História
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Título
O Poder da Doçura
Data Publicação
06/10/2001
Texto

O viajante caminhava pela estrada, quando observou o

pequeno

rio que começava tímido por entre as pedras.

Foi seguindo-o por muito tempo.

Aos poucos ele foi tomando volume e se tornando um rio maior.

O viajante continuou a segui-lo.

Bem mais adiante o que era um pequeno rio se dividiu em

dezenas de cachoeiras, num espetáculo de águas cantantes.

A música das águas atraiu mais o viajante que se aproximou e

foi descendo pelas pedras, ao lado de uma das cachoeiras.

Descobriu, finalmente, uma gruta.

A natureza criara com paciência caprichosa, formas na gruta.

Ele a foi adentrando,

admirando sempre mais as pedras gastas pelo tempo.

De repente, descobriu uma placa.

Alguém estivera ali antes dele.

Com a lanterna, iluminou os versos que nela estavam escritos.

Eram versos do grande escritor Tagore,

prêmio Nobel de literatura de 1913:

"não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras,

mas a água, com sua doçura, sua dança, e sua canção.

Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir."

Assim também acontece na vida.

Existem pessoas que explodem por coisa nenhuma e

que desejam tudo arrumar aos gritos e pancadas.

E existem as pessoas suaves, que sabem dosar a energia

e tudo conseguem.

São as criaturas que não falam muito, mas agem bastante.

Enquanto muitos ainda se encontram à mesa das discussões

para a tomada de decisões, elas já se encontram a postos,

agindo.

E conseguem modificar muitas coisas.

Um sábio exemplo foi de Madre Teresa de Calcutá.

Antes dela e depois dela tem se falado em altos brados sobre

miséria, fome e enfermidades que tomam comunidades inteiras.

Ela observou a miséria, a morte e a fome rondando os

seus irmãos, na índia. Tomou uma decisão. Agiu.

Começou sozinha, amparando nos braços um desconhecido

que estava à beira da morte nas ruas de Calcutá.

Fundou uma obra que se espalhou, com suas casas de

caridade, por todas as nações.

Teve a coragem de se dirigir a governantes e homens públicos

para falar de reverência à vida, de amor, de ação.

Não gritou, não esbravejou,

Cantou a música do amor, pedindo pão e afeto aos

pobres mais pobres.

Deixou o mundo físico mas conseguiu esculpir as linhas

mestras do seu ideal em centenas de corações.

Como a água mansa, ela cantou nos corações e os conquistou,

amoldando-os para a dedicação ao seu semelhante.