Poema
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Título
Evolução 2
Autor Data Publicação
08/05/2001 Antero de Quental
Origem
Sonetos , Psicografias
Texto

Fui rocha, em tempo, e fui, no mundo antigo,

Tronco ou ramo na incógnita floresta ...

Onda, espumei, quebrando-me na aresta

Do granito, antiqüíssimo inimigo ...

Rugi, fera talvez, buscando abrigo

Na caverna que ensombra urze e giesta;

Ou, monstro primitivo, ergui a testa

No limoso Paul, glauco pascigo ...

Hoje sou homem – e na sombra enorme

Vejo, a meus pés, a escada multiforme,

Que desce, em espirais, na imensidade ...

Interrogo o infinito e, às vezes, choro ...

Mas, estendendo as mãos no vácuo, adoro

E aspiro unicamente a liberdade.