Em Busca da Verdade    (Suicídio - Uma idéia que não vale a pena)
Motivos para o Suicídio - Problemas Psiquiátricos e Profissionais
por Gustavo Martins

Problemas Psiquiátricos

Exigem cuidados específicos e podem existir atenuantes por tragédias, pois o espírito pode estar em um grau de fascinação e possessão onde não possui domínio de si, embora, como sempre informamos, os espinhos da atual existência são conseqüência dos erros passados.

 

Problemas Profissionais

O conhecimento da reencarnação e da Lei de Causa e Efeito são de grande importância para compreendermos as dificuldades da atual existência. Desafios e tragédias estão programados em linhas gerais e são de conhecimento dos espíritos superiores, responsáveis por "supervisionar" nossa evolução.

O chefe que persegue ou o colega de trabalho que difama são mecanismos da providência divina para quitação de débito e aquisição de valores divinos. Devemos compreender que se não tivéssemos que passar por essa experiência não estaríamos passando por essa prova. Nossos irmãos ainda ignorantes das leis de amor e compaixão são infelizes agentes da Lei de Causa e Efeito que ao seu tempo também atrairá para eles a amarga colheita dos espinhos que plantaram.

Somente a paciência, a perseverança no bem e a fé podem acalmar o seu coração. A oração deve ser o canal para evitar ações comprometedoras nos momentos críticos e o estudo dos ensinamentos espíritas e cristãos podem dilatar sua compreensão e transformar a chaga viva em pequena cicatriz, que servirá como recordação das lutas vencidas no caminho do crescimento espiritual!

Vencendo as tuas provas e expiações sua alma mergulhará em uma profunda atmosfera de paz e luz, e quando retornar a pátria espiritual será um espírito feliz, aproveitando os benefícios daqueles que souberam suportar as dores do mundo terreno.

Abaixo copiamos um trecho do livro Almas em Desfile, psicografado por Waldo vieira através do espírito Hilário Silva para mostrar a importância de não desistir das lutas terrenas, pois um sofrimento muito maior que o vivenciado na Terra espera o suicida após a morte, enquanto uma felicidade soberba espera aquele que suporta com resignação até o último suspiro todos os desafios de uma existênca.

...
Ambos os amigos demoraram-se oito dias fora do burgo em que Batista vivia em elegante casa rural, e, com surpresa, na volta, encontraram-no agonizante...
E o vigoroso ateu que caçara leões e tigres, que conhecia os mais remotos países do Globo, escalando alturas e mergulhando no oceano, morreu, vitimado por gangrena, depois da instalação de um “bicho-de- pé”...
Envergonhava-se.
Tivera funerais pomposos.
Mas não valia a capa protetora dos amigos desencarnados.
Deixara nome, tradição, legados, necrológios brilhantes.
E, sem dúvida, distribuíra fartas sobras da existência regalada, confortando a muitos.
No fundo, porém, João Martinho não se sentia bem consigo mesmo.
Roubara dos parentes, num processo de herança, para começar a fortuna. E depois, no comércio, fora homem de memória curta e mão leve.
Isso tudo, agora, era assim como cravo de fogo enterrado na consciência.
“Martinho, você foi hoje carinhosamente lembrado na Terra.”
“Martinho, alguém está agradecendo as suas doações.”
Amigos revezavam-se, ofertando-lhe notícias confortadoras, mas sempre recebiam estas respostas lamentosas :
“Sim, mas eu furtei.”
“Sim, mas fui um ladrão.”
Era desse modo que o pensamento dele reagia.
Contudo, ante o bem que fizera, estava perdoado. Perdoado por todos. Entretanto, por dentro não se desculpava.
Aumentando a cultura espiritual, não agüentou as acusações silenciosas que lhe nasciam da cabeça, como borralho de fogão sereno, e pediu o retorno. Recomeçar era a grande esperança.
E Martinho recomeçou...

Decorridos quarenta anos, João Martinho podia ser visto em novo corpo de carne.
Funcionário de banco, não conseguia realizar os próprios ideais.
Parecia um devedor insolvável, diante da família.
Desde cedo, começara a trabalhar, ajudando o pai doente.
E depois que o pai desencarnou, foi o amparo das irmãs menores. Devia fazer prodígios para não se endividar no fim do mês. E, após o casamento das duas manas mais velhas, caíra enferma a própria mãezinha, com paraplegia irremediável.
João procedia corretamente.
Tudo a tempo e a hora.
Surgiu, porém, a ocasião em que passou a sentir prolongada agonia moral.
Um companheiro, que lhe partilhava as responsabilidades em serviço, desviava somas enormes.
Emitia vales e forjava documentos falsos, cujas cópias atirava na cesta.
Antevendo complicações futuras, Martinho retirava todos os papéis comprometedores, do depósito de lixo, e os guardava.
Rara a semana em que não chegava a casa, com várias peças na direção do arquivo.
Possuía no aposento um cofre particular, com fundo falso, cujo segredo somente ele, Martinho, conhecia.
E nesse último escaninho amontoava as provas da culpabilidade do amigo infeliz.
Em sã consciência, não podia formular acusações prematuras. O rapaz talvez tivesse costas quentes, e poderia ser considerado caluniador “se levantasse a lebre”, antes da hora.
Era preciso, no entanto, defender-se. Uma hora difícil poderia chegar.
Durante quatro meses, a situação perdurava inquietante, quando veio o inesperado...
O moço leviano conheceu a morte num desastre, em noite de farra.

