Em Busca da Verdade    (Karma)
Karma - Parte 2 - Explorando o Karma
por Gustavo Martins

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6. A Programação Cármica

"As pessoas não são o que pensam.
Elas pensam que são e isso lhes traz todo tipo de tristeza.

Não sou o que penso?

É claro que não.
A mente é um órgão de reflexão. Reage a tudo.
Enche sua cabeça com milhões
de pensamentos aleatórios por dia.
Nenhum desses pensamentos
revela mais sobre você... do que uma sarda
na ponta do nariz.



do filme Poder Além da Vida – Peaceful Warrior

 

Existem dois conceitos que devem ser explorados antes de falarmos sobre Karma:

1 - Todos temos um ou mais objetivos na atual encarnação, ele pode ser simples ou complexo, curto ou longo, pessoal ou a serviço do próximo.

2 – Existe um planejamento bem definido para nossa vida, ele é flexível, variável e não está vinculado a datas exatas, mas segue uma linha base, definindo fases que passaremos e seus respectivos objetivos.

O Destino existe em linhas gerais, mas não como as pessoas o interpretam, existem objetivos que "devem" ser alcançados e um plano de atividades, mas a sua execução e conseqüências não são previstos, tudo pode acontecer.

Para melhor entendimento podemos imaginar que existem "tendências" para nossa atual encarnação e podemos alcançar ou não os objetivos para os quais nos programamos antes da atual encarnação.

Você deve estar se perguntando... Como saber meus objetivos se não lembro de coisa alguma?? Sim, a situação é delicada, porém não é impossível. Existe uma voz no seu interior que ecoa longe e lhe fala sobre coisas que você deve fazer, algumas situações o estimulam a refletir e alguma coisa fala ao seu coração que você deve mudar, realizando ações benéficas para o seu crescimento espiritual.

Pare e pense nas oportunidades que bateram a sua porta e você virou as costas. Alcançar a sintonia com sua intuição faz parte do aprimoramento espiritual.

Existe uma idéia errada de que aqueles que não alcançarem os objetivos espirituais programados serão castigados, não é bem assim que funciona. Quando o espírito volta ao mundo espiritual sofre uma grande decepção e o real castigo é ter que voltar e repetir a lição não aprendida.

O castigo é não habitar o mundos mais evoluídos, onde existem somente espíritos bons e evoluídos, o Pai não é um carrasco com chicote e sim o mais sábio de todos os educadores.
Também é importante entender que NINGUÉM PASSA POR AQUILO QUE NÃO PRECISA, um homem não será atropelado se não existir "tendência" para isso acontecer, você não terá uma doença séria se essa possibilidade não existir, nada acontece por acaso, algumas coisas realmente poderiam se evitadas através da prudência, mas sempre existe a tendência.

No livro Libertação o instrutor espiritual confirma o que informamos:

Ninguém sofre sem necessidade à frente da Justiça Celeste e tão
grande harmonia rege o Universo que os nossos próprios males se
transubstanciam em bênçãos.

Libertação – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

Concluindo, a programação cármica existe, mas pode ser atenuada ou agravada a cada minuto de sua vida, através de pensamentos, ações e controle das emoções, mas, isso não isenta os espíritos das dificuldades.

O desconhecimento da Lei do Karma e da finalidade da Justiça Divina fazem com que protestemos sobre as dificuldades da vida, alguns falam que não erram, outros dizem que só fazem o bem, o que não falta no mundo são argumentos.

O mais interessante é que em muitos casos agravamos nossos compromissos por escolhas erradas e condutas impróprias.

Paremos então de cogitar, reclamar e protestar para refletir, porque somente modificando o interior é possível atenuar ou até anular o peso da justiça divina.

Existe um exemplo perfeito de débito espiritual agravado no livro Ação e Reação:

Temos aqui asfixiante problema de conta agravada.
E designando a jovem mãe, agora extenuada, continuou:
- Marina veio de nossa Mansão para auxiliar a Jorge e Zilda, dos quais se fizera devedora. No século passado, interpôs-se entre os dois, quando recém-casados, impelindo-os a deploráveis leviandades que lhes valeram angustiosa demência no Plano Espiritual. Depois de longos padecimentos e desajustes, permitiu o Senhor que muitos amigos intercedessem, junto aos Poderes Superiores, para que se lhes recompusesse o destino, e os três renasceram no mesmo quadro social, para o trabalho regenerativo.
Marina, a primogênita do lar de nossa irmã Luisa, recebeu a incumbência de tutelar a irmãzinha menor, que assim se desenvolveu ao calor de seu fraternal carinho, mas, quando moças feitas, há alguns anos, eis que, segundo o programa de serviço traçado antes da reencarnação, a jovem Zilda reencontra Jorge e reatam, instintivamente, os elos afetivos do pretérito. Amam-se com fervor e confiam-se ao noivado. Marina, porém, longe de corresponder às promessas esposadas no Mundo Maior, pelas quais lhe cabia amar o mesmo homem, no silêncio da renúncia construtiva, amparando a irmãzinha, outrora repudiada esposa, nas lutas purificadoras que a atualidade lhe ofertaria, passou a maquinar projetos inconfessáveis, tomada de intensa paixão. Completamente cega e surda aos avisos da sua consciência, começou a envolver o noivo da irmã em larga teia de seduções e, atraindo para o seu escuso objetivo o apoio de entidades caprichosas e enfermiças, por intermédio de doentios desejos, passou a hipnotizar o moço, espontaneamente, com o auxílio dos vampiros desencarnados, cuja companhia aliciara sem perceber... E Jorge, inconscientemente dominado, transferiu-se do amor por Zilda à simpatia por Marina, observando que a nova afetividade lhe crescia assustadoramente no íntimo, sem que ele mesmo pudesse controlar-lhe a expansão... Decorridos breves meses, dedicavam-se ambos a encontros ocultos, nos quais se comprometeram um com o outro na maior intimidade... Zilda notou a modificação do rapaz, mas procurava desculpar-lhe a indiferença à conta de cansaço no trabalho e dificuldades na vida familiar. Todavia, em faltando apenas duas semanas para a realização do consórcio, surpreende-se a pobrezinha com a inesperada e aflitiva confissão... Jorge expõe-lhe a chaga que lhe excrucia o mundo interior... Não lhe nega admiração e carinho, mas desde muito reconhece que somente Marina deve ser-lhe a companheira no lar. A noiva preterida sufoca o pavoroso desapontamento que a subjuga e, aparentemente, não se revolta. Mas, introvertida e desesperada, consegue na mesma noite do entendimento a dose de formicida com que põe termo à existência física.
Alucinada de dor, Zilda desencarnada foi recolhida por nossa irmã Luísa, que já se achava antes dela em nosso mundo, admitida na Mansão pelos méritos maternais. A genitora desditosa rogou o amparo de nossos Maiores. Na posição de mãe, apiedava-se de ambas as jovens, de vez que a filha traidora, aos seus olhos, era mais infeliz que a filha escarnecida, embora esta última houvesse adquirido o grave débito dos suicidas, em seu caso atenuado pela alienação mental em que a moça se vira, sentenciada sem razão a inqualificável abandono... Examinado o assunto, carinhosamente, pelo Ministro Sânzio, que conhecemos pessoalmente, determinou ele que Marina fosse considerada devedora em conta agravada por ela mesma. E, logo após a decisão, providenciou a fim de que Zilda fosse recambiada ao lar para receber aí os cuidados merecidos. Marina falhara na prova de renúncia em favor da irmã que lhe era credora generosa, mas condenara-se ao sacrifício pela mesma irmãzinha, agora imposta pelo aresto da Lei ao seu convívio, na situação de filha terrivelmente sofredora e imensamente amada. Foi assim que Jorge e Marina, livres, casaram-se, recolhendo da Terra a comunhão afetiva pela qual suspiravam; entretanto, dois anos após o enlace, receberam Zilda em rendado berço, como filhinha estremecida. Mas... desde os primeiros meses do rebento adorado, identificaram-lhe a dolorosa prova. Zilda, hoje chamada Nilda, nasceu surda-muda e mentalmente retardada, em conseqüência do trauma perispirítico experimentado na morte por envenenamento voluntário. Inconsciente e atormentada nos refolhos do ser pelas recordações asfixiantes do passado recente, chora quase que dia e noite... Quanto mais sofre, porém, mais ampla ternura recolhe dos pais que a amam com extremados desvelos de compaixão e carinho... A vida corria-lhes regularmente, não obstante atribulada pelas provas naturais do roteiro, quando, há meses, Jorge foi apartado para o leprosário, onde se encontra em tratamento. Desde então, entre o esposo doente e a filhinha infeliz, Marina, em seu débito agravado, padece o abatimento em que a encontramos, martelada igualmente pela tentação do suicídio.

Ação e Reação – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

Um outro exemplo, mas desta vez de débito atenuado, pode ser encontrado no mesmo livro:

