Conquistando SerenIdade    (Educação Gerontológica)
Auto-estima e Algo Mais
por Liliane Bruno

Estive refletindo, dia desses, e percebi algo que chamou minha atenção: o número de vezes em que o termo auto-estima aparece quando o assunto em pauta é a pessoa idosa. Seja em publicações acadêmicas ou em revistas de entretenimento, são muitas as situações nas quais se estabelece uma relação entre velhice e sociedade, onde fica evidenciada a busca de maneiras de elevar ou melhorar a auto-estima dos anciãos.

Bailes, bingos, aulas de ginástica, confecção de artesanato, enfim, surgem como oportunidades de a pessoa idosa manter-se em evidência no contexto social, estabelecer novas amizades e produzir algo concreto. Tudo isso contribui para a elevação da auto-estima, certamente, uma vez que manter-se independente, ativo e produtivo pode representar um caminho rumo ao chamado envelhecimento bem-sucedido.

De acordo com o citado paradigma, mais do que acrescentar anos à vida, deve-se almejar o acréscimo de vida aos anos que se tem. Nesse sentido, vale a pena lançar uma pergunta no ar: o que mais pode ser feito para melhorar a auto-estima de nossos velhos?

No contexto da coluna “Conquistando SerenIdade”, pode-se incluir como estratégia em prol do aumento da auto-estima a aquisição de novas informações sobre os impactos da velhice. A Educação Gerontológica, ao permitir a construção de espaços de troca e circulação de conhecimentos sobre o processo de envelhecimento, contribui positivamente para a auto-estima da pessoa idosa possibilitando-lhe obter uma compreensão mais ampliada a respeito das mudanças no corpo e na mente. A apreensão destas informações tende a facilitar a adaptação, sendo esta necessária para que o passar dos anos não seja penoso e entristecedor.

Mais especificamente falando sobre o processo de envelhecimento da mente e sua relação com a auto-estima do idoso, supõe-se que os bailes, as aulas de ginástica, artesanato e etc. sejam boas alternativas para preencher as horas e esvaziar a cabeça.

Relaxar a mente e afrouxar os “nós” entre os neurônios é importante, sem dúvida, porém, há que se estimular atividades que conduzam o ser que se encontra na idade avançada a momentos de reflexão e auto-conhecimento que possam fazê-lo descobrir-se enquanto pessoa singular no mundo.

Seja através de atividades em grupo ou individuais, como uma leitura dirigida e edificante, pode-se realizar um outro tipo de trabalho mental, ou seja: atividades que levem o idoso a atualizar e organizar suas memórias podem permitir a descoberta de valores e sentidos para a vida atual, e também podem elevar a auto-estima. Assim sendo, a título de sugestão, revirar o baú de recordações pode significar um excelente exercício para a família toda, e não apenas para o idoso.

Uma atitude criteriosa e que permita valorizar as boas experiências vividas, dando-lhes vida e cor, pode fazer a diferença e realçar a beleza dos caminhos já trilhados. E não há auto-estima que não fique nas alturas quando alguém se mostra ao mundo, e aos seus, em sua plenitude: um ser único e especial, criado para viver e ser feliz.

Somos todos plenos e belos em essência, velhos ou moços. Acreditar nessa verdade e afirmá-la internamente é tarefa diária frente às adversidades da vida, e é a melhor maneira de mantermos nossa auto-estima elevada, independentemente das situações de alegria ou dor, atuais ou já vivenciadas.


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