Páginas de Luz    (A Verdade e os Oito Passos para a Felicidade)
Capítulo 6 - A Óctupla Nobre Senda - Quarto Passo: Reta Ação
por Narcí Castro de Souza

A noite encontrou os irmãos Shanda e Savitri imersos em profundo silêncio. A esplêndida lua cheia derramava sua luz prateada, realçando o contorno da vegetação que exalava suave perfume de flores e ervas. Estavam sentados em tosco banco à frente de sua humilde morada.

- Shanda ? Savitri, voltando a cabeça em direção ao irmão e interrompendo o silêncio , falou ? grande é nossa responsabilidade após recebermos as sublimes lições que o Bhagavam nos ministra. Estive pensando em quantas vezes, inadvertidamente, lançamos na atmosfera vibrações negativas através da invigilância de nossas palavras.

- Por isso , Buda nos concita a sermos constantemente vigilantes. É difícil, de um momento para outro, mudarmos hábitos arraigados em nós. Viciamo-nos em prestar excessiva atenção aos erros e deslizes de nossos semelhantes e os propalarmos descaridosamente, aos quatro ventos ? Shanda retorquiu.

- A Reta Crença nos adverte que o que fazemos em relação aos outros receberemos de volta, e mesmo sabedores desta Lei continuamos a errar. Meu espírito sente-se triste ao avaliar que tenho errado muito, apesar de minha pouca idade... ? com lágrimas nos olhos , assim se expressou Savitri.

- É difícil crescer em Espírito, mas não podemos desanimar, se realmente queremos merecer a oportunidade de sermos instruídos por um fiel representante de Brama ? falou Shanda.

- Irmão, vamos dormir. Amanhã teremos de madrugar para cumprirmos nossas tarefas diárias ? lembrou Savitri.

O Sol, despedindo-se do dia, coloria o horizonte em tonalidades rubro-violáceas e os discípulos encaminhando-se para a fonte, iam acomodando-se em torno de Sidharta .

- Hoje vamos discorrer sobre o quarto passo para conquistarmos a felicidade: Reta Ação ? falou Sidharta, ao perceber que todos haviam chegado e se acomodado ? e podemos logo perceber que a Reta Ação é a conseqüência natural dos passos anteriores. Se pensarmos retamente, se falarmos retamente, jamais nos ocorrerá realizar nada que não seja bom e justo.

Aquele que quer penetrar na Senda que conduz à Vida, deve se distanciar de toda ação egoísta e nunca ser movido por interesse pessoal . Deve pensar tão só no que melhor convenha à felicidade de todos, sem privilégios ou distinções e, assim, terá inúmeras oportunidades de praticar o altruísmo.

Não devemos escolher a parte do trabalho que mais nos agradaria realizar; sim, desempenhar o melhor possível o que nos for designado.

- Qual será a posição daquele que não estiver sob a orientação de um Instrutor? ? perguntou Dayananda.

- Independente de um trabalho voltado para a coletividade , no nosso dia a dia devemos nos esforçar para realizar todas as tarefas que a vida nos cobra, do melhor modo possível; da ação mais rudimentar ao trabalho mais complexo, é nosso dever procurarmos sempre nos aproximar da perfeição ? esclareceu Sidharta.

- O mundo não pode entender alguém que não tenha ambições pessoais e até aqueles que nos são mais próximos cobram-nos benefícios materiais de nossas ações. Constituímos família e nosso dever é prover seu sustento e conforto. Precisamos dar atenção às necessidades materiais de nossos filhos e esposa. Isso implica em nos distanciarmos da Senda? ? inquieto, perguntou Parikshit que estava noivo e preparava-se para contrair casamento.

- Existem diversos níveis de responsabilidade, de acordo com a evolução de cada um. Uns encarnam com a missão de formar uma família e prover o seu sustento, alguns têm a responsabilidade de construir grandes empreendimentos que propiciem a muitos o meio de subsistência, outros têm missão de estudar a ciência da natureza e descobrir recursos que facilitem a vida ou minorem o sofrimento da humanidade. Outros mais adiantados se propõem renunciar ao mundo e a todos os seus atrativos para dedicarem suas vidas ao serviço a seus irmãos de humanidade. Esses já se encontram na Senda. Todos são caminhos válidos. O importante em qualquer nível é procurarmos sempre, a cada dia, nos aproximar mais da perfeição. Seja qual for a nossa responsabilidade no mundo, procuremos sempre ser verdadeiros, puros , corretos, amorosos, pacíficos. É importante jamais praticarmos a violência contra alguém, seja através de atos, de pensamentos ? traduzidos por ressentimentos, mágoas , inveja, má vontade, ou por meio de palavras , jamais sendo ríspidos, descorteses, agressivos .

- Estar na Senda, ou entrar nela, implica, então em renunciarmos às alegrias de constituir uma família, ter esposa, filhos? ? perguntou Parikshit.

- Não. Mas quem se propõe servir a humanidade, dedicando toda sua vida nesse mister, fica mais difícil fazê-lo tendo a responsabilidade de suprir as necessidades da família, porém sabemos que alguns que já se encontram no Caminho, ou seja na Senda, assumem também a responsabilidade de ter uma esposa e filhos ? respondeu Gautama.

- Só aos homens é oferecida a oportunidade de sair da roda das encarnações, isto é, entrar na Senda? ? perguntou Savitri.

- De forma alguma. Homens e mulheres recebem as mesmas oportunidades e , ainda afirmo, é mas fácil para o Espírito encontrar o Caminho quando encarnado como mulher, pois alcança um nível maior de renúncia e sensibilidade que este sexo favorece ? respondeu o Bhagavam.

Após estas palavras, Siddartha unindo as palmas das mãos na altura do peito, proferiu uma prece em favor da humanidade, suplicando ao Senhor da Vida que banhasse com sua Luz o coração dos Seus filhos na Terra.

Todos proferiram em uníssono o mantra Om. Um após outro, reverentemente, saudaram o Swami e se retiraram, deixando-O imerso em profundo Samadhi.


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