- Em meados do século precedente, Adelino era filho bastardo de um jovem muito rico que o recebeu das mãos da genitora escrava, que desencarnou ao trazê-lo à
luz. Martim Gaspar, o moço afazendado que lhe foi o pai solteiro, era homem de coração enrijecido, muito cedo acostumado ao orgulho tiranizante, em face da incúria do lar em que nascera. Abusava das donzelas cativas a seu talante e, em muitas ocasiões, vendeu-as com os próprios filhos recém-natos para lhes não ouvir os choros e petitórios. Temido na casa grande da qual se fizera absoluto senhor, por morte do velho pai, que, em vão, buscara tardiamente controlar-lhe os instintos, sabia usar o tronco e o chicote, sem qualquer compaixão. Era execrado pela maioria dos servos e bajulado de quantos lhe obtinham os favores, a troco de lisonja servil. Entretanto, para o filho Martim - o mesmo Adelino de agora -, a sua ternura e dedicação não mostravam limites. Inexplicavelmente para ele mesmo, amava-o com desvelado enternecimento, a ponto de providenciar-lhe educação esmerada na própria fazenda. Entre pai e filho estabeleceram-se, dessa forma, os mais santos laços afetivos. Eram companheiros inseparáveis nos jogos e nos estudos, no serviço e na caça. Foi assim que Gaspar, não obstante cruel para com os outros rebentos da própria carne, nas senzalas sofredoras, não hesitou em legitimá-lo como filho, perante as autoridades do tempo, tornando-o partícipe de seu nome e de sua herança. Pai e filho contavam, respectivamente, quarenta e três e vinte e um anos de idade, quando Gaspar, embora solteirão amadurecido, resolveu casar-se, em grande metrópole, desposando Maria Emília, leviana jovem de vinte primaveras que, trazida à grande casa rural, desenvolveu sobre o enteado estranha fascinação. Martim, extremamente amado pelo genitor, atraído agora para os encantos femininos da madrasta, passou a experimentar torturantes conflitos sentimentais. Ele, que se julgava o melhor amigo de Gaspar, entrou a detestá-lo. Não lhe tolerava a posse sobre a mulher que desejava, sabendo-se por ela ardentemente querido, porquanto Maria Emília, pretextando essa ou aquela necessidade, sabia isolá-lo em viagens diversas, nas quais lhe exacerbava a afeição juvenil. Ambos souberam furtar-se a qualquer desconfiança e, totalmente entregue à paixão que o requestava, o jovem Martim, desprevenido, planejou o medonho parricídio em que se enliçou, desventurado.
Sabendo o genitor acamado, em tratamento do fígado enfermo, tomou a cooperação de dois capatazes da sua inteira confiança, Antônio e Lucidio, igualmente verdugos de meninas cativas, e, certa noite, administrou-lhe uma poção entorpecente, com aprovação da madrasta... Tão logo se pôs o doente a dormir, coadjuvado pelos dois cúmplices que odiavam o patrão, espalhou substâncias resinosas no leito paterno, simulando, logo após, o incêndio no qual o mísero Gaspar, em horríveis padecimentos, se ausentou do corpo. Conduzido o pai ao sepulcro e apoderando-se-lhe dos haveres, tentou a felicidade ao pé de Maria Emília; todavia, o genitor desencarnado, a inflamar-se em cólera, envolveu-o em nuvens de fluidos inflamados, contra os quais o infeliz não possuía defesa... Apegando-se ao afeto da companheira, Martim procurou anestesiar a consciência e esquecer... esquecer... Confiou a fazenda aos cuidados de ambos os cúmplices do tenebroso delito e, arrimando-se à companhia da mulher, demandou à Europa, em busca de repouso e distração. Tudo, porém, debalde... Ao fim de cinco anos de resistência, tombou integralmente vencido, sob o jugo do Espírito paternal que o cercava, incessantemente, apesar de invisível. Abriu-se-lhe a pele em chaga, como se chamas ocultas o requeimassem. Circunscrito ao leito de dor e constantemente empolgado pelo remorso, recapitulava mentalmente a morte do genitor, em urros de martírio selvagem... Não sabia, desse modo, senão chorar, gritando a esmo o arrependimento de que se via possuído, no que foi interpretado à conta de louco pela própria companheira, que se dava pressa em reconhecer-lhe a suposta alienação mental, de modo a inocentar-se perante os amigos e servidores. Foi algemado a semelhante suplício que Martim recebeu escárnio e abandono, dentro do próprio círculo doméstico, vindo a expirar em tremenda flagelação. Martim Gaspar, o genitor assassinado, aguardou-o no túmulo, arrastando-o para as sombras infernais, onde passou a exercer pavorosa vingança... O desditoso filho desencarnado sofreu terríveis humilhações e indescritíveis tormentos, durante onze anos sucessivos, em cárceres de treva, até que, amparado por Mensageiros de Jesus, que lhe promoveram o resgate, ingressou em nosso instituto, ao que fui informado, em lamentável situação.
Tendo entrado em sintonia com o genitor, sequioso de vindita, através das brechas mentais do remorso e do arrependimento tardio, foi hipnotizado por gênios perversos, que o fizeram sentir-se dominado de chamas torturantes. Fixada a imaginação dele em semelhante quadro de angústia, o próprio Martim nutria com o pensamento culposo as labaredas em que se torturava sem consumir-se, até que foi convenientemente aliviado e socorrido por nossos instrutores, através de recursos magnéticos que lhe sanaram o doloroso desequilíbrio. Devotou-se, então, depois de melhorado, aos serviços mais duros de nossa organização, conquistando com o tempo apreciáveis lauréis que lhe valeram a volta à esfera humana, com o direito de iniciar o pagamento da larga dívida em que se onerou, desavisado. Cultuando a prece com a renovação do mundo íntimo, renasceu de espírito inclinado à fé religiosa, ardente e operante, encontrando no Espiritismo com Jesus, ao influxo dos amigos desencarnados que o assistem, precioso campo de fortalecimento moral e trabalho digno, no qual tem sabido estender, com louvável aproveitamento das horas, o seu raio de ação no estudo edificante e na caridade pura, atraindo em seu favor as mais amplas simpatias, por parte de irmãos encarnados e desencarnados, que lhe devem generosidade e carinho.
Atirado a imensas dificuldades materiais, desde cedo cresceu órfão de pai, de vez que não valorizou no passado a ternura paterna, lutando com extrema pobreza e com enfermidade constante...
Custodiado, porém, por benfeitores da nossa Mansão, foi conduzido a um templo espírita, ainda muito jovem, onde, submetido a tratamento da epiderme esfogueada, entrou no conhecimento de nossa Renovadora Doutrina... A leitura dos princípios espíritas, ao sol do Evangelho do Senhor, constituiu para ele recordações naturais dos ensinamentos assimilados em nossa casa, antes da reencarnação. Desde aí, aceitou nobremente a responsabilidade de viver e buscou, acima de tudo, aplicar a si próprio as diretrizes regeneradoras da fé que abraça.
Disciplinou-se. Rendeu sincero preito às suas obrigações e, não obstante os entraves orgânicos, muito moço se dedicou às representações comerciais, de cujos labores retira os abençoados recursos que sabe repartir com necessitados numerosos, reservando para si tão-somente o indispensável. Não é um rico da Terra, na acepção do conceito, mas um trabalhador da fraternidade que sabe dar o próprio coração naquilo que distribui.
Trilhando o caminho da simplicidade e da renúncia edificante, modificou as impressões de muitos dos companheiros de outro tempo, que, nas baixas camadas da sombra, se lhe haviam transformado em perseguidores e desafetos, obsessores esses que, em lhe observando os exemplos novos, se sentiam moralmente desarmados para os conflitos que se propunham manter. É assim que não deixa de ressarcir as suas culpas, sofrendo-lhes o gravame em si mesmo.
Entretanto, pelos valores que entesoura, devotado ao bem alheio, resgata o pretérito com o alívio possível, ganhando tempo e adquirindo novas bênçãos. Ajudando aos outros, desbasta, dia a dia, o montante dos seus débitos, de vez que a Misericórdia do Pai Celestial permite que os nossos credores atenuem o rigor da cobrança, sempre que nos vejam oferecendo ao próximo necessitado aquilo que lhes devemos...
Silas confiou-se a pausa breve, mas Hilário, tanto quanto eu fascinado por sua exposição clara e sensata, rogou, sedento de ensino:
- Continue, Assistente. Esta lição viva ilumina-nos de esperança... Como se explica estar Adelino ganhando tempo?
Nosso amigo sorriu e acrescentou:
- Correia, que não merecia a ventura do lar tranqüilo por haver arruinado o lar paterno, casou-se e padeceu o abandono da companheira que lhe não entendeu o coração.
Avançando para a terna Marisa que dormia, acentuou:
- Assim, pela vida útil a que se consagra e pela caridade incessante que passou a exercer, atraiu para junto de si, como filha da sua carne, a antiga madrasta que desviou dos braços paternais, hoje reencarnada junto dele para reeducar-se ao calor de seus exemplos nobres, guardando a dor de saber-se filha de pobre mulher que renegou o tálamo conjugal, tanto quanto ela mesma o menosprezou no passado recente. Mas... não é apenas essa a vantagem de Adelino...
Silas pousou levemente a destra nos pequenos que ressonavam e prosseguiu:
- Dedicando-se de alma e corpo à sua renovação com o Cristo, nosso amigo recolheu como filhos adotivos os dois cúmplices do parricídio tremendo, os antigos capatazes Antônio e Lucídio, que, abusando de humildes donzelas escravizadas, de quem furtavam os filhinhos para exterminar ou vender, não encontraram senão o alcoice por berço, vindo para o círculo afetivo do companheiro de outro tempo, no sangue africano que tanto enxovalharam, de modo a lhe receberem o amparo moral à reforma precisa.
Enquanto nos edificávamos com o precioso ensinamento, Silas observou:
- Como é fácil de reconhecer, nosso irmão, através da responsabilidade espírita cristã, corretamente sentida e vivida, conquistou a felicidade de reencontrar os laços do pretérito criminoso para o necessário reajuste, ao passo que, se houvesse desertado da luta pela irreflexão da companheira ou se tivesse cerrado a porta do coração a dois meninos infelizes, teria adiado para futuros séculos o nobre trabalho que está fazendo agora...

Ação e Reação – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

Os dois últimos trechos, retirados do livro Ação e Reação, mostram exemplos das conseqüências amargas que erros do passado podem acarretar, informando também que podemos atenuar os débitos ou agravá-los. Para entender um pouco mais sobre essas "marcas" cármicas que trazemos, retirei o trecho abaixo do mesmo livro.

Generoso amigo, poderíamos ouvi-lo, de alguma sorte, quanto aos sinais cármicos que trazemos em nós mesmos?
Sânzio refletiu alguns momentos e ponderou:
- É muito difícil penetrar o sentido das Leis Divinas, com os recursos limitados da palavra humana. Ainda assim, iniciemos o tentame, recorrendo a imagens tão simples quanto seja possível. Apesar da impropriedade, comparemos a esfera humana ao reino vegetal. Cada planta produz na época própria, segundo a espécie a que se ajusta, e cada alma estabelece para si mesma as circunstâncias felizes ou infelizes em que se encontra, conforme as ações que pratica, através de seus sentimentos, idéias e decisões na peregrinação evolutiva. A planta, de começo, jaz encerrada no embrião, e o destino, ao princípio de cada nova existência, está guardado na mente. Com o tempo, a planta germina, desenvolve-se, floresce e frutifica e, também com o tempo, a alma desabrocha ao sol da eternidade, cresce em conhecimento e virtude, floresce em beleza e entendimento e frutifica em amor e sabedoria. A planta, porém, é uma crisálida de consciência, que dorme largos milênios, rigidamente presa aos princípios da genética vulgar que lhe impõe os caracteres dos antepassados, e a alma humana é uma consciência formada, retratando em si as leis que governam a vida e, por isso, já dispõe, até certo ponto, de faculdades com que influir na genética, modificando-lhe a estrutura, porque a consciência responsável herda sempre de si mesma, ajustada às consciências que lhe são afins. Nossa mente guarda consigo, em germe, os acontecimentos agradáveis ou desagradáveis que a surpreenderão amanhã, assim como a pevide minúscula encerra potencialmente a planta produtiva em que se transformará no futuro.
Nessa altura, Hilário perguntou, inquieto:
- Não teremos, nesse postulado, a consagração do determinismo de ordem absoluta? Se trazemos hoje, no campo mental, tudo aquilo que nos sucederá amanhã...
Sânzio, contudo, esclareceu, complacente:
- Sim, nas esferas primárias da evolução, o determinismo pode ser considerado irresistível. E o mineral obedecendo a leis invariáveis de coesão e o vegetal respondendo, fiel, aos princípios organogênicos, mas, na consciência humana, a razão e a vontade, o conhecimento e o discernimento entram em função nas forças do destino, conferindo ao Espírito as responsabilidades naturais que deve possuir sobre si mesmo.
Por isso, embora nos reconheçamos subordinados aos efeitos de nossas próprias ações, não podemos ignorar que o comportamento de cada um de nós, dentro desse determinismo relativo, decorrente de nossa própria conduta, pode significar liberação abreviada ou cativeiro maior, agravo ou melhoria em nossa condição de almas endividadas perante a Lei.
- Mas, ainda mesmo nas piores posições expiatórias - inquiri -, goza a consciência dos direitos inerentes ao livre arbítrio?
- Como não? - falou o Ministro, generoso - imaginemos um delinqüente monstruoso, segregado na penitenciária. Acusado de vários crimes, permanece privado de toda e qualquer liberdade na enxovia comum. Ainda assim, na hipótese de aproveitar o tempo no cárcere, para servir espontaneamente à ordem e ao bem-estar das autoridades e dos companheiros, acatando com humildade e respeito as disposições da lei que o corrige, atitude essa que resulta de seu livre arbítrio para ajudar ou desajudar a si mesmo, a breve tempo esse prisioneiro começa por atrair a simpatia daqueles que o cercam, avançando com segurança para a recuperação de si mesmo.

Ação e Reação – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

 

É importante também entender que na maioria dos casos o gênero das provas que o espírito passará enquanto encarnado foram escolhidas por ele, buscando cruzar a necessidade de aprimoramento espiritual com o resgate de débitos.

No Livro do Espíritos existem algumas passagens que aprofundam o assunto abordado:

258. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena?
“Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso consiste o seu livre-arbítrio.”
a) - Não é Deus, então, quem lhe impõe as tribulações da vida, como castigo?
“Nada ocorre sem a permissão de Deus, porquanto foi Deus quem estabeleceu todas as leis que regem o Universo. Ide agora perguntar por que decretou Ele esta lei e não aquela. Dando ao Espírito a liberdade de escolher, Deus lhe deixa a inteira responsabilidade de seus atos e das conseqüências que estes tiverem. Nada lhe estorva o futuro; abertos se lhe acham, assim, o caminho do bem, como o do mal. Se vier a sucumbir, restar-lhe-á a consolação de que nem tudo se lhe acabou e que a bondade divina lhe concede a liberdade de recomeçar o que foi mal feito. Demais, cumpre se distinga o que é obra da vontade de Deus do que o é da do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós quem o criou e sim Deus. Vosso, porém, foi o desejo de a ele vos expordes, por haverdes visto nisso um meio de progredirdes, e Deus o permitiu.”

