Compartilhando    (Manvantara)
Reflexão 8
por Ilda Castro

A andar pela vida,
vagando meio perdida,
sem ter certeza do caminho,
sentindo - como se possível fosse -
o espírito sozinho,
senti repentinamente uma voz
a banhar-me em ondas de ternura.
Voz alegre, moleca. Voz firme, segura
a cantar as cores, o amor, a cura.
Apesar de olhos, às vezes, tristonhos,
a falarem em solidão,
a voz continua serena
cantando os mundos e o Pai;
encaminhando cada coração
à paragem verde, calma, amena.
Voz suave - que nunca ironiza -
a ensinar que vício é tudo o que escraviza
e virtude, tudo o que liberta.
Voz cantante, sedutora, aberta,
envolvendo a todos com o que a permeia.
Voz amiga, suave, doce, de amor.
Voz de sereia.

Amigos, o ano passou...
Que rapidez!...
O tempo abocanha a vida com avidez,
não dando ao homem oportunidade
de questionar o que fez - ou não fez.
O tempo - guloso, apressado -
nos arremessa sempre para a frente,
mas existe a necessidade
de pararmos, mesmo rapidamente,
para repassarmos o que ocorreu
com nosso coração, com nossa mente.
Chego à seguinte conclusão:
tudo valeu, tudo foi bom...
Não importa momento ou instante,
o aprendizado - com certeza - aconteceu.
Mas agora... agora é Natal!
Meu coração é envolto em magia
e criança, emocionado,
festeja o Cristo em Alegria.
Entrega-se sem reserva, sem receio,
ao seu carinho, ao seu abraço.
Depois de tal entrega - encantado -
descobre-se, do Cristo, grávido.
Há uma semente em seu âmago,
profunda e firmemente plantada.
Agora, não há mais jeito -
nunca mais será arrancada.
Antes de germinar, se mostrar,
lança suas raízes em várias direções -
até começar a brotar.

Primeiro timidamente,
depois, forte e robusta
mostra-se impudentemente
a todos os que se acercam.
Do parto, é o momento.
O coração, de luz um fragmento,
lança seu brilho para o mundo.
Meu Deus!
O Cristo nasceu uma vez mais.
E esse coração tornou-se fonte de Luz. Fonte de Amor e de Paz.
É Natal - uma vez mais...

Quando perdida
tu te achares...
Não pares!
Caminha pela vida
para logo te encontrares,
consciente de que és - plenamente - compreendida.
Sentindo-te cansada,
desestimulada, desamparada...
Não pares!
Caminha pelo teu caminho
para sentires o Amor, o ser amada.
Não a terrível sensação
de ter sido lesada, roubada -
de ter esvaziado o coração.
Se, magoada de modo profundo,
te sentires desprotegida...
Não pares!
Caminha rumo ao Pai
pois, unida a Ele, encontrarás a Vida.
Não pares nunca!
Caminha mesmo obscurecida
pela tristeza e incerteza
pois, ao trilhar a tua estrada,
nunca serás sozinha.
Vindo de onde os amigos vêm,
estarás sempre amparada,
a cruzar com alguém
que despertará tua fortaleza, tua Certeza.
Certeza de que o caminho certo
nem sempre é o mais fácil,

o que está mais perto -
mas aquele pelo qual vais
- sofrendo, duvidando, aprendendo,
questionando e crendo -
pois te leva de forma direta ao Pai.


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