Em Busca da Verdade    (Suicídio - Uma idéia que não vale a pena)
Motivos para o Suicídio - Doenças Restritivas, Problemas Físicos ou Obesidade
por Gustavo Martins

As deficiências físicas, tal como a paraplegia, a tetraplegia, a cegueira, surdez, mudez ou a obesidade trazem grandes dificuldades para a vida daquele que “temporariamente” as possui. Estas expiações são geralmente regenerativas e funcionam como expiação, contudo, espíritos missionários encarnam as vezes na Terra para demonstrar como podemos ser felizes e úteis, mesmo com doenças que restringem as atividades.

Ninguém viverá pela eternidade com a deficiência atual, porém, aquele que optar pelo suicídio terá que expiar o tempo que ainda falta para o término da existência com a deficiência adquirida, acrescido da penúria do suicida. Além disso, deverá retornar em outra existência em situação semelhante, acrescido das graves conseqüências do suicídio, ou seja, poderá ser acrescida uma(s) nova(s) deficiência(s) além daquela que já existia.

Não escolha a porta do suicídio, pois retornará em situação pior no futuro, aproveita a oportunidade para quitar os seus débitos e voltar à pátria espiritual em paz, livre da expiação e pronto para uma nova oportunidade em corpo sadio.

Uma história de culpa e redenção
Que só pude entender
Fitando a vida na reencarnação:

Há mais de um século passado,
Jovem senhora de fortuna imensa
Desfez-se do homem bom que havia desposado,
Propiciando-lhe a morte
Aproveitando antiga desavença.

O marido morreu, sem saber que a consorte
Era a autora do crime...
Sob o açoite invisível de veneno,
Desligou-se do corpo, acreditando
Ter sido vítima de um bando
De conhecidos salteadores,
Que lhe haviam furtado extensa faixa
De lavoura e terreno...

Ela fingiu sofrer, chorou a lamentar-se,
Resguardando a frieza em pomposo disfarce:
Depois, armou-se de Brazão e herança,
Em seguida a mais ouro, ei-la que avança
No rumo do prazer, unicamente...
Borboleta das noites de aventura,
Converteu-se em esfinge de loucura
E espalhava paixões, assassinatos,
Suicídios e duelos insensatos,
Até que, um dia, a morte
Surgiu numa doença e abateu-a de todo...
A fidalga saiu de túmulo dourado,
Abominando o corpo aniquilado
Como quem deixa um cárcere de lodo.

Atônita, encontrou na própria mente
As sombras que largara para trás...
Via os homens que amara, odiando-lhe o nome
E os lares que ela mesma havia destruído
Sem alento e sem paz,
Padecendo viuvez, necessidade e fome,
Em razão dos seus gestos sem sentido...

Ao fim de tempo longo em suplício e cansaço,
Vendo em si própria a culpa e a punição reunidas,
Rogou regresso ao mundo em lágrimas doridas;
Queria renascer, desprezada e doente,
De maneira a expiar os erros que fizera...
Foi assim que a fidalga ressurgiu
Na penúria de humílima tapera.
Ninguém lhe conhecia a genitora.
A pequenina fora
Simplesmente enjeitada
Sobre o lodoso vão de uma velha calçada...

Recolhida num lar de gente boa,
Cedo mostrou-se como viveria,
Débil mental, vagando à-toa,
Muda e louca, chamavam-na Maria;
E porque andasse, ao léo, de porta em porta,
Fosse onde fosse, se chorava ou ria,
Populares gritavam: “sai, Maria!...
Não te queremos... Sai, Maria Torta!...”
E a pobre em se sentindo injuriada
Pelo cruel pejorativo,
Buscava defender-se a rugido e pedrada,
Ferindo o próprio peito morto - vivo...

Sessenta anos viveu à noite e ao vento,
Sem pouso certo, atada ao sofrimento...

Dias atrás, fui vê-la... Achei Maria,
Num recanto de pobre enfermaria...
Era um farrapo humano, uma sombra de gente
Que a moléstia arrasava, asperamente...

Dera-lhe a caridade um colchão por guarida
E a morte lhe traria o apoio de outra vida...

Agonizou, por fim, a nobre companheira
Que varara, gemendo, uma existência inteira.

Nós, – a equipe de simples servidores,
– Expressando-lhe amor em visita singela,
Orávamos em grupo, junto dela,
Suplicando a Jesus lhe amenizasse as dores...

Quando o corpo cansado demonstrou
Que não mais lhe servia,


Mensageiros da Altura, com cuidado,
Libertaram Maria...

Foi um deslumbramento inesperado.
A sala estreita e pobre iluminou-se,
Ramalhetes lembrando estranhas primaveras
Chegavam pelas mãos de amigos de outras eras...

Jubilosa e espantada, vi Maria
Deixar o corpo em pranto de alegria...
Seres angelicais cantavam em surdina
Doces evocações da Morada Divina...
A pobre soluçava ao tentar entendê-las...

Logo após, envolvida em flores luminosas,
Numa sege de luz, enfeitada de rosas,
Maria se elevou para além das estrelas...

Do livro A Vida Conta - Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

 


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