259. Do fato de pertencer ao Espírito a escolha do gênero de provas que deva sofrer, seguir-se-á que todas as tribulações que experimentamos na vida nós as previmos e buscamos?
“Todas, não, porque não escolhestes e previstes tudo o que vos sucede no mundo, até às mínimas coisas. Escolhestes apenas o gênero das provações. As particularidades correm por conta da posição em que vos achais; são, muitas vezes, conseqüências das vossas próprias ações. Escolhendo, por exemplo, nascer entre malfeitores, sabia o Espírito a que arrastamentos se expunha; ignorava, porém, quais os atos que viria a praticar. Esses atos resultam do exercício da sua vontade, ou do seu livre-arbítrio. Sabe o Espírito que, escolhendo tal caminho, terá que sustentar lutas de determinada espécie; sabe, portanto, de que natureza serão as vicissitudes que se lhe depararão, mas ignora se se verificará este ou aquele êxito. Os acontecimentos secundários se originam das circunstâncias e da força mesma das coisas. Previstos só são os fatos principais, os que influem no destino. Se tomares uma estrada cheia de sulcos profundos, sabes que terás de andar cautelosamente, porque há muitas probabilidades de caíres; ignoras, contudo, em que ponto cairás e bem pode suceder que não caias, se fores bastante prudente. Se, ao percorreres uma rua, uma telha te cair na cabeça, não creias que estava escrito, segundo vulgarmente se diz.”

261. Nas provações por que lhe cumpre passar para atingir a perfeição, tem o Espírito que sofrer tentações de todas as naturezas? Tem que se achar em todas as circunstâncias que possam excitar-lhe o orgulho, a inveja, a avareza, a sensualidade, etc.?
“Certo que não, pois bem sabeis haver Espíritos que desde o começo tomam um caminho que os exime de muitas provas. Aquele, porém, que se deixa arrastar para o mau caminho, corre todos os perigos que o inçam. Pode um Espírito, por exemplo, pedir a riqueza e ser-lhe esta concedida. Então, conforme o seu caráter, poderá tornar-se avaro ou pródigo, egoísta ou generoso, ou ainda lançar-se a todos os gozos da sensualidade. Daí não se segue, entretanto, que haja de forçosamente passar por todas estas tendências.” ...

262. Como pode o Espírito, que, em sua origem, é simples, ignorante e carecido de experiência, escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável por essa escolha?
“Deus lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir, como fazeis com a criancinha. Deixa-o, porém, pouco a pouco, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve, senhor de proceder à escolha e só então é que muitas vezes lhe acontece extraviar-se, tomando o mau caminho, por desatender os conselhos dos bons Espíritos. A isso é que se pode chamar a queda do homem.”
a) - Quando o Espírito goza do livre-arbítrio, a escolha da existência corporal dependerá sempre exclusivamente de sua vontade, ou essa existência lhe pode ser imposta, como expiação, pela vontade de Deus?
“Deus sabe esperar, não apressa a expiação. Todavia, pode impor certa existência a um Espírito, quando este, pela sua inferioridade ou má-vontade, não se mostra apto a compreender o que lhe seria mais útil, e quando vê que tal existência servirá para a purificação e o progresso do Espírito, ao mesmo tempo que lhe sirva de expiação.”





7. Karma – O Universo em Ação

É constrangedor.

Emoções são naturais.
Como o clima passageiro.

O que fazer...
quando não se pode fazer aquilo para o qual nasceu?

Tudo tem um propósito, Dan.
Até isso. E depende de você encontrá-lo.

do filme Poder Além da Vida – Peaceful Warrior

Pesquisando sobre o sentido da palavra Karma encontrei diferentes abordagens, alguns explicam que Karma é igual a Lei de Causa e Efeito, responsável pela quitação de débitos espirituais contraídos na encarnação atual ou em anteriores. Outras abordagens estendem o conceito e explicam o Karma como Ação, ou seja, uma força de movimento, de expansão, que impulsiona a evolução.

Os dois conceitos podem ser observados nos textos abaixo:

Grande benfeitor - exclamei, comovido, buscando olvidar os meus próprios sentimentos -, poderemos ouvi-lo, de algum modo, acerca do "karma"?
Sânzio retomou a posição que lhe era habitual, junto ao espelho cristalino, eobtemperou:
- Sim, o "cárma", expressão vulgarizada entre os hindus, que em sânscrito quer dizer "ação", a rigor, designa "causa e efeito", de vez que toda ação ou movimento deriva de causa ou impulsos anteriores. Para nós expressará a conta de cada um, englobando os créditos e os débitos que, em particular, nos digam respeito. Por isso mesmo, há conta dessa natureza, não apenas catalogando e definindo individualidades, mas também povos e raças, estados e instituições.
O Ministro fez uma pausa, como quem dava a perceber que o assunto era complexo, e continuou:
- Para melhor entender o "karma" ou "conta do destino criada por nós mesmos", convém lembrar que o Governo da Vida possui igualmente o seu sistema de contabilidade, a se lhe expressar no mecanismo de justiça inalienável. Se no círculo das atividades terrenas qualquer organização precisa estabelecer um regime de contas para basear as tarefas que lhe falem à responsabilidade, a Casa de Deus, que é todo o Universo, não viveria igualmente sem ordem. A Administração Divina, por isso mesmo, dispõe de sábios departamentos para relacionar, conservar, comandar e engrandecer a Vida Cósmica, tudo pautando sob a magnanimidade do mais amplo amor e da mais criteriosa justiça. Nas sublimadas regiões celestes de cada orbe entregue à inteligência e à razão, ao trabalho e ao progresso dos filhos de Deus, fulguram os gênios angélicos, encarregados do rendimento e da beleza, do aprimoramento e da ascensão da Obra
Excelsa, com ministérios apropriados à concessão de empréstimos e moratórias, créditos especiais e recursos extraordinários a todos os Espíritos encarnados ou desencarnados, que os mereçam, em função dos serviços referentes ao Bem Eterno; e, nas regiões atormentadas como esta, varridas por ciclones de dor regenerativa, temos os poderes competentes para promover a cobrança e a fiscalização, o reajustamento e a recuperação de quantos se fazem devedores complicados ante a Divina Justiça, poderes que têm a função de purificar os caminhos evolutivos e circunscrever as manifestações do mal.

Ação e Reação – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

Outra definição muito interessante sobre Karma encontra-se no livro O TAO da Física, de Fritjof Capra.

Na visão hindu da natureza, então, todas as ás formas são relativas, fluidas e,Maya em contínua mudança, conjuradas pelo grande mágico da atividade divina. O mundo de maya muda continuamente, porque o divino lila é um desempenho rítmico, dinâmico. A força dinâmica da atividade é karma, outro importante conceito do pensamento indiano. Karma significa «ação». '
- É o principio ativo do desempenho, o universo total em ação, onde tudo está divinamente relacionado com todo o resto. Nas palavras do Gita <karma> é a. força da criação, donde todas as coisas retiram a sua vida».
O significado de karma, como o de maya, foi trazido do seu nível cósmico original para o nível humano, onde adquiriu um sentido psicológico. Enquanto a nossa visão do mundo for fragmentada, enquanto estivermos sob o fascínio de 'maya e pensarmos que estamos separados do nosso meio e podemos agir independentemente, estamos dominados por karma. Ser livre do vínculo de karma significa entender a unidade e harmonia de toda a natureza, incluindo nós próprios, e agir adequadamente. O Gita é muito claro neste ponto:
Todas as acções têm lugar pela conjugação das forças da natureza, mas o homem perdido na desilusão egoísta pensa que ele próprio é o ator.
Mas o homem, que conhece a relação entre as forças da natureza e as ações, vê como algumas dessas forças trabalham sob outras e não se tornam suas escravas.

O TAO da Física – Fritjof Capra

Muitas filosofias e religiões pregam que somente pelo sofrimento podemos compensar o mal que praticamos, ou seja, que dor se paga com dor.

Esse “conceito” é passado para a humanidade há milênios, todos tivemos contato com essas idéias durante nossas últimas passagens na Terra. Por esse motivo que essa interpretação errônea da Vontade do Pai está consciente ou inconscientemente presente na maior parte das pessoas encarnadas e até desencarnadas de média evolução.

É muito importante entender que ninguém TEM que sofrer para evoluir, o que acontece muitas vezes é a total alienação do espírito para as verdades espirituais, sendo necessário um estímulo razoavelmente agressivo para evitar uma anulação total das oportunidades da atual encarnação ou até agravamento dos débitos espirituais.

Como diz uma grande amiga: ”Para acordar um pequeno pássaro basta um suave raio de sol matinal, mas para balançar uma montanha é necessário dinamite”.

Os luminares que aqui caminharam, como Buda, Lantu, Confúcio, Jesus, Krishna, etc, não ficaram isentos dos padecimentos e dores do mundo físico, mas, ensinaram e exemplificaram para a humanidade que é possível transformar a dor em oportunidade e a dificuldade em motivo de superação.

Alguns, como Jesus, tiveram que sofrer grandes padecimentos, mas não pelo seu Karma, necessidade de evolução ou para mostrar que somente sofrendo se cresce.

Por um amor infinito, que ainda não compreendemos muito bem, pois excede nossa capacidade de compreensão, eles optam por descer dos planos celestes onde habitam para mostrar como devem se portar aqueles que ainda necessitam resgatar os erros do passado e aprimorar seus atributos divinos.

Jesus mostrou o caminho para a libertação espiritual, ensinando à espíritos de todos os estágio evolutivos o que devem fazer para alcançar o direito de sentar ao seu lado.

O Evangelho possui respostas para todas as nossas dificuldades, dúvidas e angústias. Na posição em que estiver: rico ou pobre, algoz ou vítima, espírito nobre ou delinqüente, não importa, as mensagens do Cristo são as respostas.

Vamos abordar agora o Karma sobre diferentes aspectos.

 

Karma Positivo

O hábito é o problema.
Só precisa estar consciente de suas escolhas...
e ser responsável por seus atos.

Toda ação tem seu preço e seu prazer.
Reconhecer ambos os lados o torna...
Realistas e responsável por seus atos.

do filme Poder Além da Vida – Peaceful Warrior

A humanidade já está acostumada a analisar os acontecimentos pelo lado negativo, e a palavra Karma não poderia fugir a essa regra, por esse motivo é comum ligar a palavra Karma a acontecimentos negativos, dor, etc.

A verdade é que não existe certo ou errado, ruim ou bom, sempre existe o lado bom de um acontecimento, quando compreendemos isso estamos iniciando um entendimento maior sobre as Leis do Karma.

Embora todos os acontecimentos tenham um objetivo elevado, existem débitos espirituais que OBRIGATORIAMENTE resgataremos (Karma Negativo) e saldos que nos beneficiam a caminhada(Karma Positivo).

Ações positivas, realizadas na atual encarnação ou em anteriores, em benefício próprio ou do próximo, entram no saldo positivo. Mas existem variáveis nesse contexto, por exemplo, o que o espírito deseja quando auxilia o próximo??

Quando ajudamos com interesse a nossa recompensa é o pagamento do que nos motivava, por exemplo, se um político auxilia buscando votos, então a sua recompensa está nas urnas e não no céu.

Aqueles que amparam para obter reconhecimento obtém um Karma Positivo diferente daquele que ajuda pela simples vontade de ajudar. O trecho abaixo, retirado do Evangelho, nos traz uma reflexão sobre a caridade:

E sentando-se Jesus defronte do cofre das ofertas, observava como a multidão lançava dinheiro no cofre; e muitos ricos deitavam muito.
Vindo, porém, uma pobre viúva, lançou dois leptos, que valiam um quadrante.
E chamando ele os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu mais do que todos os que deitavam ofertas no cofre; porque todos deram daquilo que lhes sobrava; mas esta, da sua pobreza, deu tudo o que tinha, mesmo todo o seu sustento.

Muito cuidado na interpretação dessa passagem, não devemos doar tudo que temos para adquirir Karma Positivo, Jesus nos fala sobre doar com o coração, buscando ajudar da melhor forma possível, contribuindo sempre para o bem do próximo.

Também entram no lado positivo do Karma os atributos divinos alcançados pelo espírito, características positivas consolidadas permitem que o “Universo Conspire” para atrair oportunidades de evoluir em outros aspectos ainda não aprimorados no EU Superior.

A diferença principal do crescimento pelo Karma positivo é a ausência de dor, o estímulo é suave e brando. Como uma grande sempre me fala: “Em tudo há a infinita misericórdia de Deus!”


