A Arte e o Espírito    (O Julgamento)
26ª Parte - Maria no Tribunal
por Jorge Queiroz

 

CENA 42 ACENDE-SE A LUZ NO TRIBUNAL. A ADVOGADA CONTINUA A INQUIRIR MARIA (MÃE DA MENINA)
MARIA ...No princípio, meu marido e seu Paulo pareciam se entender muito bem. Seu Paulo estava tomado por uma fúria desenfreada para alcançar o poder. Queria porque queria se eleger deputado estadual trocava uma graça por um voto e com isso aumentavam as chances do meu marido e do seu partido. De repente, tudo mudou. Parecia que seu Paulo havia perdido o dom da cura, o povo começou a se afastar dele. Acusavam-no de impostor, charlatão. Meu marido rapidamente mudou de lado, passou também a hostilizar seu Paulo; afinal, ele precisava estar bem com o povo.
ADVOGADA E então, o que aconteceu?
MARIA Minha filha Mariângela, teve outra crise e eu, cheia de fé, fui procurar seu Paulo. Ele estava só, completamente abandonado por todos, nem parecia aquele homem que, à bem pouco tempo gritava, xingava e exigia uma obediência cega. Estava humilde e cheio de medo, não tinha mais fé em nada e achava que nunca mais poderia curar alguém. Mas o meu desespero era tão grande, que ele, por pena resolveu atender minha filha.(pausa longa, abre um sorriso) De imediato, Mariângela reagiu. Tanto seu Paulo quanto minha filha, estavam curados.
Logo, logo, todos souberam que o santo voltara a fazer milagres. Todo o povo retornou a peregrinar na sua porta. Mas ele havia mudado, estava humilde, solícito, compreensivo, era novamente o seu Paulo do passado, só que agora com mais dor, com mais sofrimento no coração. Com a volta do povo, voltaram também os políticos e com eles, meu marido. Foi então que eles se desentenderam de vez!


Perguntas Respondidas