Compartilhando    (Manvantara)
Reflexão 6
por Ilda Castro

Sinto-me o filho pródigo
- que não necessita palavras, nenhum código -
para retornar à sua casa - ao Lar.
Basta que, ao abandonar a tenda de viagem,
não leve nenhum peso, nenhuma bagagem;
nada me prenda, esteja completamente liberado -
que seja de Amor plenificado.
Que a ânsia de unir-me ao Pai
seja forte, verdadeira -
que a minha alma inteira
pulse, tornando-se o próprio anseio.
Assim, por esse meio
que vem de mim e é em mim,
a minha longa jornada terá fim.
Sei que no meio do caminho,
quando a minha volta pre-sentir,
o Pai virá ao meu encontro - não serei sozinho. E com sandálias serei calçado
- para que no caminho não fira os pés -
e eu, o filho que partira, inconseqüente,
em busca de vida, de experiência,
serei e estarei reconfortado.
Tendo desperta a consciência,
sentirei o que todo filho que retorna sente
ao ouvir a voz do Pai falar com calor:
"Bem-vindo à nossa morada,
filho amado que és, minha própria continuidade.
Bem-vindo tu, que por mim clamaste
- com fé, com ansiedade.
Sê bem-vindo e descansa em paz."

Senhor,
o meu dia se inicia
com essa conversa Contigo
e a tranqüilidade me invade
na certeza de que és meu Amigo
? a qualquer tempo, a qualquer hora,
incondicionalmente estás comigo.
Isolada dos males, da dor -
todo o meu ser em estado de Amor.
Amor que ultrapassa limites conhecidos -
pois por seres ilimitado também o sou.
Tal energia ao atingir meu coração
transforma-se em fonte... e ele entra em expansão.
E já não sei definir esse meu sentir.
Nada quero tomar, guardar - mas somar, doar, dividir.
Sentimento forte - o próprio viver -
algo que não posso... nem quero conter.
Pai...
Sussurra em júbilo minha alma
- cada célula do meu corpo -
em luz, em serenidade, em calma.
Tenho ânsia de retornar, de voltar a Ti;
de me perder e - assim - me encontrar no Teu abraço;
de ser uno Contigo e mais uma estrela no Espaço.
Senhor... Amigo... Pai!...
Sabias, certamente, no momento da minha partida
o quanto faria sofrer, o quanto seria ferida;
entendias minha ânsia de experimentar, de aprender.
Ah, Pai! Tento crescer; agora, sem ferir, sem machucar.
Pai, quero tanto voltar!

Sei que agora não é a hora;
que devo carregar até o fim a minha cruz
- por mim feita, planejada, esculpida.
Mas, nesse lampejo de luz
? momento singular de sintonia -
ao sentir-me tão amada, tão querida,
peço-Te: recebe-me em Teus braços, em Alegria,
e, com o Teu sopro, desperta-me para a Vida.

Neste mundo do qual
penso - às vezes - nem parte fazer,
sinto-me desajustada.
Sou e estou insulada -
como se não participasse desse viver.
Meu corpo é tão denso, tão pesado e - como tal...
na Terra deve permanecer.
Enquanto ele fica por aqui
- trabalhando, criando, fazendo a sua parte -
o meu espírito ensaia vôos e parte,
sempre para mais alto, mais distante.
O que considero interessante
é que esse alto, esse distante
são dentro do meu ser, dentro de mim
e, quando penso haver chegado ao fim,
há mais uma meta a alcançar
e devo meditar, mergulhar, voar...
O templo secreto da minha alma
- meu coração -
procura estar sempre em tranqüilidade, em calma.
Vivo uma busca que me parece interminável
e, nesse estado de procura,
sinto-me num deserto a vagar,
à cata de água, de flores, de frescor -
da Verdade, do meu interior.
Repentinamente, percebo que estava tudo ali
- completamente ao meu alcance -
e, neste exato momento, neste instante,
acontece o Encontro esperado.
Encontro há tanto marcado.

E há festa no meu coração, na minha alma,
que _ ao abraço de Paz do Pai tão amado -
acende-se em pura Luz
e expande-se em Amor, em Alegria, em Calma.


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