir perdoado.
Vim em busca de um abraço
que aliviasse todo o cansaço
de tantas e tantas viagens.
Vim em busca da luz
que me libertasse da cruz
por mim mesma imposta e construída.
Vim vivenciar o amor incondicional
? que não julga, não cobra... não faz mal.
Encontrei o que vim buscar...
Amor, aconchego, carinho, calor;
abraço, sorriso, luz.
Luz de estrela que habita um coração.
Luz de estrela que ilumina, guia.
Luz que escreve a palavra perdão.
Encontrei, no riso do Amigo, a Alegria.
Encontrei, no coração do Amigo, o meu próprio coração.


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