Conquistando SerenIdade    (Educação Gerontológica)
Crescimento, Evolução e Adaptação
por Liliane Bruno

Diz o dito popular que "a vida começa aos 40". Na verdade, eu ainda não cheguei lá... Porém, olhando à minha volta, percebo que seria muito injusto se a vida tivesse uma época certa para começar. Por outro lado, considero que estamos todos constantemente tendo a oportunidade de começar a viver, seja aos 40, 50, 60 ou muito além.

A vida sempre se renova. A cada dia, a cada amanhecer, a cada mudança que acontece em nossa rotina. Seja uma mudança relacionada a uma perda ou um ganho. Nesse sentido, aproveito a ocasião para refletir um pouco a respeito desse fato: queiramos ou não, gostemos ou não, as mudanças em nossas vidas são inevitáveis. E as conseqüências decorrentes destas novidades que se afiguram aos nossos olhos, por vezes já tão habituados ao cenário à nossa volta, podem ser vivenciadas de formas diferentes.

Ao abrirmos deliberadamente as portas para que o novo entre em nosso cotidiano, exercitamos o desapego de idéias pré-estabelecidas, acomodadas e empoeiradas. Permitimos que os conceitos que abraçamos por tempos imemoriais sejam desmontados, remexidos e renovados. Oferecemos a cada um de nós a chance de travarmos contato com a nossa velha capacidade de se deslumbrar, de abrir a mente para novas informações. É preciso coragem para realizar este feito: dar o primeiro passo e olhar a vida com olhos de criança.

Mas, se porventura as mudanças vierem através de ventos e tempestades, isto é, de situações inesperadas e/ou dolorosas, tudo fica mais complicado. Querendo ou não, temos que nos adaptar às novas cores do quadro que se apresenta à nossa frente, mesmo se a vida perdeu seu colorido natural e nosso olhar somente alcança os tons mais escuros. Mesmo em momentos assim, todo ser humano é capaz de superar-se e dar um novo sentido para sua existência. Todos somos dotados de um grande poder de transformação.

Se eventualmente não conseguirmos dispor de forças para realizar esta tarefa, seja pela dor ou pelo medo que sentimos, busquemos auxílio. Em horas difíceis, uma orientação espiritual, uma presença fraterna junto a nós ou o cuidado de um profissional de saúde podem ser caminhos para que possamos encontrar nosso ponto de equilíbrio e iniciarmos nossa trajetória rumo a uma nova realidade.

Algumas mudanças podem estar relacionadas à situações específicas de perda. Contudo, perdas fazem parte de um processo maior de crescimento, adaptação e evolução. No tocante ao envelhecimento humano, a adaptação às inevitáveis perdas é de fundamental importância. Adaptar-se à disponibilidade de tempo, devido à chegada da aposentadoria. Adaptar-se às limitações físicas causadas por enfermidades, crônicas ou não. Adaptar-se a uma nova vida sem a presença dos filhos e/ou cônjuge. O processo de ordenação dessa realidade nova, que provocou a ruptura com uma visão de mundo diante da qual tudo já era conhecido, é tão natural e possível quanto nos permitimos acreditar. A adaptação aos reveses da vida é a prova de que somos mais fortes e bravos do que pensamos. Somos capazes de recriar novos padrões de relacionamento com o mundo à nossa volta. Somos heróis de nossa própria história. Somos filhos muito amados de um Poder Superior de onde a vida emana e se manifesta, fazendo de cada dia uma nova oportunidade de recomeçar.


Perguntas Respondidas
Assunto: Crescimento, evolução e adaptação Data : 19/07/2007
Pergunta:

A vida se renova juntamente com nossas aspirações e experiencias. Parece-me, muitas vezes, dois trens caminhando em sentido único com velocidades distintas. Será mesmo possível 'recriar padrões' efetivos para acompanhar as mudanças ocorridas em nossa volta?

Resposta:

Primeiramente, gostaria de agradecer ao leitor por ter prestigiado a coluna. Em segundo lugar, agradeço pelo envio da pergunta.

É a primeira oportunidade que tenho de interagir com alguém que leu algo escrito por mim, e isso sem dúvida é muito bom e instigante.

Quanto à sua dúvida, o que posso dizer é que ao afirmar que "somos capazes de recriar novos padrões de relacionamento com o mundo à nossa volta", eu estava me referindo à capacidade que temos de construir novas formas de nos relacionarmos com a realidade que nos cerca, mesmo diante das mudanças trazidas por situações difíceis e dolorosas.

Nossa vida não pára nunca. Mesmo quando estagnamos diante do impacto

causado por uma mudança súbita, o mundo à nossa volta continua girando e se modificando. Se perdemos o ritmo da vida, em algum instante seremos lançados na roda-viva novamente, tendo uma nova chance de recomeçar.

Não podemos mudar o que passou, mas podemos mudar nossa visão a respeito do fato, reestruturando nosso entendimento diante da mudança e tirando a melhor lição que essa experiência possa nos trazer.

Espero ter respondido ao questionamento do amigo leitor, e estarei disponível para outras indagações, se ele assim o desejar.

Agradeço mais uma vez por esta oportunidade.


Assunto: URGENCIA Data : 12/09/2007
Pergunta:

OLÁ,MINHA AMIGA MORREU ONTEM AS 16 HORAS EU QUERIA MUITO SABER,PRA ONDE ELES VAM QUANDO ENCIGUIDA QUE ELES MORREM ELA MORREU RAPIDO TINHA UM CANCER NAO CINTIU DOR,GOSTARIA MUITO DE SABER O QUE ACONTECE TODOS OS PASSOS NO MOMENTO EM QUE ELA MORRE,POR FAZOR ME FALA,OBRIGADO.

Resposta:

Lamento por sua amiga e reconheço que, mesmo quando temos uma orientação

religiosa e um esclarecimento sobre o que acontece depois que a vida física

termina, ainda assim sentimos uma enorme e crescente saudade de todos os que

já não estão convivendo conosco.

É natural sentirmos saudade e nos depararmos com aquela pergunta: e

agora, o que vai acontecer com quem passou para o outro lado???

A coluna Conquistando SerenIdade não é o espaço ideal para você, Marcia,

esclarecer as suas dúvidas. Existem outros espaços de discussão no site do

Grupo PAS onde você poderá obter uma orientação que possa acalentar suas

angústias. Entretanto, o que posso te afirmar é que existe um Poder Superior

a todos nós plenamente capaz de sustentar nossos passos, em quaisquer

caminhos que tenhamos para seguir. Os dias que se seguem após uma perda são

oportunidades para que possamos buscar as respostas às nossas dúvidas mais

pessoais, a respeito da vida ou da morte.

Não tenha medo de perguntar, e não desanime diante das respostas que

recebe. Esteja sempre receptiva ao aprendizado, pois assim o seu coração

ficará mais calmo e a sua mente funcionará de modo mais claro e organizado.

Muita paz e muita força para você!