Páginas de Luz    (Mestres da Humanidade)
Moisés
por Narcí Castro de Souza

"O mais difícil e o mais obscuro entre os livros sagrados, o Gênese, contém tantos segredos quantas palavras e cada uma destas encerra muitos daqueles."
(São Jerônimo)

No livro bíblico Êxodo II, 1 a 1O, diz-se que Moisés era judeu da tribo de Levi e que foi encontrado com três meses em uma cesta, à margem do Rio Nilo, pela princesa filha do Faraó e irmã de Ramsés II.

O nome egípcio de Moisés era Hosarsife.

ingressou num templo egípcio e recebeu a iniciação de Ísis.

Era um homem íntegro, inflexível, forte.

Ramsés II inquietava-se com o interesse intenso de seu sobrinho sobre os mistérios da ciência e as afirmações que fazia sobre a certeza de que poderia se comunicar com o próprio Osíris, suprema divindade egípcia, e dele obter todas as respostas.

Ramsés desconfiava que Hosarsife desejava usurpar o trono de Meneftá, seu filho. Por isso, ordenou que Hosarsife exercesse a função de escriba, no templo de Osíris. Essa função, que compreendia a cosmografia e a astronomia, embora importante, o afastava do trono.

Durante esse mandato foi destinado a executar uma inspeção no Delta. Aí, os hebreus estavam submetidos a rudes trabalhos. Embora também egípcios fossem recrutados para a construção de fortalezas, desde Pelusim até Heliópolis, eram os hebreus que faziam os serviços mais pesados. E, ante as ordens e pauladas dos soldados egípcios, o povo hebreu não se submetia facilmente, resistia à servidão e protestava contra as injustiças.

O sacerdote de Osíris, Hosarsife, não tardou a sentir simpatia e admiração por esse povo que adorava um Deus único. E certo dia, ao ver um soldado egípcio espancar um hebreu indefeso, toma sua arma e mata-o.

Os sacerdotes de Osíris que cometiam assassinato eram julgados com extrema severidade pelo colégio sacerdotal.

Consciente disso, Hosarsife impôs-se a si mesmo a expiação de seu crime, exilando-se na solidão do deserto.

No país de Madiã, além do mar Vermelho, erguia-se um templo que não estava vinculado ao sacerdócio egípcio.

Esse país encontrava-se protegido das invasões por uma posição privilegiada pela natureza:

Entre o mar Vermelho e o deserto era protegido por um maciço vulcânico.

O templo de Madiã fora consagrado a Osíris, mas também rendia culto ao Deus soberano, sob o nome de Eloím. A origem desse templo era etíope e, por isso, servia de centro religioso dos árabes, dos semitas e dos homens de raça negra que ali procuravam a iniciação.
Jetro era o nome do sumo sacerdote desse templo, homem sábio e protetor dos homens do deserto: líbios, árabes, semitas nômades.

Hosarsife pediu-lhe asilo em nome de Osíris e foi por ele recebido de braços abertos.

Foi submetido, ali, às expiações impostas pelos iniciados aos assassinos:

Essas expiações consistiam em um demorado jejum e ingestão de chás que provocavam um estado cataléptico. Nesse estado foi colocado em um sepulcro onde passou por algum tempo inconsciente do mundo físico, mas lúcido espiritualmente. No mundo astral procurou sua vítima, pedindo-lhe perdão, auxiliou-o a alçar-se a planos mais elevados e, somente então, pôde retornar ao veículo físico, livre do débito contraído.

Nem todos, porém, conseguiam voltar. Muitos, quando iam ser despertados pelos sacerdotes de sua letargia, eram encontrados mortos.

Honsarsife, ao retornar, era outro homem, desligado de seu passado. O Egito deixara de ser sua pátria. Contemplando a imensidão do deserto, sentiu em seu íntimo a necessidade de unir todas aquelas tribos nômades em um só rebanho.

Combateria pela divulgação de que um só Deus deveria ser reverenciado e a idolatria e a anarquia deveriam ser erradicadas do coração daqueles homens, que formariam um só povo.

Uma nova Era surgia para Hosarsife que, a partir dessa deliberação, adotou o nome de Moisés, que significa O Salvo.

Lendo o Velho Testamento não podemos aceitar apenas o que a letra traduz, pois, em cada passagem, existem três níveis de interpretação: um próprio, um figurado, um transcendente. Essa era a forma em que os sacerdotes do Egito utilizavam a expressão do pensamento.

"Devido a sua educação egípcia, Moisés redigiu o Gênese em hieróglifos, dando explicação oral a seus sucessores. No tempo de Salomão, a Bíblia foi traduzida em caracteres fenícios. Depois do cativeiro da Babilônia, Esdras escreveu-a em caracteres aramaicos caldaicos, e os sacerdotes judeus utilizavam-se mal das chaves. Afinal, vindo os tradutores gregos, estes tinham apenas uma pálida idéia do sentido esotérico dos textos. São Jerônimo foi um grande espírito, animado de sérias intuições. Mas, ao fazer sua tradução latina, não pode alcançar o significado primitivo. Mesmo que o tivesse alcançado, seria forçado ao silêncio."

"Filho do passado, cheio do futuro, este livro (os dez primeiros capítulos do Gênese), herdeiro de toda a ciência dos egípcios, contém ainda os germes das ciências futuras. O que a natureza possui de mais profundo e misterioso, o que o espírito pode conceber de maravilhoso, o que há de mais sublime da inteligência, tudo ele contém."


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