Páginas de Luz    (A Verdade e os Oito Passos para a Felicidade)
Capítulo 1 - O Encontro
por Narcí Castro de Souza

- Foi ontem que o vi outra vez. Estava sentado no mesmo lugar, sob aquela grande árvore, próxima da fonte. Seus olhos estavam semicerrados, mas pude observar o intenso azul de suas pupilas. Ele não me viu, certamente alcançou o estado de samadhi. Seus negros cabelos cresceram e já chegam até os ombros .

- Tem certeza que ele é o príncipe Gautama? ? incrédula, Savitri inquiriu.

- Todos dizem que é ele mesmo. Se não acredita, venha comigo hoje quando eu for apanhar água na fonte e verá com seus próprios olhos ? sugeriu Indira.

Curiosa, Savitri esperava Indira quando esta, conduzindo o cântaro , apareceu no lugar combinado, na primeira hora antes do pôr-do-sol. As duas , excitadas, comentavam sobre a vida de conforto e luxo abandonada pelo príncipe.

- O sábio Asita previu , logo no dia do nascimento do príncipe Gautama, que ele encontraria a iluminação se abandonasse tudo se tornaria o salvador do mundo ? comentou Indira.

- Mas Shanda, meu irmão, que o seguia com mais quatro, desde que ele raspou a cabeça e tornou-se um monge mendicante, desiludiu-se e dele se afastou por tê-lo visto tomando leite oferecido por uma mulher... ? falou Savitri.

- Não vejo mal nenhum em ele ter aceitado o leite. Então, nós, mulheres, somos assim tão pecadoras que se oferecermos a um homem santo algo que o alimente e o dessedente o contaminaremos? ? perguntou Indira.

- Claro que não. Eles certamente foram muito intolerantes.

- Veja, estamos chegando ...Óh! Ele não mais se encontra sob a árvore!... ? com voz decepcionada, Indira exclamou.

- Você tem mesmo certeza que era o príncipe Gautama que ali meditava? ?Savitri perguntou.

- Claro que tenho. Era belo e majestoso e aqueles olhos cujo azul entrevi, eram os dele, tenho certeza .

- Mas quando você o viu antes? Por acaso freqüentava o palácio, antes dele abandoná-lo? - sarcástica, Savitri perguntou.

- Eu o conheci como o conheceram todos os que tiveram oportunidade de trabalhar no palácio, ou você se esquece que meu pai trabalha nas cavalariças? ? com ar ofendido Indira respondeu.

- Bem... bem, fiquei decepcionada por não tê-lo encontrado. Desculpe-me ? conciliadora, Savitri desculpou-se.

As duas seguiram até a fonte próxima, onde Indira encheu o cântaro, e voltaram para a aldeia.

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Savitri, ao retornar à casa, comentou com seus pais o encontro com Indira e o que ela lhe dissera sobre Gautama.

Shanda , que fazia tempo não aparecia na humilde casa de seus pais, chegou à noite. Seu semblante revelava tristeza por ainda não ter obtido as respostas para as questões que o atormentavam sobre as razões da vida e por, após ter deixado Gautama, não ter encontrado outro guia espiritual que o ajudasse a resolvê-las. Recebeu com incredulidade e alguma surpresa as notícias que Savitri lhe comunicou.

- Indira garantiu que era Gautama. Viu-o sentado sob a grande árvore próxima à fonte. Seus cabelos já estavam crescidos e batiam nos ombros, mas quando lá voltamos, ele não mais se encontrava ? insistia em repetir Savitri, para o incrédulo irmão.

Na manhã seguinte, quando o sol coloria o horizonte de róseo, pouco antes de aparecer, Shanda saiu de mansinho para não acordar os pais e a irmã que ainda dormiam.

A aragem fresca da manhã que nascia, era um refrigério na pele que ardia de calor febril. Não dormira aquela noite, atormentado pela dúvida de ter se precipitado e abandonado o homem que poderia ser o guia tão ansiosamente procurado.

Orou à Mãe do Mundo que o reencontrasse, caso Ele fosse a Luz que poderia dirigir seus passos na vida. Enveredou pela floresta e seguiu o caminho que levava à fonte.

Ao chegar próximo à grande árvore assinalada por Savitri, seu coração quase parou pelo choque de vê-lo ali sentado.

- Shanda, estava esperando-o ? falou com voz forte e aveludada, sem voltar-se para onde Shanda se encontrava ? Encontrei finalmente as respostas que tanto ansiava.

Shanda contemplava fascinado a intensa luz que se irradiava do Buda, sem saber se o que via era um reflexo do sol ou se a luz provinha do corpo de Gautama. Devagar, aproximou-se reverente, ficando frente a frente com Gautama.

Percebeu, então, que era dele mesmo a luz que o envolvia e caiu de joelhos a seus pés .

- Perdoe-me Sri. Eu não devia ter duvidado... eu não devia tê-lo abandonado...

- Levante-se, amigo . Foi bom ter sido deixado só. Isso tornou possível alcançar o meu objetivo. Meu coração não tem mais dúvidas. Descobri a chave para entregar ao mundo os recursos que permitirão ao homem desfrutar da felicidade .

Vamos agora ao encontro dos outro quatro companheiros.

Aos poucos, os quatro se viam induzidos a caminhar para certos pontos onde Buda os esperava. Com alegria, constataram que haviam recebido o privilégio de poder compartilhar e evoluir através das orientações que o Bhagavan lhes transmitia .

Na primeira lua cheia do mês de julho , Buda proferiu para seus primeiros discípulos o notável sermão, anunciando-lhes o descobrimento da Verdade, em que expõe as quatro Nobres Verdades e a Nobre Óctupla Senda, explicando o glorioso caminho do meio-termo entre as extravagâncias do ascetismo de um lado e as negligências da mera vida mundana do outro.


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