Contraindo Débitos Espirituais

Então disse-lhe Jesus: “Repõe teu facão no
lugar dele, pois todos os que pegam o facão,
morrerão pelo facão”;

Mateus – Cap. 26:52

Em nosso caminho rumo à emancipação espiritual passamos por diferentes situações: riqueza, pobreza, poder, saúde, doença, etc. São oportunidades que recebemos para burilar o nosso espírito e ajudar o bem estar e crescimento daqueles que nos rodeiam.

Começamos a perder a direção quando as situações que deveriam ser utilizadas para crescimento próprio ou ajuda ao próximo são desviadas para objetivos egoístas ou prejuízo daqueles que deveríamos auxiliar.

Quando isso acontece, nos mais variados graus de egoísmo e maldade, contrai-se um débito para com a Justiça Divina. A gravidade do erro utiliza algumas variáveis de nosso conhecimento, como objetivo, inteligência e conhecimento das leis de amor.
Consciente ou não do seu erro o espírito terá um dia que saldar essa dívida, seja pela senda do amor ou da dor, pois a Justiça Divina não esquece NADA, não teme NINGUÉM e não pode ser enganada.

Para os espíritos com maior grau de evolução o peso do erro é muitas vezes insuportável, mas, qualquer que seja o seu estado evolutivo ele terá que responder pelos infrações cometidas, embora o grau de responsabilidade seja variável.

Alguns espíritos acreditam que podem apagar suas faltas com:

• Vultosas doações para caridade – a caridade realmente ajuda a ganhar merecimento, mas não acrescenta evolução.

• Simplesmente porque param de realizar suas atrocidades – parar significa não agravar seu débito.

• Freqüentando casas religiosas, templos, centros espíritas, etc – a freqüência a lugares de elevação espiritual inicia uma nova fase da vida do espírito, mas isso não significa que ele apague os erros do passado.

Existem até aqueles que estudando superficialmente as obras espíritas acreditam que podem expurgar seu erros após a morte e depois serem resgatados pelos espíritos de luz.

- Quer dizer, então - disse por minha vez -, que não basta a romagem de purgação do Espírito depois da morte, nos lugares de treva e padecimento, para que os débitos da consciência sejam ressarcidos...
- Perfeitamente - aclarou o amigo, atalhando-me a consideração reticenciosa -, o desespero vale por demência a que as almas se atiram nas explosões de incontinência e revolta. Não serve como pagamento nos tribunais divinos. Não é razoável que o devedor solucione com gritos e impropérios os compromissos que contraiu mobilizando a própria vontade. Aliás, dos desmandos de ordem mental que nos entregamos, desprevenidos, emergimos sempre mais infelizes, por mais endividados.
Cessada a febre de loucura e rebelião, o Espírito culpado volve ao remorso e à penitência. Acalma-se como a terra que torna à serenidade e à paciência, depois de insultada pelo terremoto, não obstante amarfanhada e ferida. Então, como o solo que regressa ao serviço da plantação proveitosa, submete-se de novo à sementeira renovadora dos seus destinos.

Ação e Reação – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

No livro Entre a Terra e o Céu André Luiz traz uma outra informação, muito importante para entender os mecanismos da Justiça Divina, pois quando causamos prejuízos ao próximo estamos ferindo nossa própria alma.

É por isso que temos os vales purgatoriais, depois do túmulo... a morte
não é redenção...
— Nunca foi — esclareceu o Ministro, bondoso. — O pássaro doente não se retira da condição de enfermo, tão só porque se lhe arrebente a gaiola.
O inferno é uma criação de almas desequilibradas que se ajuntam, assim como o charco é uma coleção de núcleos lodacentos, que se congregam uns aos outros. Quando de consciência inclinada para o bem ou para o mal
perpetramos esse ou aquele delito no mundo, realmente podemos ferir ou
prejudicar a alguém, mas, antes de tudo, ferimos e prejudicamos a nós
mesmos. Se eliminamos a existência do próximo, nossa vítima receberá dos outros tanta simpatia que, em breve, se restabelecerá, nas leis de equilíbrio que nos governam, vindo, muita vez, em nosso auxílio, muito antes que possamos recompor os fios dilacerados de nossa consciência.
Quando ofendemos a essa ou àquela criatura, lesamos primeiramente a nossa própria alma, de vez que rebaixamos a nossa dignidade de espíritos eternos, retardando em nós sagradas oportunidades de crescimento.

Entre a Terra e o Céu – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

Um débito espiritual contraído enquanto encarnado, dependendo da sua gravidade e extensão, deverá ser resgatado enquanto encarnado, no livro Nosso Lar André Luiz recebe essa informação de um instrutor espiritual.

Não observa o tratamento especializado da zona cancerosa? Pois note bem: toda medicina honesta é serviço de amor, atividade de socorro justo; mas o trabalho de cura é peculiar a cada espírito. Meu irmão será tratado carinhosamente, sentir-se-á forte como nos tempos mais belos da sua juventude terrena, trabalhará muito e, creio, será um dos melhores colaboradores em "Nosso Lar"; entretanto, a causa dos seus males persistirá em si mesmo, até que se desfaça dos germes de perversão da saúde divina, que agregou ao seu corpo sutil pelo descuido moral e pelo desejo de gozar mais que os outros. A carne terrestre, onde abusamos, é também o campo bendito onde conseguimos realizar frutuosos labores de cura radical, quando permanecemos atentos ao dever justo.

Nosso Lar – André Luiz – pelo espírito André Luiz

No livro Ação e Reação o instrutor espiritual traz um ótimo exemplo sobre como podemos contrair um débito espiritual e como será o processo de reparação:

Imaginemos que um homem tenha conduzido uma jovem à comunhão sexual
com ele, à caça de mero prazer dos sentidos, prometendo-lhe matrimônio digno, para abandoná-la vilmente ao próprio desencanto, depois de saciado em seus desejos... A pobre criatura, desenganada, sem recursos para refugiar-se no trabalho respeitável, entrega-se ao meretrício. O homem é responsável pelos desatinos que a infelicitada companheira venha a praticar, compreendendo-se que ele não terá marchado sozinho para semelhante aventura?
- É preciso reconhecer que todos responderemos pelos atos que efetuamos - explicou o interlocutor contudo, no caso em foco, se o homem não é responsável pelos delitos em que venha a falir a mulher desventurada, é ele, inegavelmente, o autor da desdita em que ela se encontra. E, em desencarnando com o remorso da traição praticada, quanto mais luz se lhe faça no entendimento mais agudo lhe será o pesar de haver cometido a falta.
Trabalhará, naturalmente, para levantá-la do abismo a que ela se arrojou por segui-lo, confiante, e reconduzi-la-á à reencarnação, em cujos liames se demorará, aceitando-a por esposa ou filha, de modo a entregar-lhe o puro amor prometido, sofrendo para regenerar-lhe a mente em desequilíbrio e resgatando a sua consciência entenebrecida pela culpa.
- Da mesma forma - aduziu Hilário -, notamos na sociedade terrestre homens arruinados por mulheres desleais que os precipitaram na criminalidade e no vício...
- O processo da reparação é absolutamente o mesmo. A mulher que lançou o companheiro nas sombras do mal, em despertando à luz do bem, não descansará, enquanto não o reerguer para a dignidade moral, diante das Leis de Deus. Quantas mães vemos no mundo, engrandecidas pela dificuldade e pela renúncia, morrendo cada dia, entre a aflição e o sacrifício, para cuidar de filhos monstruosos que lhes torturam a alma e a carne? Em muitos desses quadros terríveis e emocionantes, oculta-se, divino, o labor da regeneração que só o tempo e a dor conseguem realizar.
- Tudo isso, meu amigo - tornou Hilário com manifesta amargura -, nos obriga a reconhecer que, nas falhas do campo genésico, temos a considerar, acima de tudo, a crueldade mental que praticamos em nome do amor...
- Isso mesmo - aprovou o Assistente. - Na perseguição ao prazer dos sentido’s, costumamos armar as piores ciladas aos corações incautos que nos ouvem... Contudo, fugindo à palavra empenhada ou faltando aos compromissos e votos que assumimos, não nos precatamos quanto à lei de correspondência, que nos devolve, inteiro, o mal que praticamos e em cuja intimidade as bênçãos do conhecimento superior nos agravam as agonias,

Ação e Reação – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

Como saber se você está contraindo débitos perante a Justiça Divina ?? Há dois mil anos o Mestre Nazareno já respondia a essa pergunta, com a passagem abaixo, que foi retirada do Evangelho de João:

10. Se executais meus mandamentos, permaneceis no meu amor, assim como executei os mandamentos de meu Pai e permaneço no amor dele.
11. Isso vos disse, para que minha alegria esteja em vós e vossa alegria se plenifique.
12. Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei.
13. Ninguém tem maior amor que este, para que alguém ponha sua alma sobre seus amigos.
14. Vós sois meus amigos se fazeis o que vos ordeno.
15. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o senhor dele; a vós, porém, chamei amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai, vos fiz conhecer.
16. Não vós me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos pus, para que vades e produzais frutos e vosso fruto permaneça, a fim de que o Pai vos dê aquilo que lhe pedirdes em meu nome.
17. Isso vos ordeno: que vos ameis uns aos outros”.
João 15:10-17

 



Karma Negativo

"Sei que é um momento assustador para você.
Está prestanto atenção a ele?"

do filme Poder Além da Vida – Peaceful Warrior

Podemos agrupar no Karma Negativo as características divinas ainda não desenvolvidas e os erros cometidos em prejuízo do próximo ou de si mesmo, na atual encarnação ou em anteriores.
É interessante lembrar que quando prejudicamos alguém com palavras, pensamentos ou atitudes criamos dois débitos, um para com a pessoa e outro para com nossa própria consciência.

Uma visão errada que temos da justiça divina é a imagem de Deus nos castigando por nossos erros, cobrando com juros e correção as infrações cometidas, mas Deus não cobra, Ele não se ofende, não se melindra, quem nos cobra pelo erro é nossa própria consciência, o EU Superior obriga-nos a estar em perfeito equilíbrio com o Universo, é assim que nós próprios atraímos as situações adversas que vivenciamos.

Dependendo do grau de prejuízo ao próximo que uma ação nossa cause, pode até existir a necessidade de retorno ao plano físico para reajuste. Mas o resultado de um mal praticado está relacionado com o grau de evolução daquele que prejudicamos, se ele nos perdoar de coração então o débito COM ELE se extingue (ainda fica faltando a outra parte), caso contrário será necessário o reencontro dos participantes até que se perdoem.

Não é incomum algoz e vítima encarnam como membros de uma família, para que através da convivência diária possam encontrar a paz e o perdão, embora, muitas vezes eles acabem se comprometendo mais ainda.

A aversão ou rancor a uma pessoa próxima, sem nenhum motivo aparente, está quase sempre ligado ao passado espiritual.

Jesus não podia ser mais claro sobre a necessidade de reajuste entre espíritos antes de continuar a caminha rumo a felicidade plena:

Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta.
Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele; para que não aconteça que o adversário te entregue ao guarda, e sejas lançado na prisão.
Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.

NÂO PERDOAR, MANTER a mágoa em relação a uma pessoa que o ofendeu também é uma forma de Karma Negativo, porque cria um vinculo, tornando necessário uma nova encarnação, e isso se repetirá até que se perdoem de coração.


A passagem abaixo, retirada do livro Missionários da Luz – André Luiz e Chico Xavier, sintetiza o que falamos:

O caso é típico. O drama de Segismundo é demasiadamente complexo para ser comentado em poucas palavras. Basta, todavia, recordar que ele, Adelino e Raquel são os protagonistas culminantes de dolorosa tragédia, ocorrida ao tempo de minha última peregrinação pela Crosta. Em seguida a uma paixão desvairada, Adelino foi vítima de homicídio; Segismundo, do crime; e Raquel, do prostíbulo. Desencarnaram, cada um por sua vez, sob intensa vibração de ódio e desesperação, padecendo vários anos, em zonas inferiores. Mais tarde, por intercessão de amigos redimidos, os antigos cônjuges obtiveram a volta ao corpo físico, a fim de santificarem os laços sentimentais e se reaproximarem dos antigos adversários.

