Conquistando SerenIdade    (Educação Gerontológica)
Hábitos saudáveis, vida mais feliz.
por Liliane Bruno

A Gerontologia pode ser definida como uma ciência envolvida com o estudo dos processos pertinentes ao envelhecimento, sob a ótica de diferentes ramos do conhecimento como a Psicologia, a Biologia, o Direito, a Antropologia e a Sociologia, dentre outras ciências.

Segundo um dos princípios pilares em Gerontologia, chegaremos à velhice usufruindo as reservas acumuladas ao longo de nossa caminhada. A maturidade seria o momento da colheita, após toda uma vida de semeadura. Nesse sentido, a sabedoria popular nos ensina que, ao semearmos uma ação, colheremos um hábito.

Tomando como base essas idéias, proponho uma breve reflexão a respeito de nossa responsabilidade quanto às ações que cometemos e os hábitos que desenvolvemos cotidianamente. Esses hábitos podem ou não concorrer para uma velhice bem-sucedida. A escolha está em nossas mãos.

Desde pequenos somos orientados a adquirir hábitos de higiene e cuidado com o corpo físico. À medida que crescemos um pouco mais, o discurso que nos é transmitido geralmente por pais e professores vai sendo aos poucos incorporado ao nosso dia-a-dia, e não precisamos mais de alguém para lembrar que devemos lavar as mãos antes das refeições, tomar banho diariamente ou escovarmos os dentes antes de dormir. O autocuidado compreende uma série de hábitos adquiridos e reforçados através das diferentes fases da vida.

Entretanto, a consciência da importância de mantermos o mesmo nível de autocuidado apesar do passar do tempo, pode sofrer algumas variações. A prática de esportes é um bom exemplo disso. O incentivo à prática começa na infância, de forma lúdica, passa pelo desejo juvenil de manter o corpo "sarado" e, muitas vezes se perde no meio de problemas financeiros, profissionais e das responsabilidades familiares. A situação vai se desenrolando até que, num belo dia, um exame de sangue com altos índices de colesterol nos obrigue a sair do sedentarismo, para não arcarmos com piores conseqüências em face de um descuidado estilo de vida. Sabe-se hoje, diante dos resultados de muitas pesquisas, que o hábito de exercitar o corpo, com o passar dos anos, concorre para que possamos atravessar décadas de vida com mais vigor, tornando nosso corpo físico mais resistente e adaptado às enfermidades próprias de cada idade, e às tensões diárias.

Mas, devemos ampliar a noção de autocuidado em relação ao nosso corpo físico do mesmo modo que a noção de saúde, na atualidade, foi ampliada. Saúde, desde a Declaração de Alma-Ata " documento oficial resultante da Conferência Internacional sobre Cuidados Primários em Saúde, realizada no Cazaquistão, em 1978 " é um conceito que não se remete apenas à ausência de doenças. É um estado de completo bem-estar físico, mental e social, é um direito humano fundamental.

Considerando o aspecto da saúde de nossa mente, podemos observar como determinados hábitos podem influenciá-la positiva ou negativamente. Manter a mente em atividade, exercitando os neurônios, estimula o potencial criativo do ser humano em qualquer idade. O contato com as artes, a literatura, a música e a ciência proporciona momentos de descontração, descoberta e integração para todas as gerações.

Se pudermos considerar como certo o dito popular segundo o qual "mente vazia é igual a terreno baldio", é imprescindível considerarmos a necessidade de modificar essa idéia, preenchendo a mente de crianças, jovens, adultos e idosos com pensamentos elevados e atitudes positivas, que se refletirão em hábitos salutares. A oferta de atividades culturais e científicas é um dever da sociedade para com os cidadãos, e a estes, por sua vez, cabe retribuir as oportunidades oferecidas comparecendo aos eventos e disseminando informações sobre eles.

Por mais e melhor que cuidemos do veículo físico que nos foi concedido na existência atual, também devemos construir, com o passar do tempo, uma consciência sobre sua natureza transitória e sobre a condição eterna de nosso espírito. É o exercício de estar no mundo, sem ser do mundo. Em tese, parece tarefa fácil quando se tem uma orientação espiritual de acordo com as religiões espiritualistas, segundo as quais a morte não é o final de tudo, e sim, apenas uma etapa do ciclo das sucessivas encarnações. Contudo, vivenciar a dor da separação física é sempre uma experiência marcante , um momento único para o qual nosso coração não está preparado, em muitas situações.

Algumas perdas nos são menos sensíveis, quando há evidente risco de morte devido a quadros graves, ou longos estados de convalescença envolvendo seres recém chegados ao mundo físico ou aqueles que se encontram numa idade já bastante avançada. O lidar com a morte, a dor, o sofrimento, é algo próprio de cada ser humano em sua individualidade. Cada um vivencia essas experiências à sua maneira.

Apesar disso, o hábito de conversar sobre assuntos delicados e que nos colocam frente à nossa condição de seres frágeis não encontra eco, muitas vezes, quando abafamos a curiosidade de nossas crianças. Estabelecer diálogos que preencham lacunas e respondam aos porquês, com o respaldo de uma orientação espiritual coerente, não somente auxiliaria os pequeninos a entender o ciclo da vida, como prepararia os mais crescidinhos para continuar a caminhar sem seus tutores, e confortaria àqueles que receberam a benção de uma vida longa em seu momento de partida deste plano.

Diante de tudo o que foi exposto nesta (não tão breve) reflexão, cabe-nos levar uma existência mais responsável, semeando ações mais conscientes, para colhermos hábitos mais saudáveis e positivos, que nos facilitem o caminhar rumo à felicidade.

Através de nossas diferentes idades, busquemos reforçar cotidianamente hábitos e comportamentos que nos elevem à condição de filhos dignos do amor de Nosso Pai, posto que sua paciência conosco, seus eternos aprendizes, é infinita. Que possamos realmente nos empenhar na realização das tarefas que nos foram confiadas, pautando-as em bons hábitos e numa conduta cristã.


Perguntas Respondidas
Assunto: higiene da mente Data : 12/11/2009
Pergunta:

o que significa habitos de higiene da mente eu nunca vi acho que é relaçar para descançar a mente nao seij quero saber

Resposta:

No artigo em questão eu me remeto à busca por uma mente ativa ao longo da vida, independentemente da idade que tenhamos.

Não falo apenas em realizar exercícios de estimulação do raciocínio e memória. Manter a mente elevada, através de pensamentos positivos, é um hábito saudável que todos devem cultivar desde a infância até a idade mais avançada.

Tratando-se dos idosos, acredito que aqueles que mantiverem sua mente alerta e ativa ao longo de sua trajetória de vida, tenderão a enfrentar com mais serenidade e resistência as limitações decorrentes da velhice como: aposentadoria, perda de entes queridos, doenças e situações de crise.

Agradeço pela pergunta. Muita paz para você