Conquistando SerenIdade    (Educação Gerontológica)
Fragilidades
por Liliane Bruno

Ao vivenciar um momento de crise, mais uma vez busquei a Deus. Clamei por luz, e quando ela surgiu mostrou-me a verdade de que ser humano, às vezes, é sentir-se pequenino e só, mas também é ser capaz de estender a mão pedindo auxílio já que Onipotente só Deus o é. Num gesto quase automático, uni minhas mãos por um instante e entrei em contato com meu coração. Lembrei-me dos salmos.

Após ler e refletir sobre os versículos do salmo 136, que ressalta a benignidade do Senhor, eu respirei fundo. Com a cabeça no lugar e o olhar voltado para o alto, decidi expressar minhas impressões sobre esta experiência em palavras, quando uma delas apareceu em minha mente com muita clareza: fragilidade. E uma dúvida surgiu: ser frágil é bom ou ruim? O sentimento de fragilidade suscitou-me a sensação de desamparo e quase me levou ao desespero. Percebendo minha própria fragilidade diante da dor, lembrei da fragilidade de todos nós em diferentes fases de nossa existência.

Na infância, idade adulta ou velhice, muitas vezes nos desesperamos, esmorecemos, "amarelamos". Momentos em que entramos em contato com esses sentimentos são ruins aparentemente, mas no fundo são oportunidades para que possamos reconhecer nossos limites, lembrarmos de nossa responsabilidade diante de situações criadas e alimentadas por nossos pensamentos e atitudes.

Nossa fragilidade freqüentemente aparece quando nos sentimos pequenos diante do mundo, e das provações existentes em cada encarnação. Jovens ou velhos, experientes ou não, nos deparamos com adversidades, e pensamos: o que faço agora? Será que dou conta dessa situação? Será que isso não é demais para mim? Conforme as experiências que acumulamos é que nossa postura irá se modificar. Quando somos crianças, nos é permitido chorar. Depois que passamos por essa fase, somos ensinados a expressar racionalidade nos momentos de crise cada vez mais. Alguns, como eu, permitem que as lágrimas lavem a alma e tornem as idéias mais límpidas. Exteriorizar o que se esconde no coração é mostrar o lado mais frágil, e também é dizer para a vida: ser gente é ser assim.

Reconhecer a fragilidade que é inerente a todos nós, e lembrar da benignidade do Senhor é algo consolador. Faz com que sejamos inspirados a acreditar que ser frágil é pedir colo na hora da dor e da dificuldade, porque somos todos filhos pequeninos de um Pai Amoroso e, afinal todas as nossas dores são apenas pedras e espinhos que se apresentam em todos os caminhos, mesmo na estrada reta do bem. Louvemos ao Senhor, por sua benignidade, e nele busquemos a força para superarmos nossas fragilidades.


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