Mas.. Qual é o objetivo do Karma Negativo?? Causar dor?? Sofrer?? Somente o Resgate??
Quando um espírito recebe através da Lei de Retorno o impacto dos atos realizados em outras vidas ou na atual, uma infinidade de coisas podem acontecer, vamos tentar explorar os pontos mais importantes.

Muitos irmãos e irmãs olham a expiação como um período de sofrimento, mas não é bem assim, a quitação do débito contraído é somente um, dos vários objetivos que a sua própria Individualidade deseja alcançar.

Se o espírito conseguir compreender o objetivo Maior que está ofuscado pelas situações adversas então ele evitará futuras situações de provação, pois independente do resgate ele precisa conquistar os atributos divinos para alcançar a felicidade plena.

Pode-se até quitar o débito espiritual, mas se o objetivo espiritual desejado não for alcançado então será necessário voltar para aprender.

Vamos explorar um exemplo para facilitar tudo.

Um espírito encarna com a TENDÊNCIA a desenvolver uma doença auto-imune que o acompanhará até o final de sua vida, vamos utilizar no exemplo o reumatismo, mas poderíamos usar a diabetes ou qualquer outra doença auto-imune que não tem cura.

As doenças auto-imunes são, em quase sua totalidade, de origem Kármica.

No nosso exemplo o espírito sentirá dores reumáticas a partir da idade adulta, podendo retardar ou adiantar a eclosão da doença, de acordo com a sua conduta durante a juventude e início da idade adulta.

É importante entender que esta doença faz parte de uma escolha própria para expurgar energias densas, acumuladas em uma encarnação anterior.

Existem vários fatores que influenciam no tempo de convívio com a doença e sua intensidade, porque quando nascemos trazemos a tendência à doença, mas não existe a data exata do seu inicio ou certeza de que ela vai aparecer, isso vai depender dos méritos e deméritos da atual encarnação. Não estamos falando sobre doenças que já aparecem ao nascer ou bem no inicio da infância, já que são karmas maduros..

A eclosão da doença, ou seja, o soar do gongo, geralmente ocorre com a influencia de um fator externo (uma outra doença, um acidente, etc) ou fatores internos (crise emocional, stress).
Ao receber o impacto inicial da doença existem duas opções, dois caminhos a seguir:

• Revoltar-se contra a doença e não aceitá-la.

• Aceitar a doença como uma oportunidade de reflexão e modificação interior, porque as doenças auto-imunes não tem cura mas o grau de intensidade da doença está diretamente ligado ao equilíbrio emocional e qualidade de vida.

Aquele que opta por viver confinado a doença e não se modificar quita sua dívida kármica, porém, mantém a necessidade de conquistar os atributos divinos, já que perdeu a oportunidade de crescimento espiritual.

Pode-se comparar essa experiência com uma viagem, onde o primeiro viajante aproveita a oportunidade para conhecer os lugares, pessoas, comida, passeios, etc. Já o segundo somente vai até o local destino, como uma obrigação. Os dois estão no mesmo lugar, mas vivem duas realidades totalmente distintas.

A ilusão de que os acontecimentos negativos são castigos ou maldições deve acabar, a nova era espiritual deverá ser habitada por espíritos que enxergam além do problema. Deus não será mais conhecido pelo peso do seu martelo, mas pela benevolência do professor, que ensina e aprimora em qualquer oportunidade.

Oxalá chegará o momento em que todos os homens, mulheres e crianças do nosso planeta estarão em plena harmonia, num cântico harmônico e belo de agradecimento ao Pai, por tudo, tudo aquilo que nos fez, faz e fará crescer, pois esse é o seu único objetivo!!

 

 

O Esquecimento

Muitos não aceitam que tenham que sofrer nesta vida por erros cometidos em outras oportunidades, principalmente porque não lembram e muitas vezes nem acreditam que seriam capazes de fazer nada de errado.

É importante entender que a Justiça Divina não pergunta se você acredita ou não nela, independente disso as coisas acontecerão, então, entender um pouco sobre a lei de causa e efeito permite aproveitar melhor as oportunidades recebidas e amenizar os resgates,

O esquecimento sobre acontecimentos ocorridos em uma vida anterior é uma benção.

Se soubesse que seu filho matou a você e todos os que amava, conseguiria perdoá-lo tão facilmente?? Olharia para ele dormindo sob o mesmo teto, totalmente dependente e inocente e as lágrimas viriam aos seus olhos de felicidade e agradecimento??

Será que conseguiría se perdoar se tivésse sido responsável por atrocidades contra várias pessoas???

A renovação sem lembrança é uma oportunidade de recomeçar sem levar o peso da culpa ou a âncora da vingança, quantas pessoas não conseguem recomeçar porque o erro as persegue, chamando de volta ao vício ou mergulhando a consciência em culpa.

Por esse motivo paremos de reclamar e acreditemos na infinita misericórdia e sabedoria do Criador,

Sobre a benção do esquecimento encontramos um exemplo no livro Libertação.

Meu amigo, de hoje em diante adotarei novo rumo. Sinto, neste
cenáculo de fraternidade, que o mal nos afundará invariàvelmente nas trevas.
Fixou os olhos lacrimosos nos meus e rogou, depois de comovente
intervalo:
— Promete-me, porém, a bênção do olvido na “esfera do recomeço”! (1) Fui mãe de dois filhinhos, tão belos e tão puros como duas estrelas, mas a morte me arrebatou muito cedo do lar.
Mas não foi a morte o único algoz que me feriu, desapiedado... Meu marido, em seis meses, esqueceu as promessas de muitos anos e entregou-me os dois anjos à madrasta sem entranhas, que cruelmente os amesquinha...
Há vinte meses luto contra ela, tomada de incoercível revolta; todavia, estou entediada do ódio que me constringe o coração! Preciso renovar-me para o bem, a fim de ser mais útil. Entretanto, meu amigo, tenho sede de esquecimento. Ajuda-me por piedade! Prende-me em algum lugar, onde minhas recordações amargas possam tranqüilamente morrer. Não me deixes, por mais tempo, entregue aos caprichos que me arrastam. Minha inclinação ao bem é insignificante réstia de luz, no seio da noite do mal que me envolve. Compadece-te e ajuda-me!
Não sei amar, ainda, sem o ciúme violento e aviltante! Entretanto, não
ignoro que o Mestre Divino se entregou à cruz, em extrema renúncia! não permitas que as minhas elevadas aspirações desta hora venham
a perecer!
(1) Nos círculos mais próximos da experiência humana, “esfera do
recomeço” significa reencarnação. — Nota do autor espiritual.

Libertação – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

No livro Ação e Reação temos mais uma reflexão sobre o esquecimento e o que acontece após o desencarne, quando lembramos de erros cometidos em outras vidas.

Ministro amigo, compreendendo que há dívidas que, por sua natureza e extensão, exigem de nós várias existências ou romagens na carne terrestre para o respectivo resgate, como apreciá-las do ponto de vista da memória? Sinto, por exemplo, que tenho na retaguarda imensos débitos para ressarcir, dos quais não me lembro agora...
- Sim, sim... - explicou ele - a questão é de tempo. A medida que nos demoramos aqui na organização perispirítica, no fiel cumprimento de nossas obrigações para com a Lei, mais se nos dilata o poder mnemônico. Avançando em lucidez, abarcamos mais amplos domínios da memória. Assim é que, depois de largos anos em serviço nas zonas espirituais da Terra, entramos espontaneamente na faixa de recordações menos felizes, identificando novas extensões de nosso "karma" ou de nossa "conta" e, embora sejamos reconhecidos à benevolência dos Instrutores e Amigos que nos perdoam o passado menos digno, jamais condescendemos com as nossas próprias fraquezas e, por isso, vemo-nos impelidos a solicitar das autoridades superiores novas reencarnações difíceis e proveitosas, que nos reeduquem ou nos aproximem da redenção necessária.

Ação e Reação – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz



A Programação do Karma

"A morte não é triste.
O triste é que a maioria das pessoas
não vive nada."

do filme Poder Além da Vida – Peaceful Warrior

A maioria dos espíritos que atualmente se encontram encarnados possuía (antes de encarnar) informações gerais sobre a sua atual encarnação, o nível de detalhe dessas informações varia com sua evolução e a importância que esse dado tem para sua tarefa. Somente espíritos muito revoltados ou ainda muito pouco evoluídos não possuem a menor idéia de como será sua encarnação. O trecho abaixo, retirado do livro Missionários da Luz – André Luiz e Chico Xavier aprofunda o assunto:

Temos bons amigos no Planejamento de Reencarnações, serviço muito importante em nossa colônia espiritual, diretamente relacionado com as atividades do Esclarecimento. Nessa instituição durante alguns dias, você terá uma idéia aproximada de nossa tarefa, portas adentro de semelhantes trabalhos. Grande percentagem de reencarnações na Crosta se processa em moldes padronizados para todos, no campo de manifestações puramente evolutivas.
Mas outra percentagem não obedece ao mesmo programa.
Elevando-se a alma em cultura, conhecimentos e, conseqüentemente,
em responsabilidade, o processo reencarnacionista individual é mais complexo, fugindo à expressão geral, como é lógico.
Em vista disso, as colônias espirituais mais elevadas mantêm serviços especiais para a reencarnação de trabalhadores e missionários.
...
Quando me refiro a trabalhadores, falo dos companheiros não completamente bons e redimidos, mas daqueles que apresentam maior soma de qualidades superiores, a caminho da vitória plena sobre as condições e manifestações grosseiras da vida. Em geral, como acontece a nós outros, são entidades em débito, mas com valores de boa Vontade, perseverança e sinceridade, que lhes
outorgam o direito de influir sobre os fatores de sua reencarnação,
...
As entidades sob nossos olhos são trabalhadores de nossa esfera, interessados em reencarnações próximas. Nem todos estão diretamente ligados ao semelhante propósito, porque grande parte está em trabalho de intercessão, obtendo favores dessa natureza para amigos íntimos. Os rolos brancos que conduzem são pequenos mapas de formas orgânicas, elaborados por orientadores de nosso plano, especializados em conhecimentos biológicos da existência terrena. Conforme o grau de adiantamento do futuro
reencarnante e de acordo com o serviço que lhe é designado no corpo carnal, é necessário estabelecer planos adequados aos fins essenciais.
– E a lei da hereditariedade fisiológica? perguntei.
– Funciona com inalienável domínio sobre todos os seres em evolução, mas sofre, naturalmente, a influência de todos aqueles que alcançam qualidades superiores ao ambiente geral. Além do mais, quando o interessado em experiências novas no plano da Crosta é merecedor de serviços “intercessórios”, as forças mais elevadas podem imprimir certas modificações à matéria, desde as atividades embriológicas, determinando alterações favoráveis ao trabalho de redenção. escapando, de certo modo, ao padrão geral. Claro que nem sempre tais alterações se verificam em condições agradáveis para a experiência futura. Os serviços de retificação representam tarefas enormes.

É importante entender que existem dívidas cármicas que podem ser revertidas pela mudança interior e merecimento do encarnado, mas isso não acontece sempre, existem “Karmas Maduros” (que só podem ser atenuados) e também resgates solicitados pelo próprio espírito (também só podem ser atenuados porque tem influência direta na evolução do espírito). Nesses casos podem existir atenuantes, mas a linha base da programação karmica continuará atraindo o encarnado para situações que buscam o reajuste com a lei de harmonia do Universo.
As situações que hoje geram lágrimas de revolta e angustia foram recebidas um dia com lágrimas de alegria e esperança, pois a doença que esmaga é força que permitirá o plantio de sementes divinas e o reencontro com adversários é a escada que ajudará alcançar novas esferas da vida maior. Meditemos juntos com André Luiz no livro Missionários da Luz:

– Não poderíamos, porém – indaguei –, intitular semelhante prova de – “destino fixado”?
O instrutor aduziu com paciência:
– Não incida no erro de muita gente. Isto implicaria obrigatoriedade de conduta espiritual. Naturalmente, a criatura renasce com independência relativa e, por vezes, subordinada a certas condições mais ásperas, em virtude das finalidades educativas, mas semelhante imperativo não suprime, em caso algum, o impulso livre da alma, no sentido de elevação, estacionamento ou queda em situações mais baixas. Existe um programa de tarefas edificantes
a serem cumpridas por aquele que reencarna, onde os dirigentes da alma fixam a cota aproximada de valores eternos que o reencarnante é suscetível de adquirir na existência transitória. E o Espírito que torna à esfera de carne pode melhorar essa cota de valores, ultrapassando a previsão superior, pelo esforço próprio intensivo, ou distanciar-se dela, enterrando-se ainda mais nos débitos para com o próximo, menosprezando as santas oportunidades que lhe foram conferidas.
...
– Todo plano traçado na Esfera Superior tem por objetivos fundamentais o bem e a ascensão, e toda alma que reencarna no círculo da Crosta, ainda aquela que se encontre em condições aparentemente desesperadoras, tem recursos para melhorar sempre.