Era setembro...
Martinho pensou no imperativo do esclarecimento.
Mas seria justo acusar um morto, do qual ninguém lhe pedia contas?
Calou-se e esperou...
Eis que surge, porém, o fim de ano.
Balanço ativo.
Martinho preparou a papelada para qualquer circunstancia.
Quando a tomada de contas no banco ia em meio, o carreto funcionário sofre um choque profundo.
A casa humilde em que reside é assaltada, enquanto assiste à desencarnação da mãezinha no hospital.
Desolado, João verifica que o assaltante carregara todos os objetos de valor, inclusive o cofre em que deitava os documentos íntimos.
Desconfiança terrível incendeia-lhe o crânio.
Decerto, o colega morto tinha cúmplices.
E os cúmplices haviam fingido uma “limpa” em regra.
Desfigurado, volta ao banco, depois de haver solucionado os problemas do funeral materno, e encontra a bomba estourada.
O diretor chama-o a falas.
Naturalmente esperara dois dias, em consideração à sua dor de filho.
Mas coloca o assunto em telas claras.
João foi responsabilizado pelo desfalque de um milhão e duzentos mil cruzeiros.
Martinho alarmou-se, rogou, reclamou e chorou, mas não conseguiu articular qualquer defesa.

Recolhido à cadeia correcional, onde foi condenado a dois anos de prisão, depois de rumoroso processo, Martinho tentou o suicídio.
Amigos, contudo, puseram-lhe nas mãos a literatura espírita.
E Martinho devorou livros, narrativas, conceitos e idéias...
Acalmou-se.
Descobriu o poder da prece.
Acolheu a prova, como o boi recebe a canga.
Aceitou a reencarnação. No íntimo, estava convicto de que fora vítima desse ou daquele companheiro interessado em livrar-se da justiça, mas compreendeu que devia perdoar.
Ainda assim, a mudança de vida alterou-lhe a saúde.
A tuberculose ganhava área e o coração fatigado parecia motor falhando...
No dia garoento em que saiu do cárcere, depois de cumprida a pena, era uma sombra.
Raros fios de cabelo desciam da calva procurando ocultar-lhe a orelha.
Caminhava dificilmente.
Tossia.
Suspirava por um caldo quente.
Cambaleando quase, atingiu a moradia da única irmã casada que ainda lhe possibilitava ligação, mas recebeu apelo injusto.
– João – disse ela –, aqui estão vinte cruzeiros para você. É tudo o que eu tenho, mas não posso hospedá-lo. Meu marido não compreenderia. Temo ofensas. Volte amanhã. Conversarei com ele hoje à noite e veremos o que será possível fazer.
Martinho, humilhado, foi ao bar próximo.
Tomou um café e começou a perambular.
Receava buscar amigos.
Cansado, trêmulo, vendo que a noite baixava, procurou, procurou... até que viu velha casa abandonada num terreno baldio de bairro pobre,
Conseguiu jornais velhos, aqui e ali, e entrou, disposto a dormir. Num canto de parede semiderruída tropeçou em algo.
Abaixou-se.
Surpreendido, tateou o objeto.
Era um cofre, sem dúvida! Carregou-o para local menos escuro.
Espantado, verificou que era o antigo cofre de sua propriedade, largado ali por alguém...
Fora violado, escancarado, mas percebeu que o fundo falso não fora aberto.
Gastou tempo e força e acabou descerrando o escaninho.
E todos os documentos que o inocentavam apareceram.
Agora, percebia que toda a suspeita em torno dos amigos do Banco era realmente infundada.
Fora pilhado, sim, por malfeitores vulgares.
Martinho, fatigado, contemplou os papéis que lhe teriam sido preciosos, anos antes.
Deitou-se no piso escalavrado. Releu todos, um por um.
Em seguida, acendeu um fósforo e queimou-os em monte.
Escurecera de todo.
Por muito tempo, Martinho orou e pensou...
E, por fim, a tosse.
Depois, o silêncio.
Martinho enlanguescera.
E, a princípio, só as formigas e os cães tornaram conhecimento de que havia no local um corpo morto, como feixe de ossos moles renteando um punhado de cinzas.


Do livro “Almas em Desfile” Hilário Silva Psicografia de Waldo Vieira.


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