Em Busca da Verdade    (Suicídio - Uma idéia que não vale a pena)
Consequências do Suicídio - Responsáveis
por Gustavo Martins

 

a) - Os que hajam conduzido o desgraçado a esse ato (suicídio) de desespero sofrerão as
conseqüências de tal proceder?
“Oh! Esses, ai deles! Responderão como por um assassínio.”
O Livro dos Espíritos

Jesus foi claro quando nos informou que deveríamos nos desculpar e harmonizar com todos os desafetos antes de seguir adiante na vida espiritual. Se de alguma forma participamos ou contribuímos de forma direta ou indireta para um suicídio então contraímos um débito pesado diante de providência divina.

Ao romper laços de amor devemos ser pacientes, verdadeiros e compreensivos, não devemos alimentar falsas esperanças.No âmbito profissional devemos estar munidos sempre de bondade, desinteresse pessoal e verdade, nunca visando o prejuízo ao próximo. Evite palavras ríspidas ou grosseiras quando estiver falando com pessoas "momentaneamente" desequilibradas. Nunca utilize a violência para com os semelhantes e para com os filhos, utilize a palavra dura quando necessário, mas nunca a força que humilha.

Com uma postura doce e amorosa diante da vida você evitará prejuízo ao próximo e a participação voluntaria ou involuntária em um ato suicida. Retiramos o texto abaixo do livro "O Céu e o Inferno" de Allan Kardec.

LUÍS E A PESPONTADEIRA DE BOTINAS

Havia sete para oito meses que Luís G..., oficial sapateiro, namorava uma jovem, Victorine R..., com a qual em breve deveria casar-se, já tendo mesmo corrido os proclamas do casamento.
Neste pé as coisas, consideravam-se quase definitivamente ligados e, como medida econômica, diariamente vinha o sapateiro almoçar e jantar em casa da noiva.
Um dia, ao jantar, sobreveio uma controvérsia a propósito de qualquer futilidade, e, obstinando-se os dois nas opiniões, foram as coisas ao ponto de Luís abandonar a mesa, protestando não mais voltar.
Apesar disso, no dia seguinte velo pedir perdão. A noite é boa conselheira, como se sabe, mas a moça, prejulgando talvez pela cena da véspera o que poderia
acontecer quando não mais a tempo de remediar o mal, recusou-se à reconciliação. Nem protestos, nem lágrimas, nem desesperos puderam demovê-la. Muitos dias ainda se passaram, esperando Luís que a sua amada fosse mais razoável, até que resolveu fazer uma última tentativa: - Chegando a casa da moça, bateu de modo a ser reconhecido, mas a porta permaneceu fechada, recusaram abri-la. Novas súplicas do repelido, novos protestos, não ecoaram no coração da sua pretendida. "Adeus, pois, cruel! - exclamou o pobre moço - adeus para sempre. Trata de procurar um marido que te estime tanto como eu." Ao mesmo tempo a moça ouvia um gemido abafado e logo após o baque como que de um corpo escorregando pela porta. Pelo silêncio que se seguiu, a moça julgou que Luís se assentara à soleira da porta, e protestou a si mesma não sair enquanto ele ali se conservasse.
Decorrido um quarto de hora é que um locatário, passando pela calçada e levando luz, soltou um grito de espanto e pediu socorro.
Depressa acorre a vizinhança, e Victorine, abrindo então a porta, deu um grito de horror, reconhecendo estendido sobre o lajedo, pálido, inanimado, o seu noivo.
Cada qual se apressou em socorrê-lo, mas para logo se percebeu que tudo seria inútil, visto como ele deixara de existir. O desgraçado moço enterrara uma faca na região do coração, e o ferro ficara-lhe cravado na ferida.

(Sociedade Espírita de Paris, agosto de 1858)
1. - Ao Espírito S. Luís. - A moça, causadora involuntária do suicídio, tem responsabilidade?
- R. Sim, porque o não amava.

2. - Então para prevenir a desgraça deveria desposá-lo a despeito da repugnância que lhe causava?
R. Ela procurava uma ocasião de descartar-se, e assim fez em começo da ligação o que viria a fazer mais tarde.

3. - Neste caso, a sua responsabilidade decorre de haver alimentado sentimentos dos quais não participava
R. Sim, exatamente.

4. - Mas então essa responsabilidade deve ser proporcional à falta, e não tão grande como se consciente e voluntariamente houvesse provocado o suicídio...
R. É evidente.

...

Nota - Por isso se vê ainda uma nova confirmação da justiça que preside à distribuição das penas, conforme o grau de responsabilidade dos culpados É à moça, neste caso, que cabe a maior responsabilidade, por haver entretido em Luís, por brincadeira, um amor que não sentia. Quanto ao moço, este já é de sobejo punido pelo sofrimento que lhe perdura, mas a sua pena é leve, porquanto apenas cedeu a um movimento irrefletido em momento de exaltação, que não à fria premeditação dos suicidas que buscam subtrair-se às provações da vida.

O Céu e o Inferno – Allan Kardec

 

Recordo, castelã!... O narciso trescala
Do teu colo a fulgir de jóias soberanas...
Alguém morre na festa... E, soberba, te ufanas
Do jovem que impeliste ao suicídio na sala.

Tempos correram, presto... Entre humildes choupanas,
Trazes agora ao peito um filhinho sem fala,
Mutilado ao nascer, flor que se despetala,
No trato de aflição da prova em que te fanas...

Restauras, padecente, a vítima de outrora,
Ontem, transviada e ré, hoje, mãe que ama e chora!...
Salve a reencarnação, passaporte ao futuro!

Mãe, agradece a dor!... No porvir que vem perto,
Brilharás como estrela, ante o filho liberto,
E alcançarás, ditosa, o reino do amor puro!...

Do livro Poetas Redivivos.- Psicografia de Francisco Cândido Xavier

 

VINCULAÇÃO REDENTORA - Silva Ramos

O fidalgo, ao partir, diz à jovem senhora:
“Eu sou teu, tu és minha!... Espera-me, querida!...”
Longe, ergue outro lar... Vence, altera-se, olvida...
Ela afoga em suicídio a mágoa que a devora.

Falece o castelão... Vê a noiva esquecida...
Desencarnada e aflita, é uma sombra que chora...
Ele pede outro berço e quer trazê-la agora
Em braços paternais ao campo de outra vida!...

O século avançou... Ei-los de novo em cena...
Ele o progenitor; ela, a filha pequena
A crescer retardada, abatida, insegura...

Hoje, ele, em tudo, é sempre o doce pajem dela
E a noiva de outro tempo é a filha triste e bela
Agarrando-se ao pai nos traumas da loucura.

 

 




Perguntas Respondidas