Missionários da Luz – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

Quando o espírito desencarna e desperta do outro lado da vida, ele começa a compreender melhor a gravidade dos seus erros e a necessidade de reajuste para com a sua própria consciência antes. O texto abaixo, do livro Missionários da Luz, nos leva a essa reflexão.

Mas, como acontece quase sempre, os heróis na promessa fraquejam na realização, porque se apegam muito mais aos próprios desejos que à compreensão da Vontade Divina. De posse dos bens da vida física, nega-se Adelino a perdoar, recapitulando erradamente as lições do passado. Antes mesmo da reencarnação do antigo transviado, já se manifesta contrário a qualquer auxílio. Sempre o velho círculo vicioso – quando fora da oportunidade
bendita de trabalho terrestre e vendo a extensão das próprias necessidades, desvela-se o companheiro em prometer fidelidade e realização, mas, logo que se apossa do tesouro do corpo físico, volta ao endurecimento espiritual e ao menosprezo das leis de Deus.

Missionários da Luz – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

 

 

 

Karma Aliviado

Acredito que o exemplo que encontramos no livro Ação e Reação explica, ensina e exemplifica como podemos aliviar o resgate de débitos kármicos:

Devotou-se, então, depois de melhorado, aos serviços mais duros de nossa organização, conquistando com o tempo apreciáveis lauréis que lhe valeram a volta à esfera humana, com o direito de iniciar o pagamento da larga dívida em que se onerou, desavisado. Cultuando a prece com a renovação do mundo íntimo, renasceu de espírito inclinado à fé religiosa, ardente e operante, encontrando no Espiritismo com Jesus, ao influxo dos amigos desencarnados que o assistem, precioso campo de fortalecimento moral e trabalho digno, no qual tem sabido estender, com louvável aproveitamento das horas, o seu raio de ação no estudo edificante e na caridade pura, atraindo em seu favor as mais amplas simpatias, por parte de irmãos encarnados e desencarnados, que lhe devem generosidade e carinho. Atirado a imensas dificuldades materiais, desde cedo cresceu órfão de pai, de vez que não valorizou no passado a ternura paterna, lutando com extrema pobreza e com enfermidade constante...
Custodiado, porém, por benfeitores da nossa Mansão, foi conduzido a um templo espírita, ainda muito jovem, onde, submetido a tratamento da epiderme esfogueada, entrou no conhecimento de nossa Renovadora Doutrina... A leitura dos princípios espíritas, ao sol do Evangelho do Senhor, constituiu para ele recordações naturais dos ensinamentos assimilados em nossa casa, antes da reencarnação. Desde aí, aceitou nobremente a responsabilidade de viver e buscou, acima de tudo, aplicar a si próprio as diretrizes regeneradoras da fé que abraça.
Disciplinou-se. Rendeu sincero preito às suas obrigações e, não obstante os entraves orgânicos, muito moço se dedicou às representações comerciais, de cujos labores retira os abençoados recursos que sabe repartir com necessitados numerosos, reservando para si tão-somente o indispensável. Não é um rico da Terra, na acepção do conceito, mas um trabalhador da fraternidade que sabe dar o próprio coração naquilo que distribui.
Trilhando o caminho da simplicidade e da renúncia edificante, modificou as impressões de muitos dos companheiros de outro tempo, que, nas baixas camadas da sombra, se lhe haviam transformado em perseguidores e desafetos, obsessores esses que, em lhe observando os exemplos novos, se sentiam moralmente desarmados para os conflitos que se propunham manter. É assim que não deixa de ressarcir as suas culpas, sofrendo-lhes o gravame em si mesmo.
Entretanto, pelos valores que entesoura, devotado ao bem alheio, resgata o pretérito com o alívio possível, ganhando tempo e adquirindo novas bênçãos. Ajudando aos outros, desbasta, dia a dia, o montante dos seus débitos, de vez que a Misericórdia do Pai Celestial permite que os nossos credores atenuem o rigor da cobrança, sempre que nos vejam oferecendo ao próximo necessitado aquilo que lhes devemos...
Silas confiou-se a pausa breve, mas Hilário, tanto quanto eu fascinado por sua exposição clara e sensata, rogou, sedento de ensino:
- Continue, Assistente. Esta lição viva ilumina-nos de esperança... Como se explica estar Adelino ganhando tempo?
Nosso amigo sorriu e acrescentou:
- Correia, que não merecia a ventura do lar tranqüilo por haver arruinado o lar paterno, casou-se e padeceu o abandono da companheira que lhe não entendeu o coração.
Avançando para a terna Marisa que dormia, acentuou:
- Assim, pela vida útil a que se consagra e pela caridade incessante que passou a exercer, atraiu para junto de si, como filha da sua carne, a antiga madrasta que desviou dos braços paternais, hoje reencarnada junto dele para reeducar-se ao calor de seus exemplos nobres, guardando a dor de saber-se filha de pobre mulher que renegou o tálamo conjugal, tanto quanto ela mesma o menosprezou no passado recente. Mas... não é apenas essa a vantagem de Adelino...
Silas pousou levemente a destra nos pequenos que ressonavam e prosseguiu:
- Dedicando-se de alma e corpo à sua renovação com o Cristo, nosso amigo recolheu como filhos adotivos os dois cúmplices do parricídio tremendo, os antigos capatazes Antônio e Lucídio, que, abusando de humildes donzelas escravizadas, de quem furtavam os filhinhos para exterminar ou vender, não encontraram senão o alcoice por berço, vindo para o círculo afetivo do companheiro de outro tempo, no sangue africano que tanto enxovalharam, de modo a lhe receberem o amparo moral à reforma precisa.
Enquanto nos edificávamos com o precioso ensinamento, Silas observou:
- Como é fácil de reconhecer, nosso irmão, através da responsabilidade espíritacristã, corretamente sentida e vivida, conquistou a felicidade de reencontrar os laços do pretérito criminoso para o necessário reajuste, ao passo que, se houvesse desertado da luta pela irreflexão da companheira ou se tivesse cerrado a porta do coração a dois meninos infelizes, teria adiado para futuros séculos o nobre trabalho que está fazendo agora...
Dispúnhamo-nos a formular novas indagações, mas Correia despedira-se da mãezinha e viera ocupar um leito modesto, não longe das crianças.
Demonstrando hábitos respeitáveis, sentou-se em prece.
Foi quando Silas, recomendando-nos cooperação, abeirou-se dele e aplicou-lhe passes magnéticos, esclarecendo-nos, logo após:
- Ainda pela utilidade que sabe imprimir aos seus dias, Adelino mereceu a limitação da enfermidade congenial de que é portador. Tendo sofrido, por longo tempo, o trauma perispirítico do remorso, por haver incendiado o corpo do próprio pai, nutriu em si mesmo estranhas labaredas mentais que, como já lhes disse, o castigaram intensamente além-túmulo... Renasceu, por isso, com a epiderme atormentada por vibrações calcinantes que, desde cedo, se lhe expressaram na nova forma física por eczema de mau caráter... Semelhante moléstia, em face da dívida em que se empenhou, deveria cobrir-lhe todo o corpo, durante muitos e angustiosos lustros de sofrimento, mas, pelos méritos que ele vai adquirindo, a enfermidade não tomou proporções que o impeçam de aprender e trabalhar, porquanto granjeou a ventura de continuar a servir, pelo seu impulso espontâneo na plantação constante do bem.

Ação e Reação – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

 

 


Karma Físico, Astral e Mental

Toda ação tem seu preço
e seu prazer.
Reconhecer ambos os lados
o torna...
Realistas e responsável
por seus atos.
do filme Poder Além da Vida – Peaceful Warrior

É importante entender que Karma não está ligado somente a conseqüências ruins ou boas de ações passadas, o principal objetivo do Karma em nosso atual estado evolutivo é estimular o crescimento espiritual.

Para o homem se libertar da chamada “roda das encarnações” é necessário esgotar o corpo astral, ou seja, o corpo dos desejos, das sensações, enquanto alimentamos desejos e sensações estaremos vitalizamos esse corpo e mais “Karma Astral” é acumulado para um futuro desgaste. O Karma pode ser gerado no planos físico – ações, astral – emoções, mental – pensamentos.
Sidarta Gautma, O Buda, falou claro para a humanidade ao ensinar que devemos ter uma postura reta na ação, palavra e pensamento (Reta-Ação, Reta-Palavra, Reto-Pensamento).

No livro A Autobiografia de um Iogue temos um relato muito interessante sobre o que falamos, ele foi extraído de uma experiência entre o mestre Láhiri Mahásaya (na época de sua iniciação) com o grande Avatar Babáji.

“ É meia noite. Meu guia riu suavemente. Aquela luminosidade é a cintilação de um palácio de ouro, materializado aqui, esta noite, pelo incomparável Bábají. No obscuro passado, você uma vez expressou o desejo de desfrutar as belezas de um palácio. Nosso mestre está agora satisfazendo esse desejo seu e livrando o assim do último laço de seu karma . E acrescentou: O magnífico palácio será o cenário de sua iniciação, esta noite, em Kriya Yoga. Todos os seus irmãos, aqui, se reúnem num hino de júbilo pelo fim de seu exílio. Contemple o!
...
“Examinei o vaso; suas jóias eram dignas de coleção de um rei. Deslizei minha mão pelas paredes da sala, espessas de ouro reluzente. Grande satisfação mental empolgou me. Um desejo, oculto em minha subconsciência desde vidas pretéritas, parecia, simultaneamente, saciar-se e extinguir se.
...
“ Láhiri, você ainda se regala com seu desejado palácio de ouro? Os olhos de meu guru cintilavam como suas próprias safiras. – Acorde! Todos os seus anseios terrenos estão a ponto de extinguir-se para sempre! Ele murmurou algumas palavras místicas de bênção. Levante se, meu filho. Receba sua iniciação no reino de Deus, por meio de Kriya Yoga.

A Autobiografia de um Iogue – Paramahansa Yogananda

 

 

 

Karma e Doença

As moléstias conhecidas no mundo e outras que ainda escapam ao
diagnóstico humano, por muito tempo persistirão nas esferas torturadas da alma, conduzindo-nos ao reajuste. A dor é o grande e abençoado remédio.
Reeduca-nos a atividade mental, reestruturando as peças de nossa instrumentação e polindo os fulcros anímicos de que se vale a nossa inteligência para desenvolver-se na jornada para a vida eterna. Depois do poder de Deus, é a única força capaz de alterar o rumo de nossos pensamentos, compelindo-nos a indispensáveis modificações, com vistas ao Plano Divino, a nosso respeito, e de cuja execução não poderemos fugir sem graves prejuízos para nós mesmos.

Libertação – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

A dor não é elemento indispensável para o crescimento espiritual, no entanto, em muitos casos é ferramenta indispensável para furar o bloqueio que levantamos a nossa frente.
Algumas doenças estão diretamente vinculadas ao Karma pessoal do indivíduo, mas isso não deve ser generalizado, desequilíbrio emocional, mental ou físico também são agentes que podem causar problemas de saúde.

Doenças auto-imunes, genéticas, como o reumatismo, diabete, síndrome de down, atrofia de membros, etc, são Karmicas, podendo ser impostas ao espírito com expiação ou escolhidas por ele próprio para aliviar a culpa que dilacera sua consciência.

Existem até casos de espíritos com grande bagagem espiritual que solicitam restrições sérias para conquista de atributos divinos, mas esses são os casos mais raros. A genialidade utilizada para driblar as dificuldades e a força interior que utilizam para alcançar os seus objetivos são grandes lições para a humanidade.

Abaixo copio uma passagem do livro Ação e Reação, onde o instrutor espiritual aponta alguns dos motivos espirituais que podem gerar doenças genéticas.

...na solução de certas dívidas que nos obscurecem a senda, mas sim a providências retificantes, depois de muitas quedas reiteradas nos mesmos deslizes e deserções, que imploramos em favor de nós e em nós mesmos, quais sejam as deficiências congeniais com que ressurgimos no berço físico. Aqueles que por vezes diversas perderam vastas oportunidades de trabalho na Terra, pela ingestão sistemática de elementos corrosivos, como sejam o álcool e outros venenos das forças orgânicas, tanto quanto os inveterados cultores da gula, quase sempre atravessam as águas da morte como suicidas indiretos e, despertando para a obra de reajuste que lhes é indispensável, imploram o regresso à carne em corpos desde a infância inclinados à estenose do piloro, à ulceração gástrica, ao desequilíbrio do pâncreas, à colite e às múltiplas enfermidades do intestino que lhes impõem torturas sistemáticas, embora suportáveis, no decurso da existência inteira. Inteligências notáveis, com sucessivas quedas morais, através da leviandade com que se utilizaram do esporte e da dança, espalhando desespero e infortúnio nos corações afetuosos e sensíveis, pedem formas orgânicas ameaçadas de paralisia e reumatismo, visitadas de achaques e neoplasmas diversos, que lhes obstem os movimentos demasiado livres

Ação e Reação – Chico Xavier- pelo espírito André Luiz

Podemos também nascer com “fragilidades” em algumas regiões do corpo, como o coração, pulmão, imunidade, alergias, etc, que estão diretamente ligadas a erros do passado. Hábitos saudáveis e emoções equilibradas poderiam evitar o maior comprometimento dessas áreas, mas, na maioria das vezes não é dado o valor necessário ao corpo físico e muito menos a uma vida saudável e equilibrada. Dessa forma as regiões frágeis ficam expostas a agentes externos, padecendo então pelo próprio desequilíbrio, obrigandoo espírito a rever seus hábitos, emoções e pensamentos.

A passagem abaixo, extraída do livro Ação e Reação, mostra exatamente isso:

Perfeitamente - acentuou o mentor amigo -, nossas disposições, para com essa ou aquela enfermidade no corpo terrestre, representam zonas de atração magnética que dizem de nossas dívidas, diante das Leis Eternas, exteriorizando-nos as deficiências do espírito.
Druso meditou alguns instantes, como se estivesse ponderando no íntimo a gravidade do assunto, e apreciou:
- Nossas assertivas não excluem, decerto, a necessidade da assepsia e da higiene, da medicação e do cuidado preciso, no tratamento dos enfermos de qualquer procedência. Desejamos simplesmente acentuar que a alma ressurge no equipamento físico transportando consigo as próprias falhas a se lhe refletirem na veste carnal, como zonas favoráveis à eclosão de determinadas moléstias, oferecendo campo propício ao desenvolvimento de vírus, bacilos e bactérias inúmeros, capazes de conduzi-la aos mais graves padecimentos, de acordo com os débitos que haja contraído, mas também carrega consigo as faculdades de criar no próprio cosmo orgânico todas as espécies de anticorpos, imunizando-se contra as exigências da carne, faculdades essas que pode ampliar consideravelmente pela oração, pelas disciplinas retificadoras a que se afeiçoe, pela resistência mental ou pelo serviço ao próximo com que atrai preciosos recursos em seu favor. Não podemos esquecer que o bem é o verdadeiro antídoto do mal.

Ação e Reação – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

Algumas doenças funcionam como termômetro para o espírito, alertando-o sobre desequilíbrios e necessidade de reflexão. Se o individuo optar por buscar a causa do problema então poderá evitar o agravamento e manifestação da moléstia, caso contrário, terá que tomar medicamentos e suportar as crises, que em alguns casos se tornam crônicas.

O espírito que vai encarnar pode solicitar um mecanismo que o ajude a frear suas tendências inferiores, vícios ou paixões, que em oportunidades anteriores o levaram às lastimáveis quedas. Nesses casos, a doença funciona como um freio, que TENTA evitar a reincidência no erro, já que as oportunidades anteriores foram perdidas. Toda vez que insistir no erro ele sentirá dor e comprometerá sua saúde.

Contudo, a escolha sempre será do espírito encarnado, ele poderá optar por buscar o equilíbrio (hábitos, ambientes, condutas, etc) para conviver com suas fragilidades ou se revoltar e deixar que suas paixões o dominem, sofrendo as conseqüências do próprio desequilíbrio. Abaixo copiamos uma passagem interessante do livro Ação e Reação:

Companheiros que, em muitas circunstâncias, se deixaram envenenar pelos olhos e pelos ouvidos, comprometendo-se em vasta rede de criminalidade, através da calúnia e da maledicência, imploram veículos fisiológicos castigados por deficiências auditivas e visuais que lhes impeçam recidivas desastrosas. Intelectuais e artistas que despedem sagrados recursos do espírito na perversão dos sentimentos humanos, por intermédio da criação de imagens menos dignas, rogam aparelhos cerebrais com inibições graves e dolorosas para que, nas reflexões de temporário ostracismo, possam desenvolver as esquecidas qualidades do coração. Homens e mulheres que abusaram de dotes físicos, manobrando a beleza e a perfeição das formas para disseminar a loucura e o sofrimento naqueles que lhes admitiam as falsas promessas, solicitam corpos vulneráveis às dermatoses aflitivas, quais o eczema e a tumoração cutânea, ou portadores de alterações da tireóide que os constranjam a reiteradas lutas educativas.
Grandes faladores que escarneceram da divina missão do verbo, conturbando multidões ou enlouquecendo almas desprevenidas, suplicam doenças das cordas vocais, para que, atravessando afonias periódicas, desistam de tumultuar os espíritos por intermédio da
palavra brilhante. E milhares de pessoas que transformaram o santuário do sexo numa forja de perturbações para a vida alheia, arruinando lares e infelicitando consciências, imploram equipamentos físicos atormentados por lesões importantes no campo genésico, experimentando, desde a puberdade, inquietantes desequilíbrios ovarianos e testiculares. A cegueira, a mudez, a idiotia, a surdez, a paralisia, o câncer, a lepra, a epilepsia, o diabete, o pênfigo, a loucura e todo o conjunto das moléstias dificilmente curáveis significam sanções instituídas pela Misericórdia Divina, portas a dentro da Justiça Universal, atendendo-nos aos próprios rogos, para que não venhamos a perder as bênçãos eternas do espírito a troco de lamentáveis ilusões humanas.

Ação e Reação – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

Mostramos que a dor física ou moral pode nos ajudar a evitar a reincidência em erros ou alertar sobre potenciais problemas, mas um espírito pode também ser beneficiado pela dor, resgatando um débito e ao mesmo se beneficiando da situação reflexão e crescimento. No livro Ação e Reação o instrutor espiritual utiliza o nome de “Dor-Auxílio”

A dor é ingrediente dos mais importantes na economia da vida em expansão. O ferro sob o malho, a semente na cova, o animal em sacrifício, tanto quanto a criança chorando, irresponsável ou semiconsciente, para desenvolver os próprios órgãos, sofrem a dor-evolução, que atua de fora para dentro, aprimorando o ser, sem a qual não existiria progresso. Em nosso estudo, porém, analisamos a dor-expiação, que vem de dentro para fora, marcando a criatura no caminho dos séculos, detendo-a em complicados labirintos de aflição, para regenerá-la, perante a Justiça... É muito diferente...
- Curioso! - exclamou Hilário - não havia pensado ainda em semelhantes conceitos... Dor-evolução, dor-expiação...
- Como temos ainda dor-auxílio - atalhou Druso, benevolente.
- Como assim?
E percebendo a surpresa que se nos estampava no rosto, o orientador aduziu:
- Em muitas ocasiões, no decurso da luta humana, nossa alma adquire compromissos vultosos nesse ou naquele sentido. Habitualmente, logramos vantagens em determinados setores da experiência, perdendo em outros. Às vezes, interessamo-nos vivamente pela sublimação do próximo, olvidando a melhoria de nós mesmos. É assim que, pela intercessão de amigos devotados à nossa felicidade e à nossa vitória, recebemos a bênção de prolongadas e dolorosas enfermidades no envoltório físico, seja para evitar-nos a queda no abismo da criminalidade, seja, mais freqüentemente, para o serviço preparatório da desencarnação, a fim de que não sejamos colhidos por surpresas arrasadoras, na transição da morte. O enfarte, a trombose, a hemiplegia, o câncer penosamente suportado, a senilidade prematura e outras calamidades da vida orgânica constituem, por vezes, dores-auxílio, para que a alma se recupere de certos enganos em que haja incorrido na existência do corpo denso, habilitando-se, através de longas reflexões e benéficas disciplinas, para o ingresso respeitável na Vida Espiritual.

Ação e Reação – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

A maior parte das pessoas busca somente a cura para sua doença, interpretam o corpo como tão somente um emaranhado de células e órgãos, estão vendo somente a ponta do iceberg.

Geralmente o problema é bem mais profundo, e para ser erradicado demandará um grande esforço do espírito, em vários setores diferentes, como por exemplo:
– Pensamentos nobres e dignos.
- Emoções equilibiradas.
- Hábitos físicos saudáveis.
- Vencer o vício, quando existir..
- Aprender a se perdoar ou perdoar o próximo.
- Disciplina no tratamento alopático.

Pode-se tomar um remédio que proteja a região inflamada, acabando com a dor que incomoda, mas se a fonte do desequilíbrio não cessar então a carga tóxica continuará caminhando do corpo astral até o físico, atacando novamente a área comprometida ou outra que esteja receptiva.

Dr. Fritz fala sobre esse assunto:

Vamos traçar um paralelismo. O Medicamento está para a cura da doença assim como o elemento catalizador está para a reação química. Assim, entendemos o medicamento como indicado para estabelecer o inicio do processo de cura.
O leitor inteligente entenderã que não é a administração tão somente do medicamento que proporcionará a cura da doença. O paciente com suas vibrações positivas, fé e confiança na sua recuperação pela misericórdia do PAI Celestial propicia o estabelecimento de campos de forças magnéticas geradores de energias vitais. Esses pacotes energéticos são absorvidos pelas células doentes que se reorganizam e se revitalizam. São as imutáveis leis orgânicas de renovação.

Dr. Fritz – O Médico e sua Missão

O assunto é muito interessante, pois é possível que um espírito com uma doença cármica crônica tenha uma qualidade de vida melhor que aquele com débitos menos sérios, mas que nada faz para alcançar o equilíbrio.

A força de vontade do espírito para alcançar a cura física e espiritual, a realização de um tratamento físico, com profissional especializado e a ajuda espiritual permitem atenuar doenças e até curar, quando existe essa possibilidade.

A cura de uma doença pode ocorrer em qualquer lugar, a qualquer momento, tudo depende do Karma, do esforço do espírito em se melhorar e do seu merecimento. Por outro lado temos pessoas que foram em todos os lugares possíveis e não conseguiram sequer atenuar sua dor.
Quando perguntaram ao médium que assistia o Dr. Fritz se ele podia curar a todos, ele respondeu que a espiritualidade informava aqueles que poderiam ser curados, os que ainda não estavam prontos (deveriam trabalhar seu interior) e aqueles que o Karma não permitiria a cura, sendo somente autorizado atenuar os efeitos da doença.

Os comentários deste tópico não devem desestimular aqueles que buscam a cura, mas devemos entender a mensagem dos céus, pois existem pessoas que gastam todas as suas energias buscando a cura da doença, deixando de lado o que realmente deveria ser tratado, sua Alma.

Abaixo copio algumas passagens da entrevista realizada com o Dr. Fritz:

Com respeito a cura do paciente, ele pode ser curado no primeiro atendimento ou ela pode demorar a ocorrer?
As condições espirituais do paciente e seu merecimento são os parâmetros que possibilitam a ocorrência da cura. Asssim, a cura depende do término do "pagamento" dos débitos existentes junto a "contabilidade" Divina, dos karmas e da regressão da enfermidade. O paciente poderá ser curado na hora ou receber o tratamento e a enfermidade ir regredindo. Toda doença apresenta o progresso evolutivo e o progresso regressivo.
Para nós que as conhecemos, as doenças nem sempre devem ser consideradas como um mal, na acepção da palavra. Na maioria das vezes sua nuances convidam os médicos e cientistas à pesquisa, possibilitando o alargamento do conhecimento e o consequente progresso profissional.
Para o doente elas se apresentam como uma forma de regeneração espiritual. assim, o doente se regenera e o médico tem a oportunidade de aprender e servir seu semelhante, contri buindo para sua cura. Destacamos, ainda uma vez, a importância da saúde do corpo físico para os encarnados, tendo em vista seus compromissos com o aperfeiçoamento espiritual nessa encarnação.
...
Isso não quer dizer, entretanto, que o doente não deva se tratar. Nunca se sabe quando a misericórdia de DEUS vai nos “premiar” com a cura, tendo em vista o termino do resgate do paciente ou a do adiamento da prova para uma outra ocasião, para possibilitar a este cumprir uma missão de elevação espiritual e moral ainda nessa encarnação”

Dr. Fritz – O Médico e sua Missão – Mauricío da Silva Magalhães

 

 

 

Karma e Doenças Mentais

Existe uma pergunta que não sai da cabeça daqueles que possuem doenças muito sérias, tiveram perdas importantes ou reberam filhos doentes mentais – “Por que EU??”

Mães dedicadas e heróicas recebem em seu ventre espíritos altamente endividados, são irmãos encarcerados no corpo, que vêm sem o direito de falar ou agir, tamanho é o seu compromisso e necessidade de recuperação.

Espíritos bons e puros não vêm a Terra com o corpo todo atrofiado ou doentes mentais, isso não vai acontecer. Podemos ter espíritos boníssimos que solicitam “defeitos” genéticos para exercitar seu amor, humildade e fé, mas de forma alguma teremos Bezerra de Menezes reencarnando com algum tipo de retardamento mental.

Os pais que recebem esses transgressores são geralmente cúmplices do passado ou espíritos boníssimos, que abrem os braços para auxiliar na recuperação dos filhos pródigos do Pai.

André Luiz fala um pouco mais sobre esse assunto no livro No Mundo Maior.

É paralítico de nascença, primogênito de um casal aparentemente feliz, e conta oito anos na existência nova — informou Calderaro, indican¬do-o —; não fala, não anda, não chega a sentar-se, vê muito mal, quase nada ouve dá esfera hu¬mana; psiquicamente, porém, tem a vida de um sentenciado sensível, a cumprir severa pena, lavra¬da, em verdade, por ele próprio. Há quase dois séculos, decretou a morte de muitos compatriotas numa insurreição civil. Valeu-se da desordem po¬lítico-administrativa para vingar-se de desafetos pessoais, semeando ódio e ruínas. Viveu nas regiões inferiores, apartado da carne, inomináveis su¬plícios. Inúmeras vítimas já lhe perdoaram os cri¬mes; muitas, contudo, seguiram-no, obstinadas, anos afora... A malta, outrora densa, rareou pou¬co a pouco, até que se reduziu aos dois últimos inimigos, hoje em processo final de transformação. Com as lutas acremente vividas, em sombrias e dantescas furnas de sofrimento, o desgraçado aprestou-se para esta fase conclusiva de resgate; conseguiu, assim, a presente reencarnação com o propósito de completar a cura efetiva, em cujo pro¬cesso se encontra, faz muitos anos.
A paisagem era triste e enternecedora. O doen¬te, de ossos enfezados e carnes quase transparentes, pela idade deveria ser uma criança bela e feliz; ali, entretanto, se achava imóvel, a emitir gritos e sons guturais, próprios da esfera sub-humana.
Com o respeito devido à dor e com a obser¬vação imposta pela Ciência, verifiquei que o pequeno paralítico mais se assemelhava a um des¬cendente de símios aperfeiçoados.
- Sim, o espírito não retrocede em hipótese alguma — explicou Calderaro —; todavia, as for¬mas de manifestação podem sofrer degenerescên¬cia, de modo a facilitar os processos regenerativos. Todo mal e todo bem praticados na vida impõem modificações em nosso quadro representativo. Nosso desventurado amigo envenenou para muito tempo os centros ativos da organização perispiritual. Cer¬cado de inimigos e desafetos, frutos da atividade criminosa a que se consagrou voluntàriamente, per¬manece quase embotado pelas sombras resultantes dos seus tremendos erros. No campo consciencial, chora e debate-se, sob o aguilhão de reminiscências torturantes que lhe parecem intérminas; mas os sentidos, mesmo os de natureza física, mantêm-se obnubilados, à maneira de potências desequilibra¬das, sem rumo... Os pensamentos de revolta e de vingança, emitidos por todos aqueles aos quais de¬llberadamente ofendeu, vergastaram-lhe o corpo perispiritual por mais de cem anos consecutivos, como choques de desintegração da personalidade, e o infeliz, distante do acesso à zona mais alta do ser, onde situamos o (castelo das noções superiores, em vão se debateu no (Campo do esforço presente, isto é, à altura da região em que loca¬lizamos as energias motoras; é que os adversários implacáveis, apegando-se a ele, através da influên¬cia direta, compeliram-lhe a mente a fixar-se nos impulsos automáticos, no império dos instintos; permitiu a Lei que assim acontecesse, naturalmente porque a conduta de nosso infortunado irmão fora igual à do jaguar que se aproveita da força para dominar e ferir. Os abusos da razão e da autori¬dade constituem faltas graves ante o Eterno Go¬verno dos nossos destinos.
O estimado Assistente fitou-me com seus olhos muito lúcidos e perguntou:
— Compreendeste?
Como desejasse ver-me suficientemente escla¬recido, acrescentou:
— Espiritualmente, este pobre doente não re¬grediu. Mas o processo de evolução, que constitui o serviço do espírito divino, através dos milênios, efetuado para glorioso destino, foi por ele mesmo (o enfermo) espezinhado, escarnecido e retardado. Semeou o mal, e colhe-o agora. Traçou audacioso plano de extermínio, valendo-se da autoridade que o Pai lhe conferira, concretizou o deplorável pro¬jeto e sofre-lhe as consequências naturais de modo a corrigir-se. Já passou a pior fase. Presente¬mente, já se afastou do maior número de inimigos, aproximando-se de amoroso coração materno, que o auxilia a refazer-se, ao término de longo curso de regeneração.

No Mundo Maior – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

 

 

 

Karma e Família

Os espíritos que formam a conhecida família terrena – mãe, pai, irmãos - geralmente possuem alguma afinidade entre si, com histórias milenares de amor e bondade ou ódio e vingança. Quando se reencontram através dos laços consangüíneos as lembranças afloram, trazendo a empatia ou antipatia gratuita. É por esse motivo que um filho pode morrer de amor pela mãe e odiar com todas as suas forças o pai, ou vice-versa, temos também irmãos que se digladiam desde a infância ou vivem em terna paz.

Existem casos raros, mas perfeitamente possíveis de espíritos que se vinculam a uma família sem possuir laços de afinidade. A espiritualidade pode solicitar a um casal de espíritos bons (evolução média ou superior) a oportunidade de receber sob sua tutela um espírito revoltado e desregrado, tentando dessa forma estimular o seu crescimento espiritual e resgate de débitos espirituais. Também podemos ter um espírito superior, em missão de auxílio a um grupo de espíritos que solicita permissão para participar da família.

Se você acha que está na família errada está profundamente enganado, pois nada acontece por acaso, seja o Karma positivo ou negativo estamos sempre localizados no lugar certo para o nosso crescimento espiritual.

Muitas dessas histórias se arrastam há séculos e somente terminarão quando o vinculo de ódio se extinguir, porque qualquer sentimento negativo que tenhamos para com outros espíritos cria uma ligação negativa entre ambos, tornando necessário a devida harmonização com as leis de equilíbrio.

O assassino impiedoso de ontem é hoje a mãe que cuida com profundo carinho do filho; O ladrão que roubou é agora o pai que educa e cuida; O carrasco que levou a morte é o paciente irmão, que protege e ampara, Deus é infinita misericórdia e as oportunidades de reajuste nunca se acabam.

Evoluiremos todos para um dia entender que a família não está circunscrita somente ao sangue, e sim ao espírito. Jesus viveu essa verdade até seu último suspiro, tratava a todos como irmãos e irmãs.



 

Tentando Fugir do Karma

As forcas inferiores da Alma são comandadas pela obstinação e o egoísmo enquanto as forcas superiores obedecem a vontade divina.

Baghavad Gitã

Em alguns casos de resgate é possível tentar “fugir” do Karma, um pai ou uma mãe podem abandonar o filho deficiente, a mãe pode abortar o antigo inimigo que lhe bate a porta pedindo perdão, o missionário do amor pode rejeitar a mediunidade, a alma que se prontificou a caridade pode negar a dedicação ao próximo, tudo pode acontecer, CONTUDO, o débito continua e será resgatado nessa vida ou em outra, provavelmente de uma forma muito mais agressiva e não contornável.

O pai que abandona o filho enjeitado por não admitir que sua prole tenha defeitos pode vir deficiente, para aprender a valorizar todas as formas de expressão da vida.

O médium que veio com grandes facilidades para exercer sua mediunidade e a renegou ou a utilizou para benefício próprio terá que resgatar o mau uso e o benefício ilícito.

Por mais difícil que seja o Karma, não devemos fugir, já que não será esquecido e na próxima oportunidade concedida ao espírito a prova que não será tão facilmente remediável, até o momento em que o karma "amadurecer" e se tornar impossível para o espírito se esquivar (Karma Maduro).

 

 


Karma e Mediunidade

Já escrevemos um artigo sobre mediunidade, mas nunca é demais lembrar desse assunto. O médium não é espírito iluminado, é um trabalhador do bem que está lutando contra suas fraquezas para crescer, não podemos afirmar de forma alguma que só porque uma pessoa é médium ela é “mais evoluída” ou melhor que outra.

Podemos então incluir TODOS os médiuns de prova (aqueles que são médiuns por interferência da espiritualidade e não pela própria evolução) como devedores perante a justiça divina.

Essa é uma das possíveis formas de se resgatar débitos espirituais sem a “dor”, a mediunidade é um acelerador espiritual e, ao mesmo tempo, pagador de contas espirituais.

A mediunidade é uma oportunidade oferecida aqueles que durante o período de erraticidade (desencarnado) se esforçaram pela melhorar e se dedicaram a auxiliar o próximo..

A mediunidade não é imposta ao espírito, em quase todos os casos ela é decorrente de sua própria solicitação. Um dos vários problemas decorrentes de rejeitar a mediunidade é esse, parte do Karma que seria quitado auxiliando o próximo é convertido para situações adversas que o médium rebelde enfrentará.

 

 

 

Liquidação do Karma

Também as forcas inimigas da alma são nossos amigos e mestres, pois por meio delas é que alcançamos a experiência; elas são os degraus pelos quais o homem sobe até o conhecimento perfeito de si mesmo.

Baghavad Gitã

È muito difícil para um encarnado saber quando o seu karma ou de outra pessoa se extinguiu, somente instrutores espirituais, com algum grau de evolução, que possuem informações sobre os registros acásicos podem revelar estas informações.

Os Mestres (os verdadeiros, não estamos falando dos falsos gurus) também conseguem acessar os registros kármicos.

Por isso não fique contando as horas ou imaginando quando se acabarão os dias de dificuldade, porque o pagamento do seu débito espiritual pode estar apenas começando, concentre-se em crescer, aproveitar os momentos e ser feliz, o resto será conseqüência.

Retiramos uma passagem do livro Ação e Reação para reflexão:

Quando a nossa dor não gera novas dores e nossa aflição não cria aflições naqueles que nos rodeiam, nossa dívida está em processo de encerramento. Muitas vezes, o leito de angústia entre os homens é o altar bendito em que conseguimos extinguir compromissos ominosos, pagando nossas contas, sem que o nosso resgate a ninguém mais prejudique. Quando o enfermo sabe acatar os Celestes Desígnios, entre a conformação e a humildade, traz consigo o sinal da dívida expirante...

Ação e Reação – Chico Xavier – pelo espírito André Luiz

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Perguntas